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Rodrigo Constantino

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Candidato ao Senado pelo Partido Democrata assume ser socialista: mais um!

“O povo americano nunca adotará conscientemente o socialismo, mas sob o nome de ‘liberalismo’, adotará cada fragmento do programa socialista até que um dia a América seja uma nação socialista sem saber que isso aconteceu.” (Norman M. Thomas, líder do Partido Socialista dos EUA em um discurso de campanha de 1948)

Houve uma “revolução silenciosa” na esquerda americana em geral e no Partido Democrata em particular nas últimas décadas, e quem não se deu conta dela ainda encara os “liberais” como moderados defensores da social-democracia. Nada mais falso. São cada vez mais radicais, simpatizantes do socialismo mesmo. Bernie Sanders, Elisabeth Warren e outras lideranças do partido se mostram bem perto do extremo no espectro ideológico. Não há grandes diferenças entre eles e o PT ou o PSOL no Brasil.

Outro caso recente comprova essa guinada ao extremismo. O candidato oficial do Partido Democrata ao Senado por Maine, Zak Ringelstein, fez declarações totalmente socialistas. Ele admite publicamente ser membro do pequenino grupo comunista Democratic Socialists of America (DSA), fundado nos anos 1980 pelo ativista socialista Michael Harrington. O DSA teve pouca influência nas eleições desde então, mas a popularidade de Sanders nas primárias de 2016 ajudou no crescimento do movimento.

Com Ringelstein “saindo do armário” e assumindo sua simpatia pelo grupo, já são 42 candidatos nas esferas federal, estadual e local que contam com o apoio do DSA. O desprezo de Trump pela esquerda, alimentado por uma campanha difamatória diária na imprensa, levou o número de membros do DSA para 45 mil em todo país, um crescimento exponencial.

A meta do DSA é nada menos do que eliminar o capitalismo na América. Ringelstein, há duas semanas, tinha dito não estar pronto para se unir ao grupo dos socialistas “democratas” (risos), mas como a imprensa destila sua paixão pela esquerda radical todo santo dia, a decisão ficou tentadora demais. “Eu apoio os socialistas democratas, e eu decidi me tornar um membro efetivo”, declarou esta semana. “É hora de fazer o que é certo, mesmo que não seja fácil”, acrescentou.

Fazer o que é certo, ironicamente traduzido como “right” em inglês, deveria ser dar uma guinada à direita. No caso, o candidato acha que certo é flertar com uma utopia assassina responsável apenas por espalhar muita miséria e escravidão no mundo todo. Quanto a não ser fácil esse caminho, há controvérsias: a coisa mais fácil que existe é adotar um discurso sensacionalista, culpar os ricos pela pobreza dos pobres, prometer benesses por meio do estado e se tornar um agitador das massas.

Ringelstein já estava no caminho “certo”, antes mesmo de se declarar um socialista oficial. Ele participou de um protesto no dia 22 de junho, levando brinquedos e livros para um centro de detenção infantil no Texas e se recusando a ir embora quando soube que não seria admitido dentro do prédio. Quem acabou detido, então, foi ele, e era tudo que queria: seu Twitter publicou que o candidato era um “prisioneiro político do governo Trump”. Não é molezinha ser um socialista?

Solto no dia seguinte, ele postou novamente algo assim: “Acabei de sair da prisão. Obrigado a todos pelo apoio e amor. Deixe-me ser sincero: a cadeia é terrível. Mas minha experiência não foi nada comparado ao que as crianças e suas famílias passam diariamente nas prisões. Rezem por eles, não por mim. Libertem as crianças!” Não resta dúvida de que um típico membro da elite culpada, eleitor do PSOL, quase chora ao ver isso. Os demais seres humanos normais percebem com irritação o forte cheiro de oportunismo e exploração política da dor alheia.

Clichês vazios, demagogia pura, propaganda de luta de classes e disseminação de ódio: assim tem sido a campanha do candidato. E, naturalmente, ele não é um caso isolado. É apenas mais um a engrossar a fila dos radicais socialistas que tomaram conta do Partido Democrata, aquele que já foi o de JFK, um anticomunista ferrenho, católico, defensor de menos impostos e do livre mercado. Mas esses socialistas ainda são chamados de “liberais”, o que revela o sucesso da estratégia deles.

Pesquisas apontam que cerca de metade dos universitários é simpática ao socialismo, que desconhecem totalmente na prática. Mérito dos militantes disfarçados de professores, seguidores de Gramsci. Essa mensagem radical, porém, ainda não traz bons resultados nas urnas. Por isso alguns democratas tentam se afastar de seus companheiros mais extremistas, e negam que o partido virou socialista.

Mas Obama, que era um radical, ocupou a Casa Branca por oito anos. Contou com a cartada racial, é verdade, e soube dosar a pílula nos discursos, bancar o moderado. O risco que a América corre, contudo, é a volta da esquerda radical ao poder. E dessa vez talvez seja uma esquerda assumidamente socialista. O único problema é que no caminho tem uma pedra chamada Trump. O sucesso de sua gestão pode afastar um pouco esse sonho dos radicais, que seria o pesadelo dos americanos.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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