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Rodrigo Constantino

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Novo reconhece erro na escolha de economista simpática ao PSOL e volta atrás

FOTO INAE

O Partido Novo se desgastou bastante com seus filiados nos últimos dias por conta de uma infeliz escolha de Marcelo Trindade, pré-candidato ao governo do Rio. Ele tinha indicado Eduarda La Rocque como coordenadora da campanha, e imediatamente surgiram vídeos de entrevistas e artigos da economista expondo seu viés esquerdista, o que foi muito atacado pelos apoiadores do projeto.

Eduarda chegou a comparar o Novo com o PSOL em termos de defesa da ética na política, ignorando que o PSOL é uma linha-auxiliar do PT e até hoje defende o presidiário Lula, assim como a ditadura venezuelana. Ela chamava de “extrema-direita” o Partido Novo, como contraponto à extrema-esquerda do PSOL, destacando o suposto denominador comum na luta pela ética.

Duda, como é conhecida, também apontava Marina Silva como a mais alinhada aos seus ideias, e sua obsessão pelo “combate às desigualdades” por meio do estado não é compatível com os ideais do Novo, mais focado na liberdade e na redução do estado.

A gota d’água foi um texto em que condenava a prisão de Lula e citava o “pensador” Gregorio Duvivier, o que é sinônimo de palhaçada e total perda de credibilidade. Esses fatos foram expostos por simpatizantes do Novo e o diretório do partido reagiu. O pré-candidato a presidente e seu vice, João Amoedo e o professor Christian, fizeram uma “live” para explicar seu posicionamento nessa confusão:

O partido soltou também uma nota explicando a reversão da escolha de Trindade:

Nosso pré-candidato ao Governo do Rio de Janeiro, Marcelo Trindade, convidou a economista Eduarda de La Rocque para participar do programa de governo que ele está desenvolvendo para estado. Embora a economista seja uma profissional qualificada e bem intencionada, ficou evidente por seus posicionamentos que tem muitas diferenças ideológicas em relação ao NOVO.

A partir das manifestações nesse mesmo sentido por parte de apoiadores, filiados e líderes do NOVO, Trindade percebeu a incompatibilidade da indicação e resolveu revertê-la. Reafirmamos nossa confiança em Trindade e a certeza de que suas ideias e competências são a melhor opção para conduzir a recuperação de que o Rio de Janeiro tanto necessita.

O NOVO foi construído com uma base muito sólida em princípios e valores, dos quais nunca abriremos mão; não importando o momento ou situação eleitoral. Somos e sempre seremos fiéis a eles. 

Hoje, 7 mil voluntários, mais de 21 mil filiados e quase 2 milhões de seguidores estão conosco exatamente por confiarem em nossos mecanismos de governança e com a certeza de que somos e sempre seremos implacáveis quando se tratar de nossos valores fundamentais. E, mais do que apoiadores, todos são parte do NOVO.

A agilidade em mudar demonstra que o partido está atento ao que seus milhares de filiados pensam, mas a escolha em si demonstra, por sua vez, fraqueza no compromisso com um DNA liberal. Afinal, as falas de Duda La Rocque já eram conhecidas, e uma rápida pesquisa mostraria o abismo entre a economista de esquerda e a mensagem mais liberal que o partido tem transmitido.

É preciso demonstrar maior firmeza na defesa desses valores liberais, caso contrário o Novo corre o risco de se tornar um novo PSDB, nada mais. Os “progressistas” já possuem inúmeros partidos alinhados com seu pensamento de esquerda, até porque há praticamente uma hegemonia vermelha em nossa política. Do próprio PSDB ao PCdoB, passando pelo PPS, Rede, PT, PDT e companhia, todos pedem mais estado, condenam as privatizações, focam na “justiça social” e nas “desigualdades” e desprezam o livre mercado.

Se o Novo quer ter um futuro na política nacional, será preciso preencher esse vácuo, ocupar esse espaço efetivamente liberal que está vazio hoje. Os liberais são órfãos de representação partidária no Brasil atual. Mas se aqueles que pretendem assumir esse posto forem tímidos na defesa do liberalismo, fazendo concessões demais ao politicamente correto e aos “progressistas”, então o público irá desconfiar, com toda razão, e rejeitar o instrumento.

Ninguém quer mais tucanos no mercado político, pois já há abundância dessa espécie pusilânime. O que se demanda, o que está em escassez, é um liberalismo corajoso e firme na defesa de seus princípios.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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