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Rodrigo Constantino

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Como ganhar uma Copa e perder um país: França vive cenas de caos após vitória na Rússia

A notícia não está em destaque nos sites dos principais veículos de comunicação do país. É como se não fosse algo importante ou chocante para informar, ou talvez porque seja estraga prazer para todos aqueles que estão destacando o “multiculturalismo” da seleção vencedora da Copa, cujo time é quase todo formado por africanos. Ainda assim, as cenas que ocorreram em Paris após a vitória da França na Rússia são dignas de um Rio de Janeiro:

Horas após o bicampeonato francês na Copa do Mundo, a capital Paris viveu cenas de violência e depredação neste domingo (15). Segundo relatos da imprensa local, houve saque e depredação de lojas, o que provocou correria na avenida Champs Élysées.

Segundo informações da agência de notícias AFP, um dos casos mais graves envolveu cerca de 30 jovens, que invadiram um complexo comercial para saquear garrafas de bebida alcoólica. Eles foram dispersados pelo gás lacrimogêneo lançado pela polícia.

Cerca de 4 mil oficiais de segurança foram mobilizados em Paris neste domingo. Um longo perímetro foi estabelecido em áreas de maior fluxo, para proibir o tráfego de automóveis até as 4h de segunda-feira no horário local (23h de Brasília). 

A imensa maioria dos jornais decidiu manter a notícia na sessão de esportes, e não há menção em suas homepages. É como se não fosse relevante mostrar a confusão e violência na capital do país que levou a taça e que teve justamente sua mistura com base em imigrantes destacada por quase todos os jornalistas. Vejam algumas cenas:

Não custa lembrar que a França virou palco de atentados terroristas islâmicos recentemente, como este numa casa de show em 2015, que matou mais de cem pessoas. Esse outro lado do “multiculturalismo” e da abertura das fronteiras para imigrantes, especialmente para muçulmanos, não foi ignorado nas redes sociais. Eis alguns comentários:

Então, porque os jornalistas acham que informar sobre esse caos na França poderia gerar uma reação “xenófoba” e alimentar a “extrema-direita”, optam pelo constrangedor silêncio? Jogam a notícia, que deveria ser capa de jornal, para o cantinho, como se não fosse do interesse do leitor entender como foi a “comemoração” no país vencedor, que cada vez mais se parece com um país de terceiro mundo por conta desse descontrole imigratório. Isso é pior do que Fake News: isso é Hidden News!

Aí vem o Brexit e os mesmos jornalistas ficam perplexos, sem compreender nada, e atacam os “alienados” mais pobres “ressentidos” com a globalização. Aí uma Marine Le Pen quase vence e os mesmos jornalistas caem em desespero com a quantidade de “idiotas” que votam. Sem a devida informação, como vão querer fazer análise? Resta só a torcida mesmo. Mas os jornalistas acham que jogando para baixo do tapete o outro lado do “multiculturalismo” ele vai automaticamente desaparecer?

E o pior é que falei de outro lado do “multiculturalismo”, mas sequer faz sentido atribuir a vitória francesa a esta mistura étnica, como querem os jornalistas. Alexandre Borges e Guilherme Macalossi apontaram o absurdo dessa “lógica”:

O fato lamentável é que a França em particular e a Europa em geral vêm sendo destruídas, e isso se deve muito a essa política acovardada e “progressista” de “liberar geral” em suas fronteiras, de permitir a entrada de milhões de imigrantes sem qualquer respeito pela cultural ocidental que os recebe, e ainda casar isso com um modelo de “welfare state” que sustenta esses imigrantes com o trabalho alheio.

Será que vale um título de Copa do Mundo, que nem depende mesmo dessa política, se o preço for transformar Paris num Rio de Janeiro europeu? Pode ser charmoso para turistas, mas será que tem sido bom para os moradores locais? Pode aplacar a culpa da elite por conta do passado colonialista, mas é a medida correta no presente?

Temos uma décadance avec élégance, mas ainda assim decadente. E todos os jornalistas engajados, politicamente corretos e militantes ideológicos terão de engolir seu desejo de gritar: a festa foi linda! Não foi, e temos as redes sociais para saber da verdade…

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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