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Rodrigo Constantino

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Argentinos querem punir incompetência de Macri dando um tiro na própria cara

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Macri merece ser punido nas urnas. Venceu com uma plataforma liberal e reformista, não teve coragem, convicção ou condição para implementar essa agenda, e governou como uma espécie de tucano, de esquerdista envergonhado. Optou pelo gradualismo das reformas, e quando veio o custo da inação, escolheu a “solução” fácil: populismo, com congelamento de preços e tudo mais.

Alexandre Schwartsman fez uma boa analogia com o caso britânico da Segunda Guerra: Churchill, de maneira profética, alertou Neville Chamberlain: “você teve que optar entre a guerra e a desonra: escolheu a desonra e terá a guerra”. Não é difícil estender a analogia para o caso argentino. Macri escolheu o gradualismo e terá o ajuste.

É verdade que herdou cenário de terra arrasada, uma herança maldita do próprio kirchnerismo. Costuma ser assim mesmo: a esquerda populista destrói tudo e a “direita” precisa vir colocar a casa em ordem. Mas Macri fracassou nessa missão, porque não foi direita de fato, não foi um liberal.

Após seis trimestres de recuperação, em que a economia se expandiu ao ritmo médio de 3,4% ao ano, o país voltou a entrar em forte recessão: o PIB caiu nada menos do que 6,5% em comparação ao observado no trimestre final de 2017, seu melhor momento sob Macri.

A inflação, que tinha caído para 25% ao ano no final de 2017, voltou a subir e deve superar 50% este ano. A economia argentina é bastante dolarizada, o que explica a transferência da desvalorização do peso para os preços finais.

Em outras palavras, Macri falhou e o argentino está irritado, com razão. Mas a reação não é racional; é com o fígado, e ele não costuma ser bom conselheiro nessas horas. O argentino vai punir Macri dando um tiro na própria cara, soltando o pino da granada, cometendo suicídio coletivo, como seguidores fanáticos de um Jim Jones da vida.

Não se trata de alarmismo infundado, mas de previsão séria, de análise independente. A volta de Kirchner seria como a volta do PT ao poder no Brasil: catástrofe certa! Não à toa a bolsa (Merval) caiu mais de 30%, o peso “lambeu” e a taxa de juros passou de 70% ao ano. O pânico dos investidores é legítimo, lembrando que ainda há uma (pequena) chance de reverter o quadro e derrotar Kirchner.

O presidente Bolsonaro também está certo ao alertar que o Rio Grande do Sul poderá ser a próxima Roraima. É um exagero, claro, uma hipérbole, mas está correto na essência: sempre que a esquerda jurássica chega ao poder temos caos como resultado, e isso vai afetar o fluxo migratório. Todos querem fugir de países sob o socialismo, o que explica porque governos socialistas acabam invariavelmente despóticos, impedindo a saída do povo, controlando imprensa etc.

Para o Brasil, a implosão argentina será péssima. Somos parceiros comerciais importantes, e negociamos acordos internacionais por meio do Mercosul. Como será a relação entre os países se Fernández for mesmo o próximo presidente, agora que ele acusou Bolsonaro de ser “racista” e “misógino” enquanto pedia “Lula Livre”?

O retorno do Foro de São Paulo bolivariano ao poder na Argentina não pode, em hipótese alguma, ser menosprezado. É da maior gravidade, e coloca a América Latina em situação delicada pelo risco do “efeito Orloff”: a Argentina poderá ser a Venezuela amanhã, e o Brasil poderá ser a Argentina depois de amanhã.

Os latino-americanos ficam com a sensação de viver eternamente no “dia da marmota”, como no filme “O feitiço do tempo”. Acordam e vão dormir e nada mudou, o dia se repete, o passado é o futuro. Como circulou ontem nas redes sociais, se você viaja da Argentina por 20 dias e volta, tudo mudou; mas se você viaja por 20 anos e volta, nada mudou!

Que Deus tenha piedade desse continente perdido, que flerta de forma incansável com o atraso populista. E que o governo e nosso Parlamento possam tirar as lições certas desse episódio sombrio com nosso vizinho: é para acelerar as reformas, privatizar o que for possível, e focar na recuperação econômica. Ou isso, ou a esquerda radical poderá voltar. E aí afunda tudo de vez…

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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