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Rodrigo Constantino

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STF

A via suprema virou circo: enquanto Moraes permanecer no STF, Corte estará imersa na lama

Ministro utilizou parecer de Gonet que apontou "dupla nulidade" para pedir análise da extinção do processo.
Ministro utilizou parecer de Gonet que apontou "dupla nulidade" para pedir análise da extinção do processo. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

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O Supremo Tribunal Federal (STF) virou palco de circo nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026. Era uma sessão extraordinária para decidir se Alexandre de Moraes pode ser investigado pelas mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Dezenas de conversas, pedidos de proteção, contratos milionários com o escritório da família. Evidências claras. E o que faz a Corte? Transforma tudo em bate-boca, interrupção e manobra para adiar. Fachin abre falando em “período difícil da história”. Difícil para quem? Para quem sempre usou o inquérito das fake news como instrumento de poder absoluto.

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Moraes argumenta que não é certo decidir se o próprio Moraes pode ou não ser investigado. Cara de pau sem tamanho. O mesmo que prendeu, censurou e cassou à vontade agora descobre o valor do devido processo quando a toga dele está em jogo. Quer impedir André Mendonça de votar, cria falsa equivalência entre os casos e ainda fala em “obediência à lei”. Lei para os outros, sempre. É o garantismo de ocasião.

Gilmar Mendes e Flávio Dino formam a dobradinha patética. Um provoca, interrompe, banca a vítima. O outro, o comunista, declara que “não é mais possível continuar” no instante em que Mendonça perde a calma por um segundo. Gilmar ainda sai em defesa do ex-sócio Paulo Gonet. É autoproteção nua e crua. Facção dedicada a blindar uns aos outros enquanto o país assiste à desmoralização completa da instituição.

O Brasil precisa perguntar: até quando? Até quando uma Corte que deveria ser guardiã da Constituição age como comitê de autoproteção? Enquanto Moraes permanecer no STF, a instituição estará imersa na lama

Mendonça tenta mostrar o óbvio: os casos são distintos. Misturar tudo é coisa de malandro. Ele vota, enfrenta a pressão e tenta fazer justiça. Enquanto isso, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques se declaram impedidos. O plenário fica reduzido, o risco de empate paira e Fachin demonstra falta de pulso. Deixa-se humilhar por Dino. Frachin?

Toffoli suspeito, Kassio impedido, Dino acusando Edson Fachin de abrir caminho para a “tirania”. O próprio Moraes discute com Mendonça. Gilmar conta história de galinheiro no meio do julgamento. É o retrato fiel de um tribunal que deixou de julgar fatos para proteger pessoas. Pessoas que acumulam poder demais e accountability de menos.

Lula é Moraes, Moraes é Lula. A indicação de Gonet, a escolha de Dino, os nomes no TSE. Tudo conversado. Agora o Supremo tenta sobreviver ao escândalo que ele mesmo criou. Sessão interrompida, retomada atrasada, questões de ordem intermináveis. Estratégia clássica: alongar, confundir, empurrar para o dia 23 e diluir o caso Moraes no pacote Banco Master.

O Brasil precisa perguntar: até quando? Até quando uma Corte que deveria ser guardiã da Constituição age como comitê de autoproteção? Enquanto Moraes permanecer no STF, a instituição estará imersa na lama. Cada dia a mais é desmoralização do país inteiro.

Não há equivalência possível entre Moraes e Mendonça. Um ministro usa o Estado para perseguir adversários e agora pede proteção quando as mensagens comprometedoras aparecem. O outro ousa retirar o sigilo e enfrenta o sistema. Quem é o investigador e quem é o investigado ficou nítido hoje. A falsa equivalência só serve para salvar o capo da operação, o sócio oculto de Daniel Vorcaro.

Fachin tenta conduzir, mas a Corte já não tem autoridade moral. Divergência é legítima; confronto pessoal e manobra para tapar o sol com a peneira, não. O plenário deveria decidir se abre investigação. Em vez disso, discute se o próprio Moraes pode votar sobre si mesmo. O absurdo virou rotina.

O STF atravessa período difícil porque se recusa a se livrar de quem o afogou na imundície. Moraes acha que pode boiar no mar de lama. A sessão de hoje mostrou que a facção prefere afundar o tribunal junto. Resta saber se o Brasil ainda tem pulso para exigir o mínimo: que ninguém, nem ministro, esteja acima da lei.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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