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Rodrigo Constantino

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FHC não descarta aliança com PT contra Bolsonaro no segundo turno

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, 87, disse em entrevista ao repórter Matheus Meirelles da Jovem Pan que nunca fechou portas para nenhum tipo de relacionamento com partidos e que um apoio mútuo entre PSDB e PT pode ocorrer caso Bolsonaro passe para segundo turno. “Espero que o PSDB vá para o segundo turno e acho que o PT espera a mesma coisa, mas dependendo das circunstâncias, eu não teria nenhuma objeção a isso”.

Fernando Henrique disse também que a polarização entre os dois partidos é um caso antigo, mas que não a vê com bons olhos: “Eu acho bom mesmo é ter mais abertura, discutir, variar. Democracia é assim, eu não sou favorável a um estado de beligerância permanente”.

Sério: alguém ainda fica surpreso? O caso de amor entre FHC e Lula é antigo. O tucano sempre nutriu profundo carinho e admiração por aquele que vive detonando os tucanos. Sociólogo marxista, FHC é o típico intelectual que não resiste ao charme de um operário revolucionário.

Ainda ter gente que diz que o PSDB é um partido de direita é algo chocante, e mostra bem como nossa política foi mesmo dominada de forma hegemônica pela esquerda nas últimas décadas. Já cansei de mostrar aqui como o PSDB é um partido de esquerda, simpático ao socialismo, só que numa versão mais light. É o PT com perfume francês, com gravata Hermès, com diploma em Sorbonne.

Sim, é verdade que é preciso fazer uma distinção entre esquerda carnívora e herbívora, que a turma mais moderada acaba tendo maior respeito pelas regras do jogo democrático, pelo próprio mercado. É inegável que o PT foi muito pior no poder, e seu DNA totalitário se fez presente com uma força assustadora, o que não se vê no caso dos tucanos.

Mas também é inegável que, na hora do “vamos ver”, o PSDB mostra sua real face vermelha, e prefere até mesmo a quadrilha petista em vez de Bolsonaro ou da “onda conservadora”, que apavora o octogenário “progressista” militante da legalização da maconha. Entre Paulo Guedes e Guido Mantega, FHC nem pestaneja: fecha com o PT no ato!

Leandro Ruschel ironizou: “Se espremer um pouco o FHC, ele confessa que apoiaria Lula contra Bolsonaro no segundo turno”. Alguém duvida? FHC já deu todos os sinais de que lamenta profundamente o destino de Lula. Ruschel acrescentou: “PT e PSDB são partidos socialistas, concordam nos fins, divergindo apenas nos meios para implementar completamente o regime socialista. Pouca gente lembra que o PSDB é apenas um spin-off do MDB, igualmente socialista. Não é surpresa FHC falar em aliança com o PT agora”.

Quando Lula poderia e deveria sofrer impeachment em 2005, após estourar o escândalo do mensalão, lá estava FHC atuando na defesa do marginal. A admiração que muitos sentiam pelo ex-presidente tucano é do tipo falta de alternativa: se ele era o único obstáculo no caminho do PT ao seu projeto totalitário de poder, então como não ficar aliviado com o refinamento do intelectual de esquerda?

Daí a achar que FHC é mesmo alguém que merece muito respeito vai uma longa distância. Ele é o responsável por conquistas importantes sim, sem dúvida, mas também é o culpado por várias medidas terríveis, de cunho paternalista ou coletivista, que ajudaram na degradação dos nossos valores e no esgarçamento do tecido social em nosso país.

Que ele prefira se unir aos bandoleiros comunistas do PT, “partido” que defende abertamente o regime venezuelano, só para impedir uma eventual vitória de Bolsonaro com Paulo Guedes, é apenas a coroação de uma longa militância esquerdista. Não há incoerência alguma aqui. Incoerente é quem ainda repete que o PSDB é um partido de direita…

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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