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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Esquerda brasileira insiste em tentativa de usurpar o termo liberal, como ocorreu nos EUA

Se todos querem tirar uma casquinha do liberalismo, que está na moda, isso será verdade da esquerda à direita. Que Jair Bolsonaro vem se aproximando do liberalismo é fato inconteste, e basta citar Adolfo Sachsida e Paulo Guedes como prova, apesar de a família ainda ter que se esforçar muito para convencer de verdade nessa guinada, como expliquei em texto recente.

Mas a turma “progressista” também vem tentando se apropriar do termo liberal, e não é de hoje. A Folha de SP, o jornal mais esquerdista entre os grandes, há anos tenta criar uma divisão artificial no país entre liberais e conservadores, jogando para o colo dos primeiros agendas claramente de esquerda, como aborto ou desarmamento.

A turma faz “copy & paste” do que se passa nos Estados Unidos, onde a esquerda realmente usurpou o termo liberalismo dos liberais clássicos, e hoje o Partido Democrata, com socialistas como Obama, é tido como “liberal”. É como traduzir “push” como “puxar” em vez de empurrar: não faz sentido algum.

Mas incoerência nunca impediu a claque jornalística de disseminar suas taras ideológicas. E o esforço continua, com tudo. Hoje mesmo há uma reportagem no GLOBO sobre o Agora (e que presença na mídia tem esse pessoal, é um espanto!), na qual diz que se trata de uma união entre progressistas e liberais. Sei…

Que o leitor esteja certo de uma coisa: sempre que alguém como Soros se unir com um liberal, será este de quatro para o especulador bilionário que patrocina todas as causas socialistas mundo afora! Não existe outra alternativa para uma união além da submissão total do liberal ao esquerdista. Liberalismo, ao menos o clássico, não combina nada com globalismo disfarçado de “progressismo”.

“Sem intenção de virar um partido, o “Agora!” tem conversado com siglas como PPS, Rede e PSL/Livres para viabilizar suas candidaturas”, diz a matéria. Quem está disposto a sair candidato pelo PPS ou pela Rede não pode ser outra coisa além de socialista. E liberal que se preza jamais vai dar as mãos para socialistas. O Agora tem até gente que defendeu o governo petista. Precisa dizer mais alguma coisa?

O PSL/Livres tem uma pegada libertária, mas às vezes escorrega para o “liberteen”, que é uma esquerda que prioriza relativismo moral e libertinagem, mas que descobriu as vantagens das privatizações. Confundir concessões ao mercado com ser liberal de fato é um grande equívoco, e um que gera muita confusão.

“O princípio básico, quando a gente pensou quem ia chamar para o movimento, foi diversidade. Pensamos no que estava faltando no nosso país e no mundo: diálogo. O principal era convergência, pessoas que estavam prontas para ouvir e para trocar. As pessoas ali estão dispostas a avançar em políticas públicas baseadas em evidências e no resultado que se quer atingir, estão dispostas a chegar a consensos. Daquilo ali, só discorda quem for dogmático”, disse Ilona Szabó, diretora executiva do Instituto Igarapé e uma das vozes do Agora. Diversidade? Seriam 50 tons de vermelho? Só não pode dogmáticos? Mas Marina Silva pode?

Esse papo já cansou, mas continua sendo perigoso. É uma esquerda que aprendeu a se mascarar melhor, mas que mantém a mesma agenda, com foco no estado como indutor da “justiça social”, combatendo as “desigualdades”, e pregando legalização de drogas e aborto. Pode chamar do que quiser, mas se abana o rabo como um cachorro, late como um cachorro e morde como um cachorro, vou continuar chamando de cachorro.

A partir de dez prioridades, entre elas “reduzir drasticamente a desigualdade” e “garantir a todos os brasileiros educação de qualidade”, o “Agora!” promete apresentar uma agenda com propostas concretas para tornar o Brasil “um país mais humano, simples e sustentável”. Se isso não é uma forma mais bonitinha de vender esquerdismo, então não sei o que é!

O “Agora!”, diz o jornal, reúne pessoas de três campos: progressista, de centro e liberal. Um dos fundadores é Beto Vasconcelos, ex-chefe de gabinete da ex-presidente Dilma Rousseff e ex-subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil do ex-presidente Lula. Mas lembrem-se: só não pode dogmático! Defensor do Lula pode…

Como exemplo de que a convergência seria possível, membros do “Agora!” citam a reunião em que Beto Vasconcelos e o economista Humberto Laudares, que liderou o Onda Azul, movimento de renovação do PSDB, apresentaram juntos propostas para redução da desigualdade. Uau! Essa turma “imparcial” deve acreditar mesmo que o PSDB não é de esquerda!!! Quanta diversidade: tucanos e petistas unidos, contra os “dogmáticos”, ou seja, toda a direita!

A única faísca até o momento foi o ensaio de candidatura presidencial do apresentador de TV Luciano Huck, que faz parte do “Agora!”. Nem todos apoiavam as pretensões eleitorais do colega e ficaram incomodados com a suposta apropriação do movimento. O episódio provocou a saída do produtor cultural Alê Yousseff. Refrescando a memória: ele saiu porque achou Huck muito à direita do ideal do grupo! Huck, ícone do “progressismo” global, que certamente adere a todas as causas esquerdistas de Soros.

A força de movimentos como o Agora não está em apoio popular, pois isso eles não têm. Está na grana pesada de ricaços por trás, e na entrada na mídia. É uma notícia por dia em algum grande veículo de comunicação, como se eles efetivamente representassem milhões de brasileiros, e não alguns milionários que se encantaram com a agenda “progressista”, mas estão dispostos a ceder um pouco no discurso econômico para que o socialismo não fique muito escancarado.

Querem enganar os trouxas, tudo bem, mas não tentem enganar um liberal clássico de longa data como eu, por favor. Pra cima de moi não!

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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