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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso avaliou, a dois interlocutores, que Michel Temer não conseguirá se manter no Palácio do Planalto até o final de seu mandato. Diante desse cenário, defendeu que tem de ser realizada uma sucessão controlada, em que haja um grande acordo entre todas as forças políticas para chegar a 2018. O tucano não ficou apenas nas palavras e, no sábado (20), ligou para o ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim para dar início a essa articulação.

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Fernando Henrique procurou Jobim, que comandou a Justiça no seu governo e a Defesa nos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, para fazer a ponte com o PT. A tese do ex-presidente é que em 2018 todos poderão se enfrentar na eleição, mas que agora o momento é de união.

Por outro lado, Fernando Henrique afirmou a pessoas próximas que o PSDB não pode “trair” Temer. O ex-presidente ligou para o peemedebista no sábado e, segundo integrantes do Palácio do Planalto, o aconselhou a “resistir” e a “ficar firme”, em meio à crise que se avoluma. Na quinta, o tucano havia publicado um texto em suas redes sociais argumentando que, caso as alegações da defesa dos implicados na delação da JBS não fossem convincentes, eles “terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia”.

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O principal temor do ex-presidente é uma saída aventureira ou casuística que aprofunde a crise no país. Por isso, a ideia é começar a negociar desde já para, caso se confirme o prognóstico e Temer caia, a sucessão seja realizada de maneira “controlada”.

Então quer dizer que FHC ainda não cansou de ajudar o PT? Quer dizer que não basta ser “advogado de defesa” de Lula, que é preciso também falar em “diálogo” com a turma que quer destruir de vez nossa democracia? E tudo isso seria medo de Bolsonaro, de Doria mesmo? O establishment esquerdista anda tão apavorado assim?

Pois bem: vejamos o tipo de gente que FHC considera indispensável para uma “transição controlada”. Um meme que circula pela internet expõe a hipocrisia, a canalhice, a vigarice dessa extrema-esquerda, que foi algo de excelente editorial da Gazeta do Povo hoje:

Eis um trecho do editorial:

Se agora impeachment é a democracia em ação, se delação premiada é ferramenta importante de investigação e se gravar presidentes é coisa boa e meritória, que os defensores de Lula e Dilma que hoje pedem “fora, Temer!” (e, sim, há razões fundamentadas para pedir a saída do presidente) digam se, no passado, estiveram enganados a respeito de todos esses assuntos quando chamavam impeachment de golpe, delação de tortura, e gravação de abuso de autoridade. Das duas uma: ou mostrarão coerência ou mostrarão que avaliam ações e decisões não pelo que elas são em si, mas unicamente pelos personagens envolvidos, se são dos “nossos”, aos quais tudo se permite, ou dos “deles”, aos quais se reserva o porrete da lei. As pessoas costumam chamar isso de “hipocrisia”.

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Mas sabemos que esperar coerência de petistas é como esperar que elefantes voadores escrevam a Ilíada: é pura perda de tempo. Essa turma não quer pensar, não tem apreço pela lógica, pela ética, pois só lhe interessa o poder, nada mais. E são tão analfabetos que sequer sabem que se lê, ao menos em português, na horizontal, aí acabam pregando o oposto do que querem só por burrice mesmo:

“Fora Diretas”, “Temer Já!”, diz a pichação do ignorante. É humor involuntário. Só não morremos de rir porque sabemos que são marginais perigosos, para quem destruir propriedade alheia é o menor dos crimes. Felipe Moura Brasil resumiu bem a postura incoerente dos petistas diante das delações do dono da JBS:

Diante disso tudo, pergunto: é com essa patota que FHC considera fundamental manter um “diálogo” para evitar aventuras e obter uma “transição controlada”? O único “diálogo” aceitável é entre Lula e a Justiça, como já disse aqui. Até quando FHC vai bancar o advogado do PT? Até quando o ex-presidente vai fingir que é possível manter uma conversa civilizada e construtiva com essa gente?

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Rodrigo Constantino