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Rodrigo Constantino

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Escolha de filho de Mourão para assessoria do BB gera péssima repercussão na direita

“Meu filho é qualificado e o resto é fofoca”, teria dito o vice-presidente Mourão a respeito da escolha de seu filho como assessor no Banco do Brasil, triplicando o salário da noite para o dia. Se a direita fosse como a esquerda, todos estariam dando um jeito de defender essa “promoção”, de justificar a decisão e a fala do vice-presidente.

É fato que muitos estão fazendo exatamente isso, mas são, felizmente, minoria. São os “bolsominions”, para quem o governo Bolsonaro precisa estar sempre certo. Os petistas com sinal trocado. Já os demais, que formam a maioria, condenaram em peso a decisão, comprovando que um abismo moral intransponível existe entre esquerda e direita. Seguem algumas reações, além da minha mesmo, já publicada aqui:

A nomeação do filho do Mourão é um erro político. Acredito na qualificação do profissional, mas presidência e a vice presidência exigem sacrifícios, inclusive de familiares. A mensagem transmitida é a da promoção do filho de um poderoso, por mais que o filho tenha seu brilho. Ainda sobre a nomeação do filho do Mourão, alguns fãs do vice presidente não entenderam o que escrevi. Eu não disse que era crime, eu disse que era um erro político. POLÍTICO. Por favor, releiam. No mais, reitero o meu respeito pelo general Mourão. – Paulo Eduardo Martins

Filho de Mourão recebeu promoção no Banco do Brasil, por ordem do seu novo presidente. Ele tem 19 anos de carreira no banco, mas o timing da promoção gera suspeita sobre influência política. Se o Banco já estivesse privatizado, essa possibilidade não existiria. Privatiza! – Leandro Ruschel

Rossell Mourão é funcionário de carreira do Banco do Brasil, mas essa promoção súbita, bem quando seu pai desempenha a função de vice-presidente, é absolutamente inadequada. – Guilherme Macalossi

Filho de Vice-Presidente nomeado pra cargo público com salário de 37 mil? Essa não é a “Nova Era”. Essa é a “Era Sarney”. – Danilo Gentili

Filho de Mourão foi promovido para assessor especial do presidente do Banco do Brasil. Tudo bem que ele já era concursado há 18 anos, mas ficou óbvio o chamado “favoritismo” nessa promoção relâmpago que elevou seu salário de R$12 mil para mais de R$37 mil. Depois me perguntam porquê quero a privatização de todas as estatais. PORQUE POLÍTICO FAZ POLITIQUICE! Não importa qual seja o governo, liberais como eu defendem que o Estado tenha o menor número possível de intervenções, além de não ter a menor necessidade em ter empresas (no máximo, fiscalizar). A velha política não pode assombrar o novo governo e nós não podemos ser indiferentes. – Renata Barreto

Não convém gerar ascensão de familiares através de CCs e FGs. Isso tira as condições morais de defesa do novo governo. Tá ok? Aos poucos os grupos que elegeram o presidente vão se separando: bolsonaristas cegos e apoiadores críticos do governo. Mundo real. – Diego Casagrande

E isso é apenas uma pequena amostra. Rubem Novaes, porém, não se sentiu incomodado com as críticas, e defendeu sua decisão: “Mourão [o filho] é de minha absoluta confiança. Foi escolhido para minha assessoria e nela continuará, em função de sua competência. O que é de se estranhar é que não tenha, no passado, alcançado postos mais destacados no banco.”

Não entro no mérito da capacidade técnica do funcionário de carreira do BB, e tampouco acho justo compara-lo ao filho de Lula, que limpava cocô de elefante e se tornou milionário da noite para o dia com uma empresa de jogos vendida para a Oi, que “coincidentemente” tinha muitos interesses em mudanças na lei do setor que acabaram acontecendo. Mas aos que fazem essa comparação, escrevi o seguinte comentário:

“Mas Jack estripou várias pessoas, e eu só matei uma ou duas”, disse o assassino. Parem de comparar o atual governo com a máfia petista! Essa base de comparação é simplesmente tosca, abjeta. Bolsonaro não foi eleito para ser “melhor do que Lula”. Isso até um safado do PMDB consegue ser com folga. Se nossos padrões éticos forem esses, estamos lascados. Não aceito como argumento quem fala da quadrilha que estava no poder antes. Foi para isso que a derrotamos? Para celebrar que somos apenas melhores do que essa gentalha comuna?

A escolha do nome gera desconforto, suspeitas, e dá munição gratuita para os críticos oportunistas do atual governo. Se a postura da maior parte da direita fosse o conivente silêncio ou a cumplicidade escancarada, a fissura poderia se transformar em cratera. Felizmente, como podemos ver, vários dos formadores de opinião liberais e conservadores saíram em defesa dos princípios e condenaram a decisão.

Espero que Rubem Novaes volte atrás. Deve ter algum outro assessor tão qualificado quanto, e que não seja o filho do vice-presidente da República. Pegaria menos mal…

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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