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Falta pouco, muito pouco para o Brasil se ver livre de Dilma de uma vez por todas. Mas dar um chute no traseiro de Dilma não é o ponto de chegada, e sim o de largada. Ou, por outra: apear o PT do poder é um primeiro passo importante, mas derrotar o partido não é o mesmo que derrotar o petismo, ou seja, o que ele representa. Isso tem que ficar bem claro, caso contrário o país ficará negligente, achando que o pior já passou e que agora, automaticamente, virá um futuro radiante. Nada mais falso (e perigoso).

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A máfia petista sabe que essa batalha do impeachment está perdida. Mas insiste na luta, a ponto de transformar a sessão ontem no Senado num ringue de guerra, numa baixaria total. Por quê? Ora, responder a isso é entender que o jogo está longe do fim, que nem começou direito, na verdade. O PT pensa na narrativa que será usada daqui para frente, para continuar seduzindo os imbecis que costumam votar na esquerda. Merval Pereira comenta isso em sua coluna hoje, após descrever os tumultos dos senadores nesta quinta:

Nada disso tem importância, porém, no resultado final, pois já existe uma sólida maioria a favor do impeachment, e restam agora senadores que buscam valorizar seus votos em busca de favores de última hora. A situação perderá, porém, se não tomar cuidado com o interrogatório da presidente afastada Dilma Rousseff.

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Se o clima permanecer nesse nível de tensão, poderemos ter um gran finale para o documentário que está sendo rodado por apoiadores do PT. Sem votos para manter a presidência, a diminuta base de apoio do governo afastado trabalha com o objetivo de prolongar ao máximo o julgamento, e produzir cenas de resistência heróica, em busca da tal narrativa que permita a seus candidatos não esconder a estrela vermelha, como vinha fazendo, por exemplo, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad.

Haddad teve que voltar atrás sob pressão do partido e estampou a estrela vermelha em sua campanha, o símbolo do cinismo, da roubalheira, do autoritarismo e da incompetência. Mas muitos estão achando que basta afastar a estrela vermelha que tudo ficará bem. Não entendem o que se passa em nosso país. Leandro Ruschel resumiu bem em sua página do Facebook o que está em jogo:

Eu sei que seria um caos, provavelmente o Brasil quebraria, o sofrimento seria gigantesco para quase todo mundo, mas tem uma parte de mim que gostaria de ver a Dilma de volta à presidência. Pelo menos assim as pessoas sairiam desse estado de letargia, acreditando que a saída da inePTa é a solução para todos os nossos problemas. O impeachment deveria ser apenas o primeiro passo e não o último!

Cruzes! Toc toc toc, batam na madeira três vezes. Dilma não vai voltar, mas entendo o exercício de imaginação dele. Nem mesmo os que gritam “golpe” gostariam de ver Dilma de volta, pois no fundo sabem que o país começa a ensaiar alguma recuperação sem ela. É verdade que alguns não ligam a mínima para o caos, e ateariam fogo ao país para preservar suas boquinhas estatais. Mas os menos idiotas entre os canalhas sabem que, com Dilma, mesmo as tetas estatais secariam, como está acontecendo na Venezuela.

O professor Rogério Werneck, em coluna no GLOBO, resumiu o roteiro do desastre do Brasil sob Dilma, lembrando que Lula foi o maior responsável pela escolha, e conclui:

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Em longa entrevista publicada em 2013, Lula se permitiu um relato franco das dificuldades que enfrentou para convencer a cúpula do PT a lançar Dilma como candidata a presidente, em 2010. Vale a pena ler de novo: “Eu sei o que eu aguentei de amigos meus, amigos mesmo, não eram adversários, dizendo: Lula, mas não dá. Ela não tem experiência, ela não é do ramo. Lula, pelo amor de Deus” (ver em http://zip.net/bntrGq).

Passados seis anos, Lula parece, afinal, plenamente convencido de que seus amigos estavam cobertos de razão. Cometeu um erro trágico, com consequências devastadoras, que custarão ao país muitos anos de reconstrução.

Sem dúvida. Mas eis o que precisa ficar claro: essa reconstrução não é fruto “apenas” dos estragos causados pelo PT, por Lula e Dilma, e sim de toda uma cultura esquerdista que permitiu sua chegada ao poder e suas medidas catastróficas. É o resultado do petismo, algo mais abrangente do que Lula e Dilma. Mesmo Miriam Leitão atacou, de sua forma sempre cuidadosa, o verdadeiro inimigo em sua coluna hoje:

Os erros na condução do primeiro dia de julgamento não mudam o resultado, que deve dar 61 ou 62 votos a favor do afastamento definitivo da presidente Dilma. Mas os senadores do PT, do PC do B e da Rede mostraram mais uma vez, em cada intervenção, seu desprezo pelo ordenamento fiscal do país.

Exato. A Rede, que alimenta a esperança de tantos idiotas úteis, é claramente uma linha-auxiliar do PT, como é o PSOL. Mas basta dar uma olhada nas primeiras pesquisas para eleições municipais para ficar claro como estamos longe de nos livrarmos desses vermelhos. Repito: o maior problema não é o PT, Dilma, ou mesmo Lula, e sim o petismo, o esquerdismo, o socialismo, o nacional-desenvolvimentismo, a mentalidade anticapitalista, os “economistas” da Unicamp, o populismo, o sindicalismo mafioso, os “intelectuais” e artistas engajados etc.

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Vamos celebrar semana que vem o afastamento definitivo de Dilma. Temos esse direito. Lutamos por isso, e foi, sem dúvida, uma conquista importante. Desde que o brasileiro não relaxe agora, não pense que o pior passou e que tudo ficará bem, automaticamente. Não! Logo depois da festa, precisamos voltar ao trabalho pesado, pois cortamos apenas uma das cabeças da Hidra, que tem várias. Vem eleição municipal aí, e vários candidatos da mesma espécie dos petistas despontam com boas chances de vitória.

Não aprendemos nada? Vamos tirar o PT para colocar seus iguais? Brasileiro é otário?

Rodrigo Constantino