Blog / 

Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

Artigos

Joaquim Barbosa: o falso herói que é a esperança da esquerda “limpinha”

Ele foi indicado por Lula para o Supremo Tribunal Federal por conta da cor da pele. Esse foi o principal quesito que o levou ao STF. Quem revelou isso foi a coluna de Ancelmo Gois. Lula queria “alguém negro”, e um petista graúdo lembrou de Barbosa. O próprio ex-presidente já confessou que esse critério foi o mais relevante:

Uma vez lá, porém, o ministro não agiu exatamente como os petistas esperavam. Foi o algoz do mensalão. Virou herói nacional, e alvo dos mais nefastos ataques petistas e de seus blogs sujos. O racismo ficou evidente quando um desses sites chegou a colocar uma imagem de um macaco para atacar Barbosa. Gente suja, gente baixa, petistas.

Mas Barbosa se mostrou um falso herói. Alegou fortes dores nas costas para pular fora do barco nos momentos decisivos, quando tinha que mandar para o xadrez os marginais petistas. Desapareceu, sumiu do mapa, deve ter ido curtir seu apartamento em Miami. Surgia de tempos em tempos para algum comentário pontual, e mais nada.

Pelo visto, agora está de volta. E com toda pinta de candidato. A esquerda vibra. Não vamos esquecer que Barbosa é o sonho de Marina Silva para compor uma chapa. Ele tem todas as credenciais esquerdistas, inclusive tendo admitido que votou no PT. Deu uma entrevista ao Valor poupando Lula! Ricardo Noblat revela as condições para a entrevista e sua conclusão sobre o personagem:

No seu melhor estilo, a cara nova de Joaquim Barbosa, o algoz dos mensaleiros, debutou nas páginas do jornal Valor.

E que estreia! Por ela, a repórter Maria Cristina Fernandes foi obrigada a esperar seis meses. E a não fazer perguntas sobre três assuntos: Judiciário, Supremo Tribunal Federal e Operação Lava Jato.

Foi como “ir a Roma sem ver o Papa”, reconheceu ela. Embora o Papa negro e autoritário estivesse à sua frente dizendo unicamente o que desejava e imune a contestações. 

O ex-ministro não disse que é candidato. Mas falou como se fosse. Bateu duro em Temer e nos “políticos inescrupulosos” que reduziram “a frangalhos” as instituições do país.

Referiu-se ao impeachment de Dilma como algo patético. Criticou o parlamentarismo. E poupou Lula. Limitou-se a aconselhá-lo a usufruir da vida “e do dinheiro que ganhou com suas palestras”, não com outras coisas.

Enquanto o prefeito João Doria (PSDB-SP), para irritação do seu criador Geraldo “Hillary” Alckmin, perambula por aí como o executivo dinâmico e o anti-Lula por excelência, Barbosa veste o figurino de o candidato da reconciliação”, capaz de unir o que o PT separou.

Quem não o conheça bem que o compre.

Pois é. Quem detona Temer dessa forma, mas poupa o PT, só pode ser um inimigo do Brasil. Não que Temer seja o máximo, até porque foi eleito na chapa petista. Mas sim pela falta de perspectiva, por ignorar que foi o PT que destruiu não só nossa economia, como nossas instituições, tentando – e quase conseguindo – instaurar no país o regime venezuelano.

Barbosa dormia nessa época. Devia estar na praia de Miami, e não viu. Só viu o PMDB de Temer roubando, e acha que o impeachment, que salvou o Brasil do destino venezuelano, foi “patético”. Imagina se Dilma ainda estivesse no poder: o que seria de nosso país? O desemprego já estaria em 50 milhões!

Joaquim Barbosa é o falso herói nacional, aquele que não aguentou a pressão quando ela era mais necessária, e que volta depois com discursinho “conciliatório” que, no fundo, poupa os maiores algozes do povo brasileiro, seus “antigos” companheiros.

É o nome perfeito para compor uma chapa com Marina Silva mesmo. Afinal, ela também foi sempre petista, desaparece quando é para atacar essa quadrilha socialista, veste literalmente o boné do MST, e desperta suspiros de emoções na esquerda “limpinha”, aquela formada pela elite culpada que coloca a visão estética de mundo acima de qualquer princípio verdadeiro.

A narrativa é irresistível para essa turma: o negro que perseguiu corruptos e a “verde” que ama a natureza e os pobres. Quase tão sedutora quanto a do torneiro mecânico retirante nordestino que iria desafiar as elites poderosas e colocar o povo em primeiro lugar…

Rodrigo Constantino

8 recomendações para você

Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

Saiba Mais

Arquivos