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Recado presidencial

Sem citar Moraes, Lula diz que ninguém pode usar cargo “em nome da democracia”

Lula campanha
Lula acumula gafes na campanha de 2026 e preocupa aliados (Foto: André Borges - (EPA) EFE)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (4), em Brasília, que “ninguém pode usar o cargo em nome da democracia”. Lula esteve lado a lado com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, pela primeira vez desde que foi instalada a crise na Corte. A declaração do presidente foi vista como um recado ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, que, na véspera, tentou enquadrar o colega André Mendonça no inquérito das fake news. Fachin retirou nesta manhã a investigação contra Mendonça do inquérito e, mais tarde, também prometeu o fim da Ação Penal 4781.

“Ninguém, ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem para benefícios pessoais”, declarou o presidente.

Lula fez em seguida um discurso enfático em nome da credibilidade das instituições. Desde ontem, Lula tem reagido à crise institucional da Suprema Corte, que se instalou depois que Mendonça derrubou o sigilo de investigações que mostraram a extensão da intimidade de Moraes com o caso Master.

Lula procura se distanciar do escândalo e capitalizar com a situação, atribuindo ao próprio governo a responsabilidade pelas investigações.

“Todo mundo tem que estar subordinado aos mesmos trâmites da legislação. A Suprema Corte está sob muita expectativa da sociedade brasileira; está nas tuas costas e nas costas de Gonet a responsabilidade de passar o mínimo de tranquilidade, sem esconder absolutamente nada”, disse o presidente.

Entre todos os presidenciáveis, Lula foi o único que não se pronunciou imediatamente sobre o assunto. O petista ignorou que no mês passado houve uma reunião entre ele, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, e Cristiano Zanin na casa de Alexandre de Moraes, que recentemente apareceu ainda mais implicado no escândalo. 

O encontro de Lula com Moraes, Alcolumbre e Zanin selou uma reconciliação após meses de afastamento entre o presidente da República e o presidente do Senado. Críticos apontaram a incompatibilidade de ministros da Suprema Corte promoverem encontros de articulação política entre representantes de outros Poderes da República. Nunca foi conhecido completamente o teor desta reunião.

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