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Rodrigo Constantino

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A dura vida de um torcedor fanático de política

Confesso ao leitor: não invejo a vida de um bajulador de político. O sujeito precisa torcer para o seu “time” de uma forma cega, incapaz de enxergar qualquer defeito, acusando o juiz de ladrão o tempo todo para não falar daquele gol ilegal, da falta cometida pelo zagueiro, do impedimento evidente do centroavante. Tudo deve ser filtrado pela lente do partidarismo, e danem-se as incoerências: o que importa é vencer o jogo, mais nada.

Há o torcedor fanático, e há aquele que tem interesses mais diretos, pois seu futuro depende do sucesso do time. Quando o torcedor consegue um cargo no time, nem que seja como o chefe de torcida, aí mesmo é que nunca mais fará uma análise independente. Saindo do futebol para a política, vemos muitos agindo exatamente assim.

E é uma vida dura. Imagine que o presidente vai certamente oscilar em suas declarações e atitudes, cometer contradições, pois é parte do jogo. Ele vai detonar a “velha política” e o Congresso, por exemplo, para depois perceber que precisa fazer política e conquistar o apoio dos deputados e senadores. Aí vai em cadeia nacional tecer elogios diretos aos parlamentares e ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o mesmo que minutos antes era demonizado pela militância. Duro…

Se ele anunciar que pretende privatizar várias estatais, mas depois resolver manter a maioria, até mesmo uma inútil TV Brasil, lá estará o torcedor “justificando” que é fundamental ter uma televisão estatal para combater a doutrinação esquerdista. Se um sobrinho, bem próximo do filho Carlos, consegue um cargo de confiança no Senado, ganhando mais de R$ 20 mil, o torcedor terá de se contorcer todo para explicar que cargos de confiança demandam nepotismo (mas só agora).

Quando o vice-presidente, escolhido pelo próprio presidente, passa a ser detonado pelos filhos e pelo guru, o torcedor tem que deixar claro que votou só no presidente, jamais no vice, que deve ser decorativo e ficar caladinho, sem direito a ter qualquer opinião. Mas antes, claro, ele lembrava aos petistas que quem votou em Temer foram eles, ao elegerem uma chapa.

Enfim, essa vida de torcedor é muito complicada. O cara tem que deixar a consciência em casa para conseguir trabalhar. E deve enxergar inimigos por todo lado. Somos todos comunistas! Hoje tivemos mais um engrossando a fila:

No stalinismo, os velhos aliados eram apagados das fotos e transformados em traidores. O mesmo está acontecendo com o bolsonarismo. Todo crítico vira traidor. Todo analista independente vira comunista. E tudo que vem da imprensa é fake news, mesmo quando são notícias objetivas, fatos incômodos, como esse cargo que o primo do Carlos conseguiu no Senado.

Torcedores enxergam apenas quem está totalmente com eles ou quem torce contra. Não há meio termo. Não há isenção possível. Deve ser muito cansativo…

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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