O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) disse que está preocupado com os “empréstimos vultuosos” do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), que será realizada em Belém, no Pará, de 10 a 21 de novembro de 2025.
De acordo com o senador, esse tipo de evento acaba prejudicando a produção local e os recursos prometidos para melhorar a infraestrutura “nunca aparecem”. Marinho preside a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado.
“O Pará está sofrendo em termos financeiros para preparar a COP30. São empréstimos do BNDES vultosos, preocupa [...] Se a COP30, com todos os defeitos, trouxer dinheiro para ajudar o Brasil a começar a mudar essa matriz produtiva, modernizando, trazendo menos impactos, fazendo muito mais tecnologia, maravilha, mas, vamos aguardar para ver. Vamos ver se dessa vez esse dinheiro aparece”, disse o senador em entrevista concedida ao Poder360, nesta sexta-feira (19).
Para Marinho, a principal preocupação é de que, “após 15 ou 20 dias de evento, o que fique seja mais um “elefante branco”.
Senador compara COP30 com Copa e Olimpíadas
O senador mostrou temor de que a infraestrutura montada para receber a COP30 tenha o mesmo destino das obras feitas para receber a Copa em 2014 e as Olimpíadas em 2016.
“Terminou, vai todo mundo embora. E todo esse investimento que foi feito de repente não tem a utilidade que precisava se dar a eles. Lembra das Olimpíadas? O tanto que o Brasil gastou… Lembra da Copa do Mundo? Tanto que o Brasil gastou. E hoje, o que é que está gerando esse investimento? Praticamente nada. Tá dando despesa. O que tem que fazer manutenção de uma coisa que não traz retorno”, declarou.
O BNDES está financiando a COP30 através de projetos de transição energética, restauração florestal e o desenvolvimento de infraestruturas. Ao todo, o banco vai destinar R$ 5 bilhões para o estado, incluindo recursos reembolsáveis e não reembolsáveis. Este valor inclui R$ 3,2 bilhões em investimentos para Belém e a região metropolitana, que serão feitos através de contratos entre o governo do Pará e o BNDES.
TCU cobrou explicações do governo Lula sobre contrato milionário com ONG estrangeira
Recentemente, o Tribunal de Contas da União (TCU) pediu explicações ao governo Lula sobre um contrato de R$ 478,3 milhões firmado com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), com sede na Espanha, para organizar a COP30.
Como a OEI é uma organização internacional, a sua contratação pelo governo se deu sem processo licitatório. O TCU enxerga possíveis irregularidades no acordo e pede que o governo esclareça os critérios de contratação.
O TCU também quer saber “se houve análise comparativa com preços de mercado para serviços similares, incluindo eventuais cotações ou estudos que fundamentaram o montante, e os critérios objetivos que demonstram a economicidade da escolha da OEI em relação a outras alternativas disponíveis”.
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