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Cerimônia em MG

Zema questiona Gilmar Mendes no Dia de Tiradentes: “A Justiça não deveria ser cega?”

Romeu Zema discursa em púlpito durante cerimônia da Medalha da Inconfidência em Ouro Preto.
Romeu Zema discursa na cerimônia da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto, onde questionou o ministro Gilmar Mendes e chamou o STF de "vergonha moral". (Foto: Reprodução/Youtube Governo do Estado de Minas Gerais)

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O pré-candidato à presidência Romeu Zema (Novo) usou o palanque da cerimônia da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto, nesta terça-feira (21), para intensificar o confronto com o Supremo Tribunal Federal (STF) e dirigir uma pergunta direta ao ministro Gilmar Mendes.

"Eu pergunto a você, ministro Gilmar Mendes: a Justiça não deveria ser cega?", disparou, em meio a aplausos da plateia. O discurso ocorre um dia depois de o ministro do STF ter pedido a inclusão de Zema no chamado inquérito das fake news.

O ex-governador classificou o momento atual como de "profunda vergonha moral" e questionou episódios envolvendo ministros da Corte. "Como pode a esposa de um ministro do Supremo ter um contrato de R$ 129 milhões com o maior golpista do Brasil? Um ministro que, do dia para a noite, vira um grande investidor no negócio do turismo", disse Zema, sem citar nomes.

"Um ministro que, ao julgar um processo positivo para Minas Gerais, acha que estamos em dívida com o Supremo Tribunal Federal", afirmou Zema, se referindo a postagem de Gilmar Mendes em sua página no X, na qual classificou como "irônico" o fato de Zema atacar o STF após ter recorrido à Corte para aliviar as dívidas de Minas Gerais com a União.

Zema encerrou o discurso conclamando os presentes a decidir "quem vai mandar no Brasil, se serão os intocáveis de Brasília ou os brasileiros de bem", e afirmou que o país vive há quase 25 anos imerso em uma "crise ética".

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Para traçar o paralelo com a Inconfidência Mineira, Zema evocou a execução de Tiradentes. "Tiradentes foi esquartejado porque se rebelou contra o quinto, um imposto de 20%. Hoje o brasileiro trabalha quase metade do ano para sustentar um sistema podre e vendido que não devolve nada ao povo", afirmou.

E foi direto na comparação: "Brasília explora o Brasil igual os portugueses fizeram. É um eterno ciclo colonial sendo revivido, onde o governo é rico e o povo é pobre."

Romeu Zema também citou as denúncias de fraudes no INSS e disse que "o dinheiro do pagador de impostos é drenado para sustentar uma casta de intocáveis que se julga acima da lei. O sistema vive no luxo e o povo no lixo".

A comparação com a Inconfidência integra uma estratégia deliberada de Zema, que já havia antecipado que usaria a data para associar a atuação do Judiciário à opressão colonial.

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi o principal homenageado da cerimônia, ao receber o Grande Colar da Inconfidência, mais alta honraria do estado de Minas Gerais.

Zema o elogiou: "São Paulo não passou pelas mãos podres do PT. Isso com certeza ajudou São Paulo a manter sua riqueza. Afinal, não foram assaltados como fomos aqui em Minas."

Em tom de prestação de contas, Zema defendeu sua passagem pelo governo mineiro e celebrou a continuidade sob Mateus Simões (PSD). O discurso ocorreu durante a solenidade conduzida pelo governador Simões em Ouro Preto, cidade que retoma seu papel histórico como centro simbólico de Minas a cada 21 de abril.

O ministro do STF André Mendonça, que seria um dos homenageados com a Medalha da Inconfidência, não compareceu à cerimônia.

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