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Rodrigo Constantino

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Aluno que desrespeitar “direitos humanos” levará nota zero no Enem

O inferno está cheio de boas intenções, e a pior tirania de todas é justamente a “do bem”, pois incansável. Quem pode tolerar passivamente uma redação do Enem enaltecendo Hitler? Ninguém! Então claro que é preciso ter regras, uma cartilha, para exigir as “boas ideias”. Mas aí começam os problemas, pois o diabo está nos detalhes…

Essa reportagem da IstoÉ desperta reflexões sobre os obstáculos reais para se filtrar conteúdo dessa forma tão, digamos, ideológica. Por exemplo:

Entre as regras a serem seguidas pelos candidatos que vão fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na elaboração da prova de redação está o respeito aos direitos humanos. Quem defender ideias avaliadas como contrárias aos direitos humanos poderá receber nota zero na redação.

De acordo com a Cartilha do Participante – Redação no Enem 2017, divulgada hoje (16) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), algumas ideias e ações serão sempre avaliadas como contrárias aos direitos humanos, como: defesa de tortura, mutilação, execução sumária e qualquer forma de “justiça com as próprias mãos”, isto é, sem a intervenção de instituições sociais devidamente autorizadas.

Tortura? Se um terrorista que sabe onde está uma bomba dentro de uma creche leva uns sopapos do policial para confessar o local e salvar centenas de crianças, isso é tortura? Se o aluno defender isso, leva zero? Mutilação? Mas e se for um muçulmano defendendo sua cultura de cortar o clitóris das meninas, vai ser avaliado com o mesmo rigor e isenção? E se for um “progressista” pregando a mudança de sexo de um adolescente? Isso não é mutilação?

Execução sumária? Então presumo que Che Guevara jamais poderá receber um elogio em provas, certo? Muito menos Fidel Castro? Justiça com as próprias mãos? Estamos falando dos black blocs que quebram tudo por aí ou do MST que invade propriedades? Ou seria da “ocupação” de alunos em reitorias, que fere a lei?

Repararam como é complicado usar tais conceitos? É porque sabemos muito bem o que a turma tem em mente, e não é nada disso. Certas torturas, mutilações, execuções sumárias e justiça com as próprias mãos são toleradas, pois “do bem”, atos praticados por socialistas ou muçulmanos. Aí pode! A lista continua:

Também ferem os direitos humanos, a incitação a qualquer tipo de violência motivada por questões de raça, etnia, gênero, credo, condição física, origem geográfica ou socioeconômica e a explicitação de qualquer forma de discurso de ódio voltado contra grupos sociais específicos. Segundo o Inep, apesar de a referência aos direitos humanos ocorrer apenas em uma das cinco competências avaliadas, a menção ou a apologia a tais ideias, em qualquer parte do texto, pode anular a prova.

Muito bem, muito bem. Mas vamos definir agora “incitar a violência”. Eis onde mora o perigo. Condenar cotas raciais já pode, para alguns, ser considerado algo racista e preconceituoso. Chamar a atenção para o perigo que o Islã representa hoje é certamente tido como “islamofobia”, e não bom senso. “Discurso de ódio” é tudo aquilo que vem da direita contra a esquerda.

Enfim, quando lembramos no que os tais “direitos humanos” se transformaram, quando observamos que a própria ONU e a Unesco viraram antros de comunistas, quando sabemos que as ONGs dos “direitos humanos” vivem defendendo marginais como “vítimas da sociedade”, então temos todo direito de ficar alarmados com essa medida. É a instituição oficial da ideologia no Enem. É George Orwell na veia. É a polícia do pensamento, algo existente apenas em regimes totalitários.

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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