O presidente Jair Bolsonaro dá posse à secretária especial da Cultura do Ministério do Turismo, Regina Duarte| Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
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A atriz Regina Duarte tomou posse nesta quarta-feira (4) como secretária especial da Cultura do governo Bolsonaro. Em seu discurso, falou que buscará “pacificação e diálogo permanente com o setor cultural, com estados e municípios, o parlamento e os órgãos de controle”.

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“Uma cultura forte consolida a identidade de uma nação”, disse a nova secretária. “A cultura é um ativo que gera emprego, renda, inclusão social, impostos, acessibilidade e educação”, disse Regina Duarte.

Regina Duarte agradeceu ao presidente Jair Bolsonaro, a outros membros do governo, a Deus, a sua família e a "pessoas anônimas" com quem cruzou na rua nos últimos meses. "De 97% eu recebi aprovação. Era aquela coisa assim: a gente cruzava o olhar e, quando vinha aquele sorrisão confiante de esperança, eu já dizia: 'É Bolsonaro!'"

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Regina não fez referência direta a críticas sobre exonerações que ela têm feito no começo do mandato, mas sugeriu que vai exigir o cumprimento da promessa de "carta branca" para agir como quisesse na Secretaria. "O convite que me trouxe até aqui falava em porteira fechada, carta branca… Não vou esquecer, não, hein, presidente."

Segundo a nova secretária, seu conceito de cultura é algo que não passa "nem perto do conceito de domínio". "Eu falo de cultura como libertação. Falo dessa argamassa de hábitos e comportamentos, rituais, costumes, que se autogeram, se autofertilizam no seio do povo", disse ela.

O presidente também discursou na cerimônia. Afirmou que era “um momento muito difícil” para ele. “O que muitos têm na cabeça é que eu sou uma pessoa que está longe de amar a cultura”, afirmou. Bolsonaro também disse que, por muitos anos, no Brasil, a cultura “não era aquilo que o povo queria, almejava” e “foi cooptada pela política, de modo que foi usada para interesses político-partidários”.

Bolsonaro diz que pode vetar indicações na Cultura

Bolsonaro afirmou ainda que Regina Duarte terá liberdade para escolher os nomes que integrarão a secretaria, ainda que ele possa exercer seu poder de veto, como já fez com alguns ministérios.

No fim da fala, o presidente disse a Regina Duarte que ela tem nele “um amigo” e que “a grande fonte pra chegar a ele está ao seu lado”, referindo-se à primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que estava sentado ao lado da atriz. Durante seu discurso, Regina chamou Michelle de "linda, suave, doce, iluminada".

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O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, garantiu a disposição de seu Ministério de atuar em “sinergia” com a Secretaria da Cultura. Falou na necessidade de “descentralização da verba” governamental para obras culturais e na importância do “respeito às famílias brasileiras” no âmbito da cultura.

Linha do tempo da chegada de Regina Duarte à Secretaria da Cultura

  • 17 de janeiro: O ex-secretário de Cultura, Roberto Alvim, é exonerado do cargo depois de publicar nas redes sociais da Secretaria um vídeo com referências nazistas. No mesmo dia, o nome de Regina Duarte começa a ser cotado para o cargo.
  • 20 de janeiro: O presidente Jair Bolsonaro convida a atriz para assumir a Secretaria da Cultura, em conversa no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
  • 22 de janeiro: Em Brasília, Regina se encontra novamente com o presidente Jair Bolsonaro e conhece a estrutura da Secretaria da Cultura.
  • 23 de janeiro: Regina Duarte convida a reverenda Jane Silva, então secretária de Diversidade Cultural, para o cargo de secretária-adjunta da Cultura. Jane ficou no posto de forma interina.
  • 29 de janeiro: Regina Duarte aceita o convite para ser secretária da Cultura.
  • 31 de janeiro: O perfil de Regina Duarte no Instagram publica uma imagem que cita o apoio de artistas à sua indicação como secretária da Cultura. Alguns atores, como Carolina Ferraz, Maitê Proença e Luiz Fernando Guimarães, pedem que suas imagens sejam removidas da publicação, por não quererem ser associados ao governo Bolsonaro. Regina Duarte deleta a postagem.
  • 7 de fevereiro: Irritada com algumas decisões da reverenda Jane, Regina pede a remoção da secretária-adjunta do cargo. Em seu lugar, coloca Odecir da Costa, ex-diretor de Incentivo à Produção Cultural da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic).
  • 28 de fevereiro: Para assumir o cargo, Regina se desvincula da TV Globo depois de 50 anos de relação contratual com a empresa. “Deixar a TV Globo é como deixar a casa paterna”, diz a atriz em nota de agradecimento à emissora.
  • 2 de março: Após rumores de que Regina Duarte estaria com a intenção de remover da Secretaria da Cultura alguns fãs do filósofo Olavo de Carvalho, o próprio Olavo afirma via Facebook que “se a Regina Duarte quer mesmo se livrar de indicados do Olavo de Carvalho, a pessoa principal que ela teria de botar para fora do Ministério seria ela mesma”, uma vez que, segundo Olavo, a indicação de Regina foi feita por ele ao presidente Jair Bolsonaro.
  • 4 de março: Regina exonera o presidente da Funarte, o maestro Dante Mantovani, que virou centro de uma polêmica depois de afirmar que o rock leva ao aborto e ao satanismo. A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União horas antes de a atriz tomar posse da Secretaria da Cultura em cerimônia no Palácio do Planalto.