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Brain drain: o Brasil está exportando o melhor de seu capital humano
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Participei de um almoço informal hoje na Brickell com empreendedores e investidores brasileiros, todos morando em Miami. Umas dez pessoas de excelente nível, quase todos com uma condição financeira invejável, que os possibilitaria passar o resto da vida jogando golfe ou rodando o mundo de primeira-classe.

Mas não é esse o perfil deles. São empreendedores, investidores, e querem construir mais negócios, dar mais rentabilidade para seu patrimônio e o de clientes, pois ainda são jovens, na casa dos 40. E o papo não teve como fugir muito da decepção profunda com o Brasil, e das gritantes diferenças que encontraram empreendendo nos Estados Unidos.

Um deles, por exemplo, participou de uma feira de negócios em Orlando e contratou um espaço por pouco menos de dez mil dólares. O contrato foi direto com a empresa organizadora do evento, e ela escolheria uma entre três empresas para construir seu espaço.

Pois bem: passam uns dias e chega na casa dele um cheque, de quase dois mil dólares. É que a empresa vencedora, que sequer fechou diretamente com ele, alegou que venceu a concorrência estimando trabalhar oito horas no total, mas conseguiu finalizar tudo em apenas seis horas. O valor era da diferença, que a empresa devolveu ao contratante final.

Alguém consegue imaginar algo assim no Brasil? Exatamente. Só que aqui cada um tinha uma história semelhante para contar. Sociedade de confiança, facilidade de empreender, de abrir e fechar negócios, de contratar e demitir, de acessar capital, inclusive de venture capital e anjos. Já no Brasil…

Um dos presentes tem justamente uma incubadora anjo no Brasil, para fomentar novos negócios, especialmente no setor de tecnologia. Os relatos são desanimadores. A burocracia é asfixiante, o governo cria barreiras legais para vender facilidades ilegais depois, os impostos matam os negócios antes de nascerem etc.

Sim, a maioria foi embora por questão de segurança, para ter uma qualidade de vida melhor, por não achar razoável viver dentro de carros blindados e condomínios repletos de seguranças. Muitos são do Rio, que é lindo, sem dúvida, mas cuja beleza quase não se pode mais apreciar, ao menos não sem o risco constante de um assalto e a sensação eterna de medo.

Difícil imaginar solução no curto ou mesmo no médio prazo. A cultura precisa mudar, e muito. O Brasil ainda considera o sucesso individual um pecado, e não tem boas referências de valores morais. Todo empresário é retratado como canalha nas novelas, boa parte da população inveja os ricos, e só pensa em redistribuição contra as “desigualdades”.

Ou seja, é a mentalidade do usurpador, não de quem quer melhores oportunidades para construir riqueza. As instituições obviamente não ajudam nada, e o mecanismo de incentivos é totalmente perverso. Os privilegiados do setor público gozam de benefícios impensáveis na iniciativa privada, que é quem paga a conta. A classe política está em descrédito e pouca gente séria quer ir por esse caminho, ainda que isso possa estar começando a mudar um pouco.

A conversa desanima bastante pelo potencial que temos, mas não exploramos, pelo que o país poderia ser, mas não é. E como tinha um mais velho no grupo, já com seus 70 anos, a noção de que somos como uma roda gigante, às vezes em cima, às vezes embaixo, mas sempre rodando em círculos sem sair do lugar, ficou forte entre os presentes. Debatemos as mesmas coisas dos nossos pais e avós!

E para muito pouco avanço. Na verdade, para claros retrocessos, como na última década, sob o PT. Eis o quadro de hoje: economia devastada, criminalidade fora de controle, e o melhor de nosso capital humano buscando oportunidades fora do país. São milhões e milhões de dólares de capacidade de investimentos só nesse minúsculo grupo, e todos olhando para oportunidades nos Estados Unidos, cansados de só apanhar no Brasil, de ser refém de um estado corrupto e perdulário.

Enquanto o Brasil tratar como rainha a elite dos funcionários públicos e como escravos os empreendedores que criam riqueza, continuaremos experimentando no máximo voos de galinha, quando o cenário externo permitir, ou quando a grana acabar e o governo for forçado a aprovar algumas reformas, reduzindo temporariamente a asfixia do setor privado (situação atual).

Mas jamais vamos decolar desse jeito. O brasileiro médio ainda não parece entender que deve louvar os empreendedores, não o estado, os sindicatos e os políticos populistas. São Paulo tem um núcleo diferente, uma pequena amostra de como poderia ser o Brasil todo com mais apreço pelo trabalho, pela produtividade, pelo empreendimento. Mas mesmo São Paulo está inserido na triste realidade nacional, e também não consegue carregar tantos parasitas nas costas o tempo todo.

Se esse quadro não mudar – e 2018 tem que ser um começo – então o país todo ficará cada vez mais parecido com o Rio ou a Bahia, não com São Paulo. E o Rio pode ser lindo, charmoso, descolado, mas é também um antro de marginais, um fiasco para empresas, a capital nacional da esquerda caviar. A mesma turminha que tem preconceito contra Miami, mas vem aqui fazer compras e passar férias, já que para Venezuela ninguém quer ir.

Rodrigo Constantino

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