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Rodrigo Constantino

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O GLOBO banca o “isentão” e ataca o Escola Sem Partido por aquilo que ele não é

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Poucas coisas são piores do que os “isentões”, aqueles que simulam imparcialidade e muita moderação na forma, mas acabam invariavelmente defendendo as bandeiras da esquerda radical. Eles acabam dando credibilidade ao radicalismo dos socialistas, agindo como inocentes úteis.

Quando a jornalista Miriam Leitão precisou me atacar, assim como o Reinaldo Azevedo, numa coluna em que pretendia condenar o radicalismo da extrema-esquerda, que até manipulara sua biografia na internet, ela nos fornecia um exemplo perfeito desse fenômeno.

Para posar de “imparcial”, ela não tinha a coragem de simplesmente criticar a esquerda radical; precisava mostrar que também era contra a “direita radical”, qual seja, aquela bem moderada que eu represento. É uma espécie de lei no jornalismo dominado pelo viés “progressista”: se tiver de atacar a extrema esquerda, joga junto no saco a direita liberal como se fosse extremista também.

Foi o que fez o próprio jornal O GLOBO hoje, em seu editorial sobre educação. O jornal, vejam só!, é contra a doutrinação ideológica nas escolas, mas tanto a de esquerda como a de direita. E onde é que existe doutrinação ideológica de direita nas escolas brasileiras? Onde? O editorial diz que no projeto de lei do Escola Sem Partido!

É ou ignorância ou pura má-fé. O jornal condena algo que o ESP também condena, mas depois vai lá e pinta o projeto como igualmente doutrinário, só que de uma suposta extrema-direita “obscura”. E para “provar” seu ponto, mente, inventa coisas que não fazem parte do projeto.

O ESP, e quem leu sabe, não pretende inverter o sinal da doutrinação, impedir que se fale em marxismo ou nada do tipo. Basta ler! O que o ESP pretende é justamente acabar com essa escancarada doutrinação ideológica em salas de aula, cuja existência só alguém muito desprovido de honestidade poderia negar.

Sim, o marxismo é um fenômeno histórico que precisa ser ensinado. Mas não é isso que acontece! Marx domina a cena, é enaltecido por militantes disfarçados de professores, ganha um peso totalmente desproporcional à sua importância, ainda mais no mundo mais civilizado, enquanto visões alternativas sequer são apresentadas. Não é substituir Marx por Adam Smith, e sim efetivamente deixar o aluno conhecer as principais vertentes da forma mais imparcial possível para que ele possa julgar.

Quanto à questão da “educação sexual”, é evidente que há hoje em curso uma tentativa de enfiar goela abaixo dos jovens, das crianças!, uma ideologia de gênero que é absurda, anti-científica, incoerente e imoral, mas vendida como a coisa mais avançada do mundo. E ai de quem não concordar: um reacionário preconceituoso!

Mas vejam: nem vem ao caso pensar assim ou achar que uma educação moral deva ser diametralmente oposta, fornecendo freios para os jovens em vez de estímulos à libertinagem. Eis o ponto central aqui: educação moral é algo que deveria pertencer às famílias, não ao estado! O estado usurpa um direito que pertence aos pais quando se arroga o direito de ensinar aos jovens como eles devem agir em relação ao sexo.

O jornal “isentão” conclui:

Por perniciosas, as duas têm de ser combatidas, criticadas, evitadas em todos os níveis do ensino. Nominadamente: a “educação” que impõe como verdade modelos de sociedade que agridem o respeito à democracia, ou a corrente que defende um índex nas escolas — esta, aliás, em perigosa expansão no país, alinhada com posições francamente retrógradas, e inquietantemente operosa a partir de bases no Legislativo.

Proselitismo político e catequese não combinam com pensamento livre. O conhecimento, o ensino e uma cultura rica não podem ser condicionados por uma falsa educação cujos valores sejam impostos, em lugar de discutidos.

Não discordo! Mas não é nada perto disso que temos hoje em nossas escolas, dominadas pela militância esquerdista. E é justamente o que o ESP pretende trazer para a sala de aula: menos Paulo Freire e mais debates abertos, menos proselitismo e mais pluralidade, menos doutrinação e mais pensamento livre. Os editores deveriam ler o projeto antes de repetir mitos criados pela esquerda radical que está em pânico com a reação daqueles cansados de tanta doutrinação.

Rodrigo Constantino

 

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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