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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Analisando a pesquisa DataPoder 360

Por Bernardo Santoro

Vamos falar hoje sobre a nova pesquisa do Instituto DataPoder, ligado ao site político poder360.

Como sempre faço em todas as análises, começo destacando que é um grande erro fazer comparações entre pesquisas de diferentes institutos, pois as metodologias são distintas, e nesse momento do processo eleitoral as pesquisas servem antes mais como reflexo de tendências eleitorais do que resultados estimados para 2018.

CENÁRIO REDUZIDO

Nossa primeira dificuldade ocorre do fato que o disco de candidatos apresentado nesta pesquisa não é o mesmo que o apresentado no cenário sem Lula de dezembro de 2017. Na pesquisa do ano passado, o disco reduzido sem Lula não apresentava os nomes de Alvaro Dias e Joaquim Barbosa. Portanto, a pesquisa reduzida virá com a variação NT (não testado) para esses dois candidatos. Entre parênteses estará a variação do candidato em relação à pesquisa anterior.

BOLSONARO 22% (-1)
BARBOSA 16% (NT)
C. GOMES 8% (-2)
MARINA 8% (-2)
HADDAD 7% (+2)
A. DIAS 6% (NT)
ALCKMIN 6% (-1)
SEM VOTOS DEFINIDOS – BRANCOS/NULOS/INDECISOS 24% (-22)

CONSIDERAÇÕES SOBRE O CENÁRIO REDUZIDO

1 – Ao contrário do que andou se falando com alguma frequência até mesmo em jornais de grande circulação, é quase nula a transferência de votos de Lula para Bolsonaro.

2 – Bolsonaro de fato se consolida na faixa dos 20% do eleitorado, repetindo o número da última pesquisa mesmo sem a presença de Joaquim Barbosa e Alvaro Dias. Isso significa que Bolsonaro criou uma base fiel e ao mesmo tempo estagnada. Dada a grande pluralidade de candidatos para este ano (a se confirmar), essa base (que contada na perspectiva de votos válidos deve chegar a 27% do eleitorado) praticamente o garante no segundo turno.

3 – A média histórica de não votantes para presidente fica na base de 20%. Isso significa que os votos definidos estão chegando no patamar natural do dia da eleição, onde a partir daí passarão a ser intercambiáveis entre os candidatos e a massa de indecisos já terão um candidato preferencial, ainda que não definitivo.

4 – Barbosa e Haddad herdaram quase que diretamente os votos de Lula, na taxa de 2:1. Em dezembro, era 46% os eleitores que, em um cenário sem Lula, não votavam em ninguém. Esse número baixou em 22 pontos. A soma de Barbosa e Haddad nesse cenário é de 23% (16+7). A correlação é evidente.

5 – O único motivo pelo qual Haddad, que nesse cenário já está tecnicamente empatado com Marina e Ciro, ainda não consolidou sua candidatura e se mostrou como player de ponta é o fato do PT claudicar, de maneira absolutamente equivocada, em abraçar sua candidatura, insistindo tolamente numa candidatura ilegal de Lula.

6 – Como dito em outro cenário, o tucanismo é muito melhor representado, seja em discurso ou em postura, por Alvaro Dias, e não Geraldo Alckmin. Como eu havia dito na análise Datafolha dessa semana, a tendência é Alvaro Dias crescer e reduzir a força de Alckmin, hoje totalmente concentrada em São Paulo. Se eu fosse membro da campanha de Alvaro Dias, eu manteria meu discurso nacional mas focaria em campanha corpo-a-corpo 100% no Estado de São Paulo para tomar os votos restantes de Alckmin.

7 – O problema é que o esvaziamento definitivo de Alckmin frente a Dias pode realmente gerar o retorno da candidatura-zumbi de João Dória, e isso pode ser um problema, para Dias, maior do que o administrável Alckmin.

8 – Reforçando o que eu disse na análise Datafolha, as candidaturas de Marina e Ciro estão prontas para serem esvaziadas por Barbosa e Haddad.

9 – A vitória de Barbosa sobre Bolsonaro no teste do segundo turno mostra que um candidato de centro bem postado, ainda que de centro-esquerda, cria muitos problemas para Bolsonaro, que terá muita dificuldade em vencer um adversário que não seja de esquerda raiz, como Haddad, ou não muito convicto, como Alckmin. Estou curioso em ver um teste entre Bolsonaro e Alvaro Dias.

CENÁRIO MACRO

Não faz muito sentido testar o cenário macro atual em comparação ao de dezembro de 2017, pois Lula estava no disco de candidatos. No entanto, vale postá-lo para comparação com o cenário reduzido. Os parênteses, nesse caso, refletem a diferença em relação ao cenário reduzido desta mesma pesquisa.

BOLSONARO 20% (-2)
BARBOSA 13% (-3)
MARINA 10% (+2)
C. GOMES 9% (+1)
ALCKMIN 8% (+2)
A. DIAS 6% (0)
HADDAD 4% (-3)
MANUELA 2% (NT)
COLLOR 1% (NT)
AFIF 1% (NT)
BOULOS 1% (NT)
AMOEDO 1% (NT)
SEM VOTOS DEFINIDOS – BRANCOS/NULOS/INDECISOS 24% (0)

CONSIDERAÇÕES SOBRE O CENÁRIO MACRO

1 – A pontuação dos sem votos definidos permanece a mesma nas duas pesquisas, confirmando no cenário macro a ideia de que em breve os totalmente indecisos serão apenas residuais, e todo eleitor passará a ter um candidato preferencial, ainda que não definitivo.

2 – A pesquisa confirma a tendência de que Manuela D’Ávila não conseguiu reunir para si o movimento lulista. Haddad já larga na frente mesmo sem campanha na rua. A candidatura de Manuela está morta.

3 – A entrada de Manuela e Boulos machuca Haddad, que perde fôlego frente a Marina e Ciro por absoluto abandono de seu partido. Mas como Manuela não será candidata nesses termos, esse problema se resolve sozinho para Haddad.

4 – Pode parecer estranho que Marina, Alckmin e Ciro tenham mais votos no cenário amplo que no cenário reduzido. E é mesmo, mas não é inexplicável. Com um novo disco apresentado para o eleitor pesquisado, este pode ver o cenário a partir de perspectivas mais utilitaristas, ou ter seu foco maior em determinado aspecto nessa nova rodada. Ainda assim, são candidaturas extremamente fragilizadas no momento.

5 – Com esse cenário diluído, qualquer tentativa de se pensar em vitória em primeiro turno para qualquer candidato é uma completa loucura.

6 – A descartável redução de Bolsonaro no cenário amplo reforça a ideia de que ele chegou em um teto, mas também estabeleceu um piso que quase certamente o levará ao segundo turno da eleição.

7 – Estranhamente, a pesquisa ignorou os dois candidatos de centro-direita com estrutura partidária para tentar crescer com consistência nessa corrida: Flavio Rocha e Paulo Rabello. Nesse caso, a ausência de ambos exige maiores explicações do instituto, já que são duas pré-candidaturas declaradas de partidos com direito de participação obrigatória em debates, ainda que ambos não tenham performado bem no Datafolha.

8 – Os candidatos com 1% terão muita dificuldade em sair desse patamar. Collor e Boulos por serem Collor e Boulos, Afif por não ter se apresentado para o debate público ainda e Amoedo por ter uma máquina partidária que não lhe acrescentará em campanha oficial nada além do que ele já tem de máquina virtual hoje e que, até o momento, ainda não gerou os efeitos desejados.

COMENTÁRIO FINAL

Um último comentário sobre essa pesquisa e que me chamou a atenção: a quantidade de mulheres indecisas é muito superior a de homens, o que significa que o momento atual é de focar em promover o debate de políticas públicas voltadas para a eleitora brasileira.

Até a próxima!

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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