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Coronavírus no carnaval: fronteiras aéreas, Aeroporto de Guarulhos
Coronavírus no carnaval: fronteiras aéreas em aeroportos como Guarulhos e sem triagem adequada no feriado facilitaram disseminação da Covid-19 no Brasil, aponta estudo do Ipea.| Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Um estudo divulgado no final desta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) identifica um fator que pode ter sido a porta de entrada no Brasil para o coronavírus: o carnaval. Sem o devido controle nos aeroportos, nos portos e nas fronteiras, o coronavírus teve ambiente propício para propagação.

O levantamento apresenta correlação de casos confirmados de Covid-19 e o fluxo de pessoas entre janeiro e abril de 2020, e relaciona o aumento de casos com a movimentação nos principais aeroportos do Brasil– Guarulhos (SP) e Galeão (RJ) – no feriado de carnaval.

“O avanço do vírus já era de conhecimento em escala global no mês de fevereiro. A grande falha foi não implementar uma política de controle rigorosa nos aeroportos como medida de controle para barrar a entrada do vírus”, destaca Bolívar Pêgo, coordenador da pesquisa. “As fronteiras têm papel determinante na disseminação”, ressalta.

“Os primeiros casos notificados no país apontavam para contágios contraídos em viagens ou por contato com viajantes procedentes da Europa. Da mesma forma, muito da contaminação de pessoas dos estados brasileiros foi atribuída a viagens ou contato com pessoas vindas de São Paulo”, destaca trecho do estudo.

Coronavírus no carnaval

Os três municípios mais afetados no início da epidemia no Brasil, segundo o Ipea, foram São Luís (MA), Salvador (BA) e Fortaleza (CE), relacionando os casos de coronavírus e o carnaval com esses destinos de alta movimentação no feriado. Também aponta a expansão do vírus na faixa litorânea brasileira .

“Do ponto de vista do controle de entrada do vírus no país, a experiência demonstra também a importância de que ações mais rápidas e restritivas de triagem deveriam ter sido realizadas desde janeiro, principalmente no período pré, durante e pós-carnaval, com alto grau de testagem para uma ação mais eficaz”, aponta parte da pesquisa.

Falta de ações coordenadas

De acordo com o Ipea, a falta de ações coordenadas entre estados e municípios no início da pandemia foi crucial para o avanço de casos de Covid-19.

O levantamento destaca ainda que “essa situação se agravou, em especial, em função das próprias divergências de entendimento sobre as formas de enfrentamento dentro do governo federal”. Como exemplo, o Ipea cita as divergências de entendimento entre as orientações do Ministério da Saúde, do restante do governo federal e dos estados.

Uma das consequências foi o aumento de casos e óbitos nas cidades de Manaus e São Paulo. “A primeira possui estreita relação com a faixa de fronteira terrestre e a segunda com a faixa de fronteira litorânea”, destaca o estudo. A chegada do vírus às periferias paulistas e, segundo a pesquisa, o “despreparo das condições hospitalares de Manaus” foram essenciais para o aumento de casos.

Além disso, quando a Organização Mundial da Saúde declarou pandemia, em 11 de março, o Brasil já tinha 34 casos oficiais e nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo já havia transmissão comunitária.

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