O ex-juiz Sergio Moro, que não é filiado a partidos, mas tem bom desempenho em pesquisas eleitorais
O ex-juiz Sergio Moro, que não é filiado a partidos, mas tem bom desempenho em pesquisas eleitorais| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Podemos, partido que atualmente tem oito senadores e 10 deputados federais, continua com esperanças de ter o ex-juiz Sergio Moro como um de seus filiados – e possivelmente como candidato a presidente da República. A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de considerar Moro suspeito em um processo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lava Jato não afetou a intenção da legenda em lançar o ex-juiz para a disputa pelo Planalto.

A informação é da presidente nacional do partido, a deputada federal Renata Abreu (SP). Em entrevista à Gazeta do Povo, a parlamentar diz que "não faria sentido nenhum" o partido mudar a ótica sobre Moro por causa da decisão do STF.

"O Supremo agiu baseado em mensagens que não têm a comprovação de sua autenticidade e que não deveriam ser utilizadas no processo", afirma Renata Abreu, em referência às conversas atribuídas a Moro e a integrantes da Lava Jato que foram obtidas por hackers e apreendidas na Operação Spoofing, da Polícia Federal. As mensagens, oficialmente, não fizeram parte do processo que pediu a suspeição de Moro, apresentado pelo advogado de Lula, Cristiano Zanin, no fim de 2018, antes que as supostas conversas se tornassem públicas. No entanto, os diálogos foram mencionados por ministros que votaram contra Moro no STF, como Gilmar Mendes.

A deputada afirma que as decisões de Moro foram confirmadas por outros tribunais e que a Lava Jato conseguiu reaver R$ 4 bilhões aos cofres públicos. "Moro fez muito pelo Brasil. Em tempos de pandemia, vale ainda mais pensar: quantas vidas, quantas pessoas morreram por causa da corrupção, do dinheiro desviado que poderia estar nos hospitais e postos de saúde?", questiona.

Partido acredita que Moro pode mudar a política por dentro

Renata Abreu explica que o partido não fez nenhum convite oficial recente ao ex-juiz, mas destaca que "as portas estão sempre abertas". "As nossas bandeiras têm muita relação com o trabalho dele. Mas a decisão de se filiar é algo que compete exclusivamente a ele", afirma a parlamentar.

A deputada ressalta que Moro "nunca demonstrou pretensão para a política", e que, "como ele não conseguiu mudar a política de fora para dentro, talvez seja o caso de mudar a política de dentro dela".

O ex-juiz nunca se candidatou a um cargo público ou foi filiado a partido político. Ele aceitou, em novembro de 2018, o convite para ser ministro da Justiça e Segurança Pública do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), cargo que ocupou até abril de 2020. Deixou a Esplanada em conflito com o presidente da República, que acusou de interferir no trabalho da Polícia Federal. Hoje, Moro e Bolsonaro são desafetos.

Moro não mencionou, em nenhuma ocasião, interesse em concorrer à Presidência da República nas próximas eleições. Mas o nome dele tem sido considerado em pesquisas – e com bom desempenho.

Levantamento recente do instituto Paraná Pesquisas colocou o ex-juiz na segunda posição, atrás apenas de Bolsonaro, nos cenários em que o ex-presidente Lula (PT) não é incluído.

Segundo a deputada, o apoio à entrada de Moro no Podemos - e a uma eventual candidatura presidencial do ex-ministro – é consensual dentro do partido.

Podemos é o partido lavajatista

O Podemos é, há tempos, um partido que busca se apresentar como a sigla mais identificada com a operação Lava Jato. O partido foi refundado em 2017 – até então era o antigo PTN. E, desde então, conseguiu crescer em representatividade dentro do Congresso Nacional, especialmente no Senado: sua bancada hoje é a terceira maior da Casa, atrás apenas das de MDB (15 senadores) e PSD (11 integrantes). Entre os senadores do partido, entretanto, apenas Oriovisto Guimarães (PR) foi eleito pela legenda.

O partido também é um dos que mais integrantes têm dentro do movimento "Muda, Senado" – que busca renovação no Legislativo e tem vínculo com pautas de combate à corrupção, como o fim do foro privilegiado, a prisão após condenação em segunda instância e a tentativa de se convocar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar desvios no Poder Judiciário, a "CPI da Lava Toga". Com a deflagração da pandemia de coronavírus, porém, esses projetos perderam apelo no Congresso.

Em 2018, o partido lançou na corrida presidencial seu atual líder no Senado, Alvaro Dias (PR). Mas Alvaro Dias recebeu apenas 0,8% dos votos válidos no primeiro turno e ficou em nono lugar. Ele teve menos de um terço dos votos do que os que recebeu em 2014, quando se reelegeu senador pelo Paraná.

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