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O Escola Sem Partido é um projeto fundamental ao país, justamente porque sabemos como a esquerda vem usando, há décadas, a doutrinação nas escolas e universidades para sua revolução cultural inspirada em Gramsci. Expor essa covardia com os alunos, o aparelhamento das entidades e do conteúdo ensinado, e como as salas de aula viraram palcos para todo tipo de campanha partidária é, portanto, uma missão crucial na luta pela liberdade.

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Mas se 99,9% dos casos envolvem doutrinação socialista, isso não quer dizer que os defensores de um ensino objetivo e imparcial, que coloque o indivíduo no centro como alguém que deve aprender, acima de tudo, a pensar por conta própria tendo acesso aos diferentes e contraditórios pontos de vista, farão vista grossa aos raríssimos casos em que a doutrinação vem da direita. Foi o que aconteceu no caso divulgado nessa notícia:

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Diante de dois policiais militares, nove filas de alunos do terceiro ano de uma escola estadual em Manaus repetem em coro, com as mãos para trás, o que um dos policiais grita: “Convidamos Bolsonaro, salvação dessa nação/ Nos quatro cantos ouvirão completa nossa canção”.

A cena consta de vídeo gravado no Colégio Waldocke Fricke de Lyra, uma das oito escolas administradas pela PM por meio de um acordo com a Secretaria de Educação do Amazonas.

Ao final, uma aluna em traje militar, dirigindo-se ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSC-RJ), diz: “Gostaríamos que o senhor pudesse nos honrar com a sua presença em nossa formatura militar”. Outra aluna completa: “Nosso convite deve-se a sua trajetória ética e o seu compromisso com a educação”.

O vídeo foi distribuído nas redes sociais por Bolsonaro na sexta-feira (4). Ele diz que se trata de um convite “irrecusável”: “Um exemplo de ensino que deveria ser adotado em todas as escolas públicas do Brasil”.

A iniciativa foi classificada de “doutrinação nazifascista de crianças e adolescentes” pelo presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, Glen Wilde Freitas. “É igual ao que se fazia nas escolas alemãs dos anos 1930.”

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A acusação de nazifascismo pode ser exagerada, uma armadilha que os socialistas usam para atacar tudo aquilo que não é socialismo. Mas as imagens remetem a um coletivismo autoritário inaceitável para um liberal. Fosse apenas um convite para o deputado, tudo bem. Ainda que qualquer mistura de escola com política e partido seja preocupante, os alunos podem ter suas inspirações e suas referências. Ainda assim, como os seguidores de Bolsonaro reagiriam se alunos convidassem Lula para receber uma premiação?

Agora, a cantoria em coro enaltecendo o político dentro do estabelecimento escolar, liderada por um policial que faz as vias de professor, isso é completamente absurdo! Se a mesma cena trocasse apenas o nome de Bolsonaro por o de algum esquerdista seria um escândalo para a turma mais fanática que idolatra o “mito”. Ou seja, não parecem incomodados com a idolatria política em si, mas apenas com os ídolos “errados”.

Já escrevi no blog elogios à gestão da polícia em algumas escolas, exatamente por reconhecer que falta disciplina hoje, que o pêndulo extrapolou para o lado esquerdista, com modelos calcados na década de 1960 com viés anárquico. Os alunos aprenderam a ser rebeldes, desrespeitosos, ofensivos e ousados, e isso tem inviabilizado o bom ensino. Não me importa tanto uma gestão mais rigorosa militar, ainda que não seja o ideal colocar policiais para cuidarem de escolas.

Mas me incomoda bastante se tais policiais fizerem uso político dessa situação, enaltecendo um candidato, um deputado, alguém que pretende ser presidente. Não vejo muita diferença entre isso e o que faz o PSOL, distribuindo panfletos para pedir voto ou convocar militância para manifestações partidárias. A doutrinação é errada em todos os casos, a mistura entre política e ensino deve ser sempre criticada, a perda da busca pela imparcialidade é a morte da boa educação. Danilo Gentili também condenou o ocorrido, cobrando coerência da direita:

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É preciso respeitar os alunos, os jovens, e transmitir a eles conhecimento objetivo, apresentar-lhes os vários pontos de vista e ensiná-los a pensar por conta própria, sem idolatria a político algum, sem gurus ou “mitos” salvadores da Pátria, sem gritos de guerra ou coro partidário. Não é o que se espera de uma boa escola. Disciplina é louvável, e até um grau de patriotismo incutido pela escola parece aceitável.

Mas daí a berrar em conjunto que um político é a “salvação da nação” vai uma longa distância, que separa o conservadorismo do fanatismo fascista mesmo. Se os seguidores de Bolsonaro estão cansados de vê-lo sendo comparado por socialistas a Hitler e Mussolini, que eram defensores de uma enorme concentração de poder no estado e antiliberais (assim como os próprios socialistas), então é preciso não agir como eles. Essas cenas são vergonhosas, não encantadoras ou motivo de orgulho.

Rodrigo Constantino