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Basta falar em conservadorismo no Brasil para se pensar em fascismo, ou em reacionários espancando mulheres, gays. É uma visão tosca, ridícula, ignorante ao extremo. E por que temos isso? Justamente porque a própria Academia usurpou dos alunos e do público em geral a boa bibliografia sobre o assunto, ocultou os pensadores conservadores nas aulas, na imprensa, e deliberadamente adulterou o conceito dessa postura filosófica e política, com o intuito de vender socialismo como a única alternativa decente.

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O filósofo Luiz Felipe Pondé luta contra esse atraso de dentro da Academia, e por isso merece respeito. Talvez como tática de discurso, vem se aproximando de pessoas que, no fundo, são autores de autoajuda que acabam chamados de filósofos nesse circo que é o Brasil. Mas entre uma ou outra escorregada, Pondé consegue fazer valer a lógica, a história e o bom senso em meio a essas armadilhas e cascas de banana jogadas pelos “intelectuais”. Como nesse caso aqui:

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A definição de Oakeshott é perfeita: existem aqueles que são céticos em política (conservadores), e aqueles que tornam a política num ato de fé (os “progressistas” utópicos), substituindo as religiões tradicionais pela ideologia. Mas quem já ouviu falar em Oakeshott em nossas universidades? Sobra Marx, Foucault, Marcuse, até o palhaço do Zizek. Mas Oakeshott, Roger Scruton, Russell Kirk? Esses o aluno nunca vai ouvir falar.

E se depender de “pensadores” como Sergio Cortella e Leandro Karnal, vão todos continuar com os conceitos caricatos de conservadorismo, sem compreender nada de nada. É muito triste e revoltante isso que a esquerda faz, ao avacalhar o debate como estratégia política. É desleal com os jovens, é desumano. E é por isso que a turma que vota em Freixo e no PSOL acha que conservadorismo é a Igreja Universal e Crivella. É muita ignorância, muita alienação!

Li nesses dias o novo livro de aforismos de Nicholas Nassim Taleb, autor de Fooled by Randomness Cisne Negro, que também recomendo. O livro captura em frases impactantes sua visão de mundo, sobre o poder do que desconhecemos, o incerto, o incognoscível. Mentes obtusas querem encaixar a realidade em suas teorias simplistas, querem submeter o mundo complexo às suas simplificações grotescas.

O livro tem no título Procusto, personagem da mitologia grega que vivia na serra de Elêusis e tinha uma cama de ferro, que tinha seu exato tamanho, para a qual convidava todos os viajantes a se deitarem. Se os hóspedes fossem demasiados altos, ele amputava o excesso de comprimento para ajustá-los à cama, e os que tinham pequena estatura eram esticados até atingirem o comprimento suficiente.

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Uma vítima nunca se ajustava exatamente ao tamanho da cama porque Procusto, secretamente, tinha duas camas de tamanhos diferentes. Continuou seu reinado de terror até que foi capturado pelo herói ateniense Teseu que, em sua última aventura, prendeu Procusto em sua própria cama e cortou-lhe a cabeça e os pés, aplicando-lhe o mesmo suplício que infligia aos seus hóspedes.

A metáfora é perfeita para esse tipo de mentalidade que quer forçar o mundo real a se encaixar em sua teoria, o “filósofo de gabinete” a que Burke se referia, citado por Pondé. É contra esse tipo de gente que o conservadorismo se rebela. E você jamais ficaria sabendo disso se dependesse do seu professor, não é mesmo?

Rodrigo Constantino