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Vacinação crianças
Menina da faixa etária de 5 a 11 anos sendo vacinada contra a Covid-19 na Espanha.| Foto: Ángel Medina G./EFE

A vacinação de crianças entre 5 a 11 anos contra a Covid-19 no Brasil estará pronta para começar dentro de dez dias. Após uma consulta e uma audiência pública, o governo federal anunciou nessa quarta-feira (5) o cronograma, as negociações com o laboratório da Pfizer/Biontech e as expectativas de imunização desse público.

O Ministério da Saúde convocou uma coletiva de imprensa para explicar o calendário pediátrico, bem como todas as medidas adotadas desde que a vacinação de crianças foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 16 de dezembro, e confirmar o recuo da exigência de prescrição médica para aplicação da vacina.

Veja a seguir as principais dúvidas sobre a vacinação pediátrica no Brasil:

1) Quantas crianças serão vacinadas

A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é que há 20,5 milhões de crianças entre 5 a 11 anos. É com essa estimativa que o Ministério da Saúde trabalha oficialmente. Como a vacinação completa para esse público será mediante a aplicação de duas doses, serão necessárias pelo menos 40 milhões de doses.

2) Quando começa a vacinação

O Ministério da Saúde selou junto a Pfizer, em novembro de 2021, um contrato para a compra de mais 100 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 a serem distribuídas em 2022. Ainda em novembro, antes da aprovação da vacinação para crianças, a previsão era de que, no primeiro trimestre, o governo recebesse 20 milhões de doses.

A Pfizer garantiu ao governo que os 20 milhões de imunizantes a serem encaminhados entre janeiro e março serão entregues em doses pediátricas, específicas para as crianças entre 5 a 11 anos. Para janeiro, contudo, a previsão é de uma entrega de 3,74 milhões de doses.

Dessas doses a serem recebidas neste mês, a previsão é de chegadas em três voos diferentes no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). Cada malote vai conter em torno de 1,25 milhão de doses. A expectativa é que o primeiro chegue em 13 de janeiro.

Uma vez desembarcadas, as doses serão distribuídas aos municípios a partir de 14 de janeiro, prevê o governo. O segundo malote está previsto para chegar ao Brasil em 20 de janeiro. O terceiro, em 27 de janeiro.

A expectativa é que a vacinação das crianças comece dentro de dez dias, se não houver atraso no cronograma de entrega das vacinas.

3) Quando termina o período de vacinação e qual o intervalo entre as doses

Como a previsão é de que a Pfizer entregue 20 milhões de doses no primeiro trimestre, é provável que as crianças entre 5 e 11 anos estarão vacinadas apenas ao fim do segundo trimestre, quando o governo receberá da Pfizer outras 25 milhões de doses entre abril e junho.

Há que se observar, contudo, o intervalo entre a primeira e a segunda dose. O recomendado em bula é de 21 dias, ou seja, três semanas. Mas o governo recomendou um intervalo de oito semanas, um total de dois meses.

"Todos sabem que os estudos demonstraram que um intervalo maior do que três semanas há maior benefício", justificou a secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana Leite, em referência à maior produção de anticorpos com um intervalo mais longo entre a primeira e segunda dose.

4) Qual criança poderá se vacinar primeiro

A vacinação será feita em ordem decrescente de idade, ou seja, das crianças de 11 anos às com 5 anos. Terão preferência aquelas com comorbidade ou deficiência permanente, como está previsto em lei. Por questões jurídicas, indígenas, quilombolas e crianças que vivem com pessoas do considerado grupo de risco também terão trato prioritário.

Crianças sem comorbidades ou deficiência permanente serão imunizadas posteriormente às dos grupos prioritários, preservando o critério decrescente de idade, tal como os demais públicos. Uma vez que os municípios recebam as doses pediátricas, eles poderão dar prosseguimento à imunização.

As doses serão distribuídas de acordo com o critério populacional. Foi uma decisão tomada em conversas entre o Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

5) Quais as recomendações do governo para a vacinação infantil

O governo recuou da exigência de prescrição médica para a aplicação da vacina, como queria o presidente Jair Bolsonaro, mas recomendou que os pais ou responsáveis busquem orientação médica antes de levarem seus filhos para os postos de vacinação. A vacina não é obrigatória e vai depender da anuência dos pais ou responsável pela criança.

"É imprescindível que os pais, mães e responsáveis por essas crianças consultem um médico antes de irem tomar essa vacina. E por que essa nossa preocupação? Porque a criança está em pleno desenvolvimento, é importante ter essa informação. Temos efeitos adversos? Temos. Embora raros, nesse público, o cuidado tem que ser sempre maior", destacou a secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite.

A secretária recomenda que os pais estejam presentes durante a vacinação "manifestando sua concordância". Em caso de ausência dos pais, a imunização deverá ser autorizada em termo por escrito, como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

6) O que os pais devem prestar atenção ao levar seus filhos para vacinar

Um cuidado que os pais devem ter ao levar seus filhos para vacinar é ter a segurança de que o frasco da dose a ser aplicada é o imunizante pediátrico para a faixa etária entre 5 a 11 anos. A vacina da Pfizer para adultos é envasada em frascos roxos. Já o imunizante específico para as crianças vem num frasco laranja.

Os pais podem e devem questionar o servidor do posto de saúde se a dose a ser aplicada é do frasco para crianças. Há um motivo para isso. A imunização infantil será feita pela aplicação de duas doses de 0,2 ml, o equivalente a 10 microgramas, um terço da dose administrada para a população com 12 anos ou mais. A dose infantil tem, também, menor concentração de mRNA, o componente da vacina que estimula a resposta do sistema imunológico.

7) Qual é a segurança da vacina infantil e os riscos envolvidos

Um estudo com mais de 2 mil crianças nos Estados Unidos apontou que o imunizante tem 90,7% de eficácia contra casos sintomáticos da doença. Os dados do estudo foram enviados à Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora norte-americana.

Já uma recente revisão de dados levantados pelo Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos após 8,7 milhões de doses aplicadas em crianças de 5 a 11 anos aponta que efeitos colaterais graves da vacinação da Pfizer são "raríssimos".

Segundo o relatório do CDC, das 8,7 milhões de doses aplicadas 4.249 casos de efeitos adversos foram comunicados entre 3 de novembro e 19 de dezembro de um total de 8,7 milhões de doses aplicadas nesse grupo etário, com idade média de 8 anos, informa a BBC News.

Dos 4.249 comunicados de efeitos adversos, 4.149 não foram considerados "sérios". Os motivos vão desde erros na dosagem administrada ou erro de estocagem até vômito, febre, dor de cabeça, tontura, síncope, fadiga, náusea e coceiras. Foram classificados de pouca seriedade porque não causaram hospitalizações e problemas de longo prazo ou potencialmente fatais.

Já entre os 100 relatos restantes considerados "sérios", informa a BBC News, houve necessidade de hospitalização em quadros como febre, vômito, elevação de troponina — o que é associado a problemas cardíacos — e 12 casos graves de convulsão.

Ao longo da coletiva de imprensa, o ministro Marcelo Queiroga reconheceu que há uma "evidência científica própria constituída" no escopo do público de 5 a 11 anos, mas ressaltou que os dados e os aspectos da efetividade das vacinas para as crianças ainda são de curto prazo, bem como as pesquisas. "São muito recentes, sendo impossível ter dados de longo prazo", comentou na coletiva desta quarta.

Ministério da Saúde diz que não há recuo e nem atraso

O ministro da Saúde discordou que a recomendação de que os pais ou responsáveis busquem orientação médica antes de levarem seus filhos para os postos de vacinação seja um recuo, uma vez que, anteriormente, a intenção era exigir a prescrição médica para a aplicação da vacina.

"Não é recuo, isso não é recuo, faz parte do processo decisório. Foi feita uma recomendação, se fossemos para tomar a decisão naquele momento [em dezembro], não teríamos feito consulta e audiência públicas", disse o ministro Marcelo Queiroga em coletiva de imprensa nesta quarta-feira.

O ministro também discorda que houve algum atraso no anúncio e planejamento da vacinação de crianças. Ele lembrou que, na Europa, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou a vacinação para crianças entre 5 a 11 anos em 25 de novembro e citou que países como o Reino Unido iniciaram sua campanha ao fim de 2021.

"Não houve atraso nenhum. O presidente Jair Bolsonaro em seu pronunciamento, o que ele disse? Falou claramente que todos os pais que desejassem vacinar seus filhos teriam a vacina, e deixou claro que as políticas eram traçadas pelo ministro da Saúde. Eu sou o ministro da Saúde escolhido por ele, o regime é presidencialista, o presidente me consulta. Meu papel é subsidiar o presidente com as melhores informações para que as melhores decisões sejam tomadas", disse.

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