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Rodrigo Constantino

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Após 9 anos, Renan Calheiros será finalmente réu: foi cutucar a onça…

Fonte: Estadão

Fonte: Estadão

Em rota de colisão com o Poder Judiciário, o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), pode se tornar réu nesta quinta-feira, 1, perante o Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte julgará se aceita a denúncia contra o peemedebista pelos crimes de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso.

No caso, que tramita desde 2007, o peemedebista é acusado de receber propina da construtora Mendes Júnior para apresentar emendas que beneficiariam a empreiteira. Em troca, teve despesas pessoais da jornalista Monica Veloso, com quem mantinha relacionamento extraconjugal, pagas pela empresa. Renan apresentou ao Conselho de Ética do Senado recibos de venda de gados em Alagoas para comprovar um ganho de R$ 1,9 milhão, mas os documentos são considerados notas frias pelos investigadores e, por conta disso, Renan foi denunciado ao Supremo. Na época, o peemedebista renunciou à presidência do Senado em uma manobra para não perder o mandato.

A investigação começou em 2007, mas a denúncia só foi oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 2013. O caso estava sob a relatoria do ministro Ricardo Lewandowski, mas passou para as mãos do ministro Luiz Edson Fachin em junho de 2015. No último ano, imbróglios envolvendo mudança de advogados de Renan e um aditamento feito pela PGR atrasaram ainda mais a liberação do caso para julgamento. Se o Supremo receber a denúncia hoje, Renan passa a responder a uma ação penal.

Essa é daquelas que só acredito vendo. Mas não deixa de ser sintomático de nossa “república” capenga o fato de que foi necessário cutucar a onça com a vara curta para ela reagir. Renan Calheiros representa o que há de pior na política nacional, à exceção do PT, PSOL, PCdoB e Rede. Ou seja, tira a extrema-esquerda, e vem essa porcaria fisiológica que se chama PMDB, com seus caciques que mandam e desmandam desde Collor ao menos.

Renan já deveria ter sido julgado e, eventualmente, punido, mas no Brasil a lei não vale para alguns, para os poderosos do andar de cima (como explicar Lula solto até agora?). Como o presidente do Senado foi o articulador por trás das manobras que desfiguraram o projeto anticorrupção, colocando o Judiciário na berlinda, pode ser que os juízes finalmente resolvam agir agora. Ainda assim, o caso demonstra a pouca seriedade de nosso sistema. É tudo briga de território, não respeito às regras do jogo.

Não podemos nos enganar: não é o poder Judiciário que goza da estima do povo brasileiro, mas sim uma pequena parcela dele, mais precisamente a equipe da Operação Lava Jato, sob a liderança do juiz Sergio Moro. Ninguém se ilude com o Ministério Público como um todo, com o magistério como um todo, com os ministros do STF! O Brasil precisa ser passado a limpo nos três poderes!

Basta ver o que o próprio STF vem fazendo, em termos de demora ao julgar os poderosos, decisões absurdas como fatiar a Constituição no impeachment de Dilma, ou momentos em que usurpou o poder Legislativo, como no caso do aborto recentemente. Não confiamos no Judiciário, caro demais, lento demais, obscuro demais. Não confiamos no poder Executivo. E não confiamos nos deputados, que conspiram para se safar das leis.

Ou seja, estamos desamparados mesmo, sem representatividade e sem confiança no sistema. Não é muito difícil compreender o apelo que cada vez mais gente tem feito em prol de uma intervenção militar, já que os militares ainda gozam de respeito. Não acho que seja esse o caminho.

Mas espero, do fundo do coração, que essa turma nos três poderes não coloque mais lenha na fogueira, de modo a levar um moderado como eu, defensor do império das leis, a ficar do lado dos indignados e desesperançosos. Um primeiro passo para evitar isso seria julgar logo Renan Calheiros. O problema é que pode vir coisa ainda pior em seu lugar. Essa turma está brincando com fogo, plantando sementes revolucionárias.

Quem viver, verá.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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