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Rodrigo Constantino

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As melhores chances de Bolsonaro estão em Guedes e sua equipe

“É a economia, estúpido”, teria resumido um assessor de Bill Clinton. Os liberais, para não falar dos “liberais”, depositam um foco quase exclusivo na questão econômica, o que considero um grave erro. Temas culturais tendem a influenciar bastante o resultado das eleições também. Tenho alertado para esse erro dos liberais faz tempo. Mas não podemos cair no extremo oposto.

Ou seja, não podemos achar que a economia é desimportante. Ainda mais num país com 13 milhões de desempregados e muita miséria. O PT já tinha sido exposto por vários escândalos de corrupção, o mensalão é de 2005, e ainda assim a revolta popular contra o partido só ganhou força em 2015-2016, levando milhões para as ruas. É claro que a crise econômica ajudou, e muito.

Digo isso pois tem algumas pessoas achando que Bolsonaro venceu realmente por um grande despertar ideológico do povo brasileiro, como se todos os quase 58 milhões de eleitores tivessem lido Olavo de Carvalho, estudado o marxismo cultural e rejeitado, com embasamento, a hegemonia esquerdista. Adoraria crer nisso, mas é pura balela.

A vitória de Bolsonaro se deve a uma mistura de fatores, como sempre: o clima de insegurança nas ruas e o então deputado sendo um dos únicos a adotar discurso mais duro contra marginais; o cansaço com o petismo e o esgotamento de um modelo fracassado; uma parte que realmente acordou para a degradação de valores morais produzida pelos “progressistas”; a crise econômica.

Mas quantos, dos quase 58 milhões, realmente entendem o que está em jogo? E quantos deles poderiam votar, dependendo das circunstâncias, num Ciro Gomes da vida, ou mesmo em Lula novamente? Questionar isso é fundamental para que liberais e conservadores mantenham a humildade e a devida proporção de sua conquista. Ela é mais conjuntural do que estrutural, ou seja, a guerra cultural está longe de ter sido vencida.

E por que isso é tão importante? Justamente porque se a economia não melhorar logo, a esperança com o próximo governo vai se esvaindo à medida que a impaciência vai subindo. Bolsonaro tem uma janela de oportunidade para agir, até porque a parte da segurança leva muito tempo para mostrar resultado. O Brasil vai continuar um caos social, terreno de bandidos, por longos anos ainda.

Portanto, é na melhoria da economia, na recuperação dos empregos, na sensação de otimismo para com o futuro, que Bolsonaro tem sua principal arma. É desse sucesso que depende seu governo, inclusive para ganhar tempo para a guerra cultural, para começar a reverter a doutrinação marxista nas escolas e universidades, para limpar as instituições dos ratos vermelhos. O bom desempenho econômico dará o gás para a luta cultural.

É por isso que Bolsonaro precisa investir todo seu capital político para aprovar as reformas de Paulo Guedes e sua equipe logo no começo do seu mandato. É isso que vai permitir o retorno dos investimentos, o otimismo dos mercados, a recuperação econômica. E isso lhe dará o tempo necessário para as mudanças culturais, que levam mais tempo. A economia é a área que pode apresentar resultados mais rápidos.

Mesmo os conservadores que focam muito mais na guerra cultural do que na área econômica devem entender que necessitam do liberal Paulo Guedes para sua batalha. Se partirem para cima do inimigo vermelho no campo dos valores e ignorarem a parte econômica, boa parte da população logo vai cansar dessa guerra, especialmente se o pai continuar desempregado, se o tio seguir miserável, se ele mesmo não for capaz de chegar ao final do mês com as contas no azul.

Não é só a economia, estúpido. Mas ela é, sim, muito importante.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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