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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Monopólio dos fins nobres, manifesto governista “espontâneo” e o “centrão” como tigre de papel

“A pessoa que concorda 80% do tempo com você é um amigo e aliado, não 20% traidor.” – Ronald Reagan

Essas tais “manifestações governistas”, que o presidente ajudou a convocar e depois chamou de “espontâneas”, racharam de vez a direita. Mesmo o partido do presidente está dividido. Os mais fanáticos dizem que não é racha, mas depuração, ou seja, “máscaras” estão caindo e a verdadeira direita permanece. Para eles, a verdadeira direita é aquela que casa de olhos vendados com Bolsonaro.

Todos os demais são traidores, covardes, tucanos enrustidos ou vendidos. Não passa pela cabecinha oca dessa gente que é possível desejar o melhor para o Brasil e ser contra o “protesto governista”, por vários motivos. É preciso apelar para o monopólio da virtude, dos fins nobres, como faz a esquerda, sem bons argumentos para defender suas bandeiras. Quem é contra os meios só pode ser contra os fins.

Um internauta apresentou uma boa enquete irônica sobre isso para os “minions”: Se quem pensa diferente de você é um traidor da pátria, na oportunidade que o Bolsonaro falar algo que você não concorde, ele também será, ou ele será automaticamente perdoado por toda merda que falar? As alternativas apresentadas são essas: também será traidor; ele pensa por mim; essa enquete é traidora; ele pode.

Enquanto isso, notícia da VEJA mostra até onde vai a mentalidade dessa turma:

Um grupo de deputados do PSL se reuniu na segunda-feira 20 com o presidente da sigla, Luciano Bivar (PE), para pedir que os protestos convocados para este domingo 26 fossem financiados com dinheiro do partido. A quantia seria usada para arcar com os custos do aluguel de trios elétricos e para a confecção de itens como bonecos, faixas e bandeiras.

Não foram discutidos valores na reunião. Bivar ficou tentado em ceder aos apelos dos parlamentares e chegou a estudar uma transferência de verba para diretórios estaduais, que, então, fariam os repasses aos organizadores dos atos. Ele abandonou a ideia após ser convencido por assessores de que a decisão provocaria mais um desgaste para a sigla em Brasília.

Embora tenha considerado o pedido dos deputados, Bivar desde o início se mostrou contrário à convocação dos protestos. Na terça-feira 21, parlamentares do partido se reuniram em um hotel de Brasília para decidir qual seria o posicionamento da legenda. Por decisão da maioria, a bancada foi liberada a ir aos atos, mas a sigla evitou declarar apoio institucional à convocação.

Deputados queriam usar dinheiro do partido do presidente para bancar uma manifestação a favor do governo! Enquanto isso, assessor do governo publica: “Não tenhais medo”. O revolucionário de botequim, nerd que se enxerga como templário, uma mistura de pirralho com Robespierre (Robespirralho), instiga nas redes sociais conduta irresponsável, esquecendo que quem tem aquilo, tem medo.

O medo serve como alerta para atitudes perigosas. Não é corajoso quem não tem medo, e sim maluco, irresponsável. O corajoso domina o medo, mas entende os riscos. Alguns, porém, preferem jogar lenha na fogueira revolucionária, pois são sempre os outros que pagam o pato…

Por fim, o Congresso dá sinais de que está, sim, trabalhando para avançar com importantes reformas, e isso dá um bug na cabeça dos bolsonaristas. A saída encontrada é tão engraçada quanto fantástica: a narrativa diz que já é efeito da pressão popular nas ruas, de uma manifestação que nem ocorreu ainda, e que ninguém sabe se terá mesmo muita adesão.

Ora, se basta ameaçar nas redes sociais com “povo nas ruas”, mesmo sem qualquer evidência concreta de que será um sucesso de público, então é prova de que o “centrão” não é tão poderoso assim, não é mesmo? Se esse terrível grupo fisiológico que controla o Congresso já treme todo só com esse tiro de festim, então creio que não temos mesmo nada a temer. Não tenhais medo de Maia! Basta convocar um protesto que ele antes mesmo já cede tudo. Era um tigre de papel…

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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