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Rodrigo Constantino

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É inútil ficar discutindo se o nazismo foi de direita ou de esquerda

Por João Luiz Mauad, publicado pelo Instituto Liberal

A primeira lição da boa dialética é a definição dos conceitos. Eu não gosto do dualismo esquerda x direita. São conceitos muito amplos e fluidos que, dependendo da definição que você dê a eles, podem abarcar qualquer coisa. Em política, sempre preferi separar o joio do trigo pensando em termos de individualismo x coletivismo, liberdade x coerção, democracia x totalitarismo.

Dependendo da definição que você der aos conceitos de ‘direita’ e ‘esquerda’, o nazismo irá aconchegar-se num ou n’outro lado.

Hitler, em entrevista famosa ao inglês The Guardian, bem antes da 2ª Guerra, disse o seguinte:

“O socialismo é uma antiga instituição ariana, germânica. Nossos ancestrais alemães mantinham certas terras em comum. Eles cultivavam a ideia do bem comum. O marxismo não tem o direito de se disfarçar de socialismo. O socialismo, ao contrário do marxismo, não repudia a propriedade privada. Ao contrário do marxismo, não envolve negação da personalidade e é patriótico.”

Hitler era, portanto, socialista e coletivista, embora odiasse Marx (provavelmente porque este era judeu) e os marxistas e fosse um ferrenho anticomunista. O nazismo manteve o capital em mãos privadas, mas o nível de intervencionismo na economia era altíssimo. O coletivismo nazista era focado nas ideias de raça e de nação, não de classe, como o comunismo.

Para mim, socialismo, como descrito por Hitler na passagem acima, é um conceito de esquerda, não de direita. Mas posso concordar também com aqueles que veem o nazismo como um tipo de coletivismo nacionalista e, portanto, de direita.

Por tudo isso, é inútil ficar discutindo se o nazismo foi de direita ou de esquerda. O que é extremamente necessário, sempre, é relembrar as muitas semelhanças entre os dois coletivismos assassinos do Século XX (comunismo e nazismo), porque ambos impuseram a tirania, o pensamento unificado, privilegiaram os fins em relação aos meios e deixaram como herança uma montanha de cadáveres.

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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