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Rodrigo Constantino

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O Brasil não é para amadores: Jorge Viana pode cancelar toda pauta de reformas

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Embora publicamente o futuro presidente interino do Senado, Jorge Viana (PT-AC) , tenha dado declarações de que não vai se precipitar e que as consequências do agravamento da crise econômica preocupa o Congresso, participantes da reunião na casa de Renan Calheiros (PMDB-AL) revelaram que , embora compreensivo dos riscos, Viana já avisou que suspenderá toda a pauta de votações dos projetos de interesse do governo. Isso inclui, além do segundo turno da PEC do teto de gastos, a lei de licitações, Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), e créditos adicionais.

– Jorge Viana está compreensivo, mas dizendo que suspenderá toda a pauta. O PT não deixará ele tocar a pauta do governo que derrubou o governo deles. Está muito angustiado, não quer prejudicar o Brasil, porém avisa que não tem como votar essa pauta – contou um dos líderes da base presentes à reunião que chegou até quase a madrugada desta terça-feira.

Quem foi às ruas domingo pedir a cabeça de Renan Calheiros lembrou quem seria seu substituto? Entende-se a angústia do povo, o cansaço com as artimanhas dos poderosos, a revolta com o eterno Renan, desde Collor mandando e desmandando acima das leis. Mas é preciso reagir com a cabeça, não com o fígado. Escrevi ontem no meu Facebook:

O Brasil não é mesmo para amadores. A turma foi às ruas, Renan virou o Cunha da vez, e um PETISTA assume o Senado, com uma canetada de um ministro do STF, pronto para barrar a PEC e as reformas necessárias. Sim, Renan é o cúmulo. Mas agora temos o PT no comando do Senado. Dá para festejar?

Agora poderemos ter a trava da agenda de reformas, sem as quais o país não tem como se recuperar. É o PT agindo, como sempre, para ferrar com o país em nome de seus objetivos políticos.

Além disso, há o fator do excesso de ativismo do Judiciário. Muitas pessoas não ligam para como Renan caiu, apenas para o fato em si. Ou seja, não só ignoram quem assume seu lugar, como sequer param para pensar em como se deu sua queda. Sem o fortalecimento de nossas instituições, o país sempre será uma republiqueta das bananas. Comentei sobre isso ontem também:

Boa notícia: caiu Renan.
Má notícia: assume um petista.
Péssima notícia: vivemos sob a ditadura da toga, com todo poder concentrado em poucos ministros de um STF ativista, que em vez de seguir a Constituição da qual deveria ser o guardião, resolveu bancar o legislador e o executivo ao mesmo tempo. Salve-se quem puder…

E eis a notícia que leio no Blog do Moreno agora:

Perguntado agora sobre a decisão do ministro Marco Aurélio de afastar o presidente do Senado, Renan Calheiros, o seu colega do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes respondeu ao blog do Moreno que é um caso de reconhecimento de inimputabilidade ou de impeachment de Mello. E acrescentou:

— No Nordeste se diz que não se corre atrás de doido porque não se sabe para onde ele vai. 

Ao sugerir o impeachment de Marco Aurélio – por ter afastado do cargo o presidente do Senado, Renan Calheiros – o ministro Gilmar Mendes torna público o que vem dizendo nos bastidores sobre o colega, principalmente por ele ter tomado decisão de tamanha importância sem sequer consultar seus pares.

Em conversas reservadas, Gilmar afirmou que “não se afasta o presidente de um poder por iniciativa individual e com base em um pedido de um partido político apenas, independentemente da sua representatividade”, o que acha não ser o caso da Rede.

Ontem à noite, durante encontro com políticos, Mendes chegou a chamar de “indecente” a decisão de Marco Aurélio e, nesse sentido, advertiu que, se o Tribunal quiser restaurar a decência, terá que derrubar a decisão.

Está instaurada a crise entre os poderes e também dentro dos poderes. Como o país vai atravessar essa tormenta? Ninguém sabe ainda. Desconfie de quem diz o contrário. São tempos perigosos. Ou poderemos usar a crise para consolidar nossas instituições, ou elas poderão ruir de vez, e aí será um caos dos diabos.

Nesse meio tempo, o povo grita, vai às ruas, mostra sua legítima indignação. Mas não tem como saber a quais interesses está servindo no momento, pois o jogo de xadrez é jogado nos bastidores. Até o dia em que o povo cansar da brincadeira, de ser feito de palhaço. E aí poderá ser a morte das instituições, da democracia mesmo. Vamos torcer pelo melhor. Mas é bom se preparar para o pior…

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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