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Rodrigo Constantino

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O governo Macri realmente adotou o liberalismo? João Amoedo, do Partido Novo, responde

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Até ontem, Macri era o amigo de Bolsonaro que iria dar jeito no Mercosul. Mas, após a derrota humilhante nas primárias, muitos bolsonaristas se afastaram do presidente argentino e passaram a acusa-lo de ser um “Amoedo argentino”. Ou seja, pela ótica deles, o problema de Macri foi ele não ter sido mais firme contra a esquerda, ter preferido um caminho mais “tucano” em termos de postura.

Mas o próprio Amoedo, em seu Twitter, fez vários comentários condenando Macri – não por este ter sido frouxo com a esquerda na retórica, ou ter “mitado” pouco nas redes sociais, e sim por não ter sido de fato um liberal, conforme prometera. Ou seja, a crítica de Amoedo não é quanto à forma, mas quanto ao conteúdo. Quem acusa Amoedo de ser o “Macri brasileiro”, portanto, está cometendo uma injustiça. Eis a dura crítica feita pelo fundador do Partido Novo:

O governo Macri realmente adotou o liberalismo? Quando Macri assumiu, o país sofria mais uma de suas frequentes crises, com inflação em alta, moeda cada vez mais desvalorizada, contas públicas no vermelho, dívida crescente e o país impedido de tomar empréstimos internacionais.

A carga tributária era a mais alta de 138 países em ranking do Fórum Econômico Mundial e o padrão de vida não parava de cair. Macri prometeu adotar uma agenda liberal, que iria resolver a crise fiscal e colocar a economia argentina no caminho do desenvolvimento.

Entretanto, o que aconteceu em seguida foi um roteiro nada liberal. O governo Macri evitou grandes ajustes e reformas que seu país precisava. Adotou um gradualismo recheado de acordos com o lobby de diferentes grupos e várias medidas nada liberais:

Congelou preços; Não cortou gastos públicos; Não privatizou estatais ineficientes e deficitárias, como a Aerolineas; Concedeu aumento para servidores e aposentados em plena crise orçamentária, tentando agradar sindicatos; Não fez reformas no funcionalismo público

A situação da Argentina pedia controle de gastos, venda de estatais, maior liberdade para empreender e trabalhar, redução das barreiras ao comércio internacional, um banco central independente que segurasse a inflação e muito mais.

Houve avanços na redução do déficit fiscal primário. Porém, longe do suficiente para que a Argentina saísse da crise fiscal e econômica. Macri não adotou as medidas necessárias e a crise continuou.

Esta semana, com a vitória das prévias da chapa composta pela ex-presidente Cristina Kirchner – uma das responsáveis pela enorme crise – a bolsa do argentina caiu e o peso desvalorizou ainda mais.

Os investidores acreditam que a crise piorará e por isso vendem seus ativos, antes do resultado futuro se concretizar. Isso é um indicador de que o lucro das empresas cairá, e logo empregarão menos gente. O consumo diminuirá e o lucro das empresas cairá mais ainda.

A reação de Macri? Novamente oposta ao que se espera de um liberal. O presidente argentino anunciou os seguintes ajustes: trabalhadores privados e públicos receberão bônus, salário mínimo será elevado, e preço da gasolina será congelado por 90 dias.

Entre o discurso liberal e a prática há uma grande diferença. Macri preferiu seguir o caminho mais fácil, e agora a Argentina paga o preço.

Esperamos que a Argentina tenha em breve um governo que coloque em prática as políticas liberais, colocando as contas em dia e o cidadão em primeiro lugar. Esse foi o caminho seguido pelos países desenvolvidos e pelo nosso vizinho Chile. A América Latina não merece mais populismo.

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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