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É momento de luto, não de politizar uma tragédia como a do time Chapecoense
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Acordo com a trágica notícia da queda do avião que levava o time de Chapecoense e jornalistas. Que tristeza! Por acaso vi vários desses jogadores no fim de semana, pois estavam hospedados no mesmo hotel que nós da Rede Liberdade em São Paulo. Muito jovens. Com um futuro promissor à frente. Cheios de energia, de sonhos. Dia de luto. E só podemos desejar força a seus familiares e amigos.

Esse foi o breve comentário que escrevi em minha página do Facebook mais cedo. E depois fui refletir sobre a vida, sobre sua brevidade e instabilidade, na dor que essas famílias devem estar sentindo, em como momentos de intensa felicidade podem mudar repentinamente para momentos de enorme tristeza. Do melhor sonho de ser campeão ao pior pesadelo em questões de minutos, segundos.

Mas considero muito triste ver certas reações, de gente que tenta logo politizar tragédias, encaixá-las automaticamente em sua visão limitada de mundo, do “nós contra eles” tribal. São mentes binárias. Não é hora de fazer isso! Não é o momento de deixar sua agenda política falar mais alto do que seu lado HUMANO! Aviões caem eventualmente, por vários motivos: falhas humanas, condições do tempo, pane etc. Isso acontece em todo lugar. Claro que investigações vão procurar as razões da queda e eventualmente encontrar culpados, se houver, mas isso deve ficar para depois.

Sabemos que o ser humano é individualista, e até por questão de sobrevivência, vai seguir com sua vida, apesar da empatia que possa sentir por essas vítimas. O realismo em relação a esta tendência individualista dos homens já está presente em Teoria dos Sentimentos Morais, de Adam Smith, que foi publicada em 1759. Nela, Smith supõe um terremoto que devasta a longínqua China, e imagina como um humanitário europeu, sem qualquer ligação com aquela parte do mundo, seria afetado ao receber a notícia dessa terrível calamidade.

Antes de tudo, ele iria expressar intensamente sua tristeza pela desgraça de todos esses infelizes. Faria “reflexões melancólicas sobre a precariedade da vida humana e a vacuidade de todos os labores humanos, que num instante puderam ser aniquilados”. Mas quando toda essa bela filosofia tivesse acabado, “continuaria seus negócios ou seu prazer, teria seu repouso ou sua diversão, com o mesmo relaxamento e tranqüilidade que teria se tal acidente não tivesse ocorrido”.

Em contrapartida, o mais frívolo desastre que se abatesse sobre ele causaria uma perturbação mais real. Uma simples dor de dente poderia lhe incomodar de verdade mais que a ruína de centenas de milhares de pessoas distantes. Não adianta sonhar com um homem diferente, mas irreal. Isso não quer dizer, naturalmente, que o choque com essas desgraças sejam irrelevantes ou simulados. Não são, e quanto mais próximo, maior costuma ser a dor, a projeção de que poderia ser com a gente.

Vamos todos seguir com nossas vidas, óbvio. Mas que seja após alguma reflexão e sentimento de solidariedade a todas as vítimas envolvidas, assim como seus familiares e amigos mais próximos. O luto é exatamente isso: um momento de respeito aos que morreram, de empatia, de dor compartilhada, aquilo que nos torna humanos. E eis aqui uma bela homenagem feita a esses atletas:

Aos que tentaram logo politizar a tragédia, meu mais profundo desprezo. E alguns comentários pertinentes, para reflexão:

Francisco Razzo: “Luto, silêncio e vigília. Politizar tragédias é coisa de gente cretina e asquerosa”.

Gustavo Nogy: “O tristíssimo acidente com o avião que transportava a delegação da Chapecoense é algo que se lamenta, e apenas se lamenta. Qualquer consideração acerca de causas ideológicas revela níveis preocupantes de sociopatia. Há quem esteja dizendo que a culpa do acidente é do ‘bolivarianismo’ e do ‘Estado’, como se aviões não caíssem em países liberais. A verdade é que a vida é um sopro. Memento mori. (Excluirei todos os que porventura escreverem desatinos tais, sem discussão. De insanidades, bastam as minhas.)”

Fernando Fernandes: “Politizar um acidente de avião com dezenas de mortes é demais pra mim. Não há um mínimo de bom senso”.

Estão certos. O uso oportunista que o site Catraca Livre fez da tragédia, por exemplo, demonstra falta de sensibilidade, para dizer o mínimo. Sejamos melhores do que isso! Sejamos mais… humanos! E que as famílias e amigos desses jogadores e jornalistas possam superar a dor.

Rodrigo Constantino

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