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A máscara tucana
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O governo Bolsonaro tem méritos e virtudes, um quadro ministerial bom e uma agenda reformista positiva, ainda que aquém do necessário. Mas talvez seu maior mérito seja de outra natureza: por conta de uma postura intransigente do presidente, o "mecanismo" está em polvorosa e desesperado para expelir essa "areia na engrenagem", para que tudo volte ao normal, ou seja, aos velhos esquemas conhecidos. E isso tem feito muito tucano sair do armário...

O status quo ante, a que os representantes do sistema desejam regressar, tem mais previsibilidade, pois não assume risco de ruptura. Nesse modelo, petistas e tucanos simulam uma disputa ideológica terrível, entre esquerda e direita, mas na prática é uma estratégia de tesouras, para escantear a direita na janela de Overton. Traduzindo: a esquerda quer o monopólio do poder, disputas internas, briga de família, sem "outsider" algum.

É por isso que os ícones do nosso capitalismo de estado têm se manifestado contra o atual governo. O manifesto que pede a "pacificação" no Brasil - leia-se a desistência de Bolsonaro de governar com independência e colocar o Supremo em seu quadrado constitucional - teve origem na Febraban e foi encampado pela Fiesp. Empresários simpáticos ao esquerdismo, como Luiza Trajano e Guilherme Leal, são nomes recorrentes em ataques ao presidente.

Vai ser divertido ver uma vez mais a esquerda, que se coloca como defensora dos pobres contra os banqueiros e capitalistas, ao lado dos magnatas do Brasil... contra o povo! O ex-ministro Weintraub comentou: "Traduzindo: os donos dos 3 bancos privados, que controlam 80% do mercado no Brasil (oligopólio), querem fortalecer o Mecanismo. Eles ganharam muito nessa crise. Pagam pouco imposto (menos que nós) e querem ainda mais tetas. Detalhe: suas empresas não fecharam durante o lockdown (a Justiça deixou abrirem) e eles ganharam muito dinheiro, enquanto a classe média foi destruída".

Mas, ao ler as análises na imprensa, fica-se com a nítida impressão de que são todos patriotas abnegados lutando pelo bem do Brasil, contra um presidente irresponsável e golpista. Em sua coluna na Virtù, Luiz Felipe D'Ávila chega a enaltecer a postura do STF para colocar freios e desarmar bombas criadas por Bolsonaro: "A preservação da governabilidade do País demandará um esforço constante do Congresso e do Supremo para desarmar as bombas criadas pelo Presidente da República a fim de agradar os 20% de eleitores que o apoiam".

Para D'Ávila, o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes, feito pela AGU, não tem nada de técnico, e o presidente do Senado Rodrigo Pacheco fez muito bem de arquiva-lo. O tucano também elogiou a decisão da corte de manter a independência do Banco Central, como se fosse um duro golpe na tentação populista de Bolsonaro, cujo governo... foi o responsável pela proposta!

É um grau espantoso de inversão da realidade. E há aqueles que não conseguem mais esconder o petismo que mascaravam com o bico tucano. É o caso de Merval Pereira, do Globo, que chegou ao ridículo de escrever uma coluna sobre a coxa de Lula, e não foi para ironizar o show, mas sim para elogiar o fotógrafo e imaginar reações esquisitas em mulheres e até homens ao ver a imagem!

Os tucanos, se pudessem, mantinham Lula fora da jogada. Mas entre o corrupto e Bolsonaro, não resta mais dúvidas de que escolhem o petista, e não ligam nem para ameaças de censura. FHC e Tasso Jereissati já saíram de vez do armário, e a cada dia vem um tucano tecer loas ao companheiro do Foro de SP. O que eles queriam era uma "terceira via" viável, ou seja, um nome tucano, a esquerda com pinta de moderada, o petista com perfume francês. Mas está complicado, como podemos ver:

Eis que surge o trigésimo-sexto nome da "terceira via", do senador esquerdista que colocou a culpa da morte do ator global vacinado em Bolsonaro. Vai durar exatos 42 minutos, até mais esse balão de ensaio murchar antes de inflar...

Tucanos são despachantes do mecanismo, e este tem viés de esquerda, gosta do capitalismo de estado, do relativismo moral, dos costumes "progressistas". O bolsonarismo incomoda muito. A direita não pode ter um espaço nesse debate, muito menos um naco do poder. Deve permanecer de onde nunca deveria ter saído: do anonimato antes do advento das redes sociais, com cada representante tratado como um louco, um radical, um negacionista, um fascista...

Somente assim a turma pode retornar ao que era antes, ou seja, a demonização da postura "anticientífica" desses direitistas malucos, enquanto a elite tucana destila todo o seu saber científico, como podemos observar:

Ah, esses conservadores! São uns chatos!!! Por que precisam expor a hipocrisia e a incoerência da esquerda o tempo todo?!

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