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Por João Cesar de Melo, publicado pelo Instituto Liberal

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A esquerda tenta de todas as maneiras impor a narrativa de que detém o monopólio das virtudes humanas, especialmente a caridade. Tenta até nos fazer crer que inventou a bondade, que antes de seus “anjinhos” pousarem neste planeta, por aqui havia apenas uma massa de selvagens que se dedicavam a explorar, agredir e matar uns aos outros sob o comando da igreja. Os fatos demonstram o contrário.

A caridade é uma característica humana. É o que nos distingue de outros animais.

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Apenas nós nos preocupamos com os doentes, com os mais velhos, com os mais pobres. E esse sentimento foi construído pelas religiões.

Muito antes do socialismo, já havia pessoas que dedicavam suas vidas à caridade; e também colégios, orfanatos e hospitais beneficentes mantidos por congregações cristãs e famílias ricas.

O que o socialismo fez foi dizer que a caridade não poderia ser feita de forma privada e voluntária, mas sim pelo governo, de forma coercitiva.

Desde então, a concentração de poder e dinheiro nos governos – uma vitória socialista – tornou a caridade privada muito cara e difícil, especialmente no Brasil.

Cara porque os impostos, cada dia mais altos, limitam os recursos financeiros para pessoas e empresas comuns empenharem filantropia.

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Difícil porque a sociedade, de forma geral, passou a acreditar mais na caridade estatal do que na caridade privada.

Em países onde a mentalidade liberal-conservadora predomina, como nos Estados Unidos, a caridade privada é a principal forma de assistência social. São literalmente milhares de entidades financiadas exclusivamente por pessoas e empresas.

Há alguns dias conheci Daiane Dias, mineira, 29 anos de idade, formada em paisagismo, empresária, coordenadora de um belíssimo projeto social e, para desgosto da esquerda, eleitora de Bolsonaro.

A seguir, resumo a longa conversa que tive com ela.

Dai (como gosta de ser chamada) foi influenciada pelo pai empresário na atividade social. Participou de um programa em Moçambique e em 2016 iniciou seu projeto Banho Solidário, voltado para os viciados em crack em Belo Horizonte.

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Um programa integralmente financiado e dirigido pela iniciativa privada, pessoas comuns e empresários que doam de dinheiro ao tempo de cada um. O princípio do programa é fazer avaliações particulares de cada pessoa para detectar o que cada uma realmente precisa, deseja e merece.

Enquanto estávamos conversando, ela enviou para mim uma foto que havia acabado de chegar: um dos assistidos pelo programa que estava indo reencontrar a família em Brasília. Essa era a necessidade dele. Outras pessoas têm necessidades diferentes. Algo que apenas pessoas conseguem avaliar, jamais um governo, qualquer que seja.

Inicialmente, por inocência e ignorância, Dai acreditava que a filantropia era mesmo uma atividade exclusiva de movimentos e governos de esquerda – “o discurso deles é muito sedutor”, reconhece. No entanto, assim que começou a se aprofundar mais na realidade dos dependentes de crack, ela viu que o drama daquelas pessoas era romantizado para compor uma narrativa ideológica de exploração e exclusão, tratar aquelas pessoas como vítimas de um sistema capitalista-opressor, não de fraquezas e decisões particulares.

O que Dai vê com seus próprios olhos é um imenso aparato estatal utilizado para manter aquelas pessoas exatamente como elas estão: pobres, doentes e, principalmente, dependentes do governo.

Ela cita o caso das mulheres grávidas.

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Preste atenção nisso:

A mesma esquerda que defende o aborto diz que jovens totalmente desorientadas social, física e psicologicamente devem ter liberdade para ter seus filhos, quase todos frutos de exploração sexual, muitas vezes em troca de drogas.

Talvez seja preciso descrever melhor a situação: centenas, milhares de pessoas em condição de completa miséria física e psicológica, sem o mínimo de discernimento sobre o mundo e sobre si mesmas, que, segundo a esquerda, não podem receber qualquer tipo de ajuda que elas não queiram. Ou seja: a esquerda prefere ver aquelas pessoas agonizando na rua em nome de um ideal de liberdade que se limita àquilo ali.

Vale lembrar que as mesmas pessoas que defendem a liberdade dos viciados em crack – quem se lembra da campanha “free cracolândia”? – acham um absurdo que pessoas lúcidas tenham liberdade para estabelecer seus próprios contratos de trabalho, defender suas vidas e cuidar de seus filhos. Dai ainda falam da arrogância dos agentes do governo, em todas as esferas, diante do trabalho voluntário de pessoas como ela: “se você não tem mestrado em alguma coisa, sua opinião não vale nada”.

Conheço muitas outras pessoas que empenham atividade filantrópica, mas raramente essas pessoas se manifestam politicamente quando se reconhecem conservadoras ou liberais. A patrulha da esquerda também atua nessa área.

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Dai, no entanto, não teme declarar o voto em Jair Bolsonaro. Entender sua razão foi meu principal interesse na conversa. Ela resumiu da seguinte forma:

“Busco um candidato com ideias liberais, que fortaleçam o cidadão, não o governo. Quem realmente quer sair das ruas após o Banho (seu projeto social) tem todo o nosso apoio. Se essa pessoa consegue, o mérito é todo dela. Tentamos valorizar isso, estimular as pessoas a quererem sair. Não ficamos apenas oferecendo coisas. Tentamos entender cada uma delas para ver do que precisam. Acho que se as pessoas tivessem mais dinheiro, elas ajudariam mais. Se o Bolsonaro diz que vai trabalhar para que o dinheiro das pessoas fique com elas, não com o governo, então eu votarei nele”.

Dai faz questão de destacar que ela e os demais voluntários trabalham de graça e querem ver as pessoas saindo das ruas e reconstruindo suas vidas, duas coisas que ela não enxerga no assistencialismo estatal.

“São profissionais da exploração da miséria. Elas precisam que os viciados em crack estejam ali, naquelas mesmas condições, para sempre, pois é isso que justifica o salário delas. Eles ficam lançando projetos atrás de projetos, sem nenhum resultado efetivo. E aí vai muito, muito dinheiro embora”.

Conclusão: a caridade não é propriedade de nenhuma ideologia, é apenas uma manifestação privada corrompida ou não pelos governos. Quando feita por pessoas comuns, essa manifestação é verdadeiramente voluntária e bem-intencionada e seus agentes tendem a ter mais responsabilidade com os recursos empregados, porque estes saem de seus próprios bolsos. Por isso ações sociais privadas sempre são muito mais eficientes do que as promovidas pelo governo, que, para justificar sua própria existência, precisa manter um certo nível de pobreza na sociedade, tal qual vemos no Nordeste.

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O Brasil precisa de um governo de viés liberal para que mais pessoas como a Daiane possam ter condições de ajudar quem realmente precisa.

Obviamente, Jair Bolsonaro não é o candidato dos sonhos dos liberais, mas se compararmos o programa dele com o de Haddad e com o que sempre predominou no Brasil, veremos que estamos diante de uma possível guinada liberal.