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O deputado Lindomar Garçon (PRB-RO) apresentou à Câmara dos Deputados um projeto de lei que visa proteger os postos de trabalho dos empregados da Eletrobras em caso de privatização da estatal, informou a Agência Câmara de Notícias nesta quinta-feira (27).

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Conforme o projeto, os empregados da Eletrobras, inclusive os em estágio probatório à época da venda, poderiam ser lotados em outras empresas públicas, na esfera do governo federal, em sociedades de economia mista ou ter a opção de permanecer nos quadros da empresa compradora, mantendo os direitos adquiridos.

Os planos de privatização da Eletrobras foram anunciadas ainda em 2017, mas o tema foi praticamente arquivado neste ano. Mas a expectativa é que o assunto tenha andamento no governo de Jair Bolsonaro, cujo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, defende uma agenda mais liberal.

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Segundo Garçon, sua proposta impedirá que um número significativo de trabalhadores fique sem emprego por uma decisão do governo.

É mole? Pela brilhante lógica do deputado, por que parar aí? Nenhuma demissão deve ser tolerada! Vamos apenas remanejar os cargos, não importando a produtividade. Os fabricantes de lampião estariam empregados até hoje, em qualquer função, só para não perderem seus empregos…

No Brasil predomina a cultura do emprego, não do trabalho. A maioria quer um cargo, de preferência com estabilidade e sem cobrança de resultados. Por isso o setor público foi inchando, inchando, inchando, enquanto os serviços vão piorando, piorando, piorando…

Não há qualquer necessidade de ser eficiente. As estatais, que cresceram muito em quantidade durante a era petista, viraram apenas isso mesmo: cabides de emprego. E o deputado sequer tenta esconder a realidade triste. Se não haverá mais tantos cargos disponíveis nas estatais, após privatizações, então vamos criar uma lei obrigando que essa turma seja realocada.

O importante é não perderem o emprego! Não importa se terão ou não trabalho, um que seja demandado pela sociedade de fato. Vamos encostando os companheiros em cargos públicos, e claro, cobrando seus votos depois, nas próximas eleições: “Olá, eu sou aquele camarada legal que apresentou aquela lei para proteger o emprego de vocês”.

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É uma piada de mau gosto. Se a Eletrobrás puder demitir boa parte de seu quadro de pessoal, isso é porque essa gente não era essencial para o funcionamento da empresa. Terão, portanto, que buscar trabalho no livre mercado, como fazemos todos nós, reles mortais, os otários que pagamos a conta dessa farra toda.

Rodrigo Constantino