O papel dos liberais na imprensa e o lançamento da Rede Liberdade
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Quando comecei nessa batalha por mais liberdade, os liberais não conseguiam encher nem uma Kombi. Ou assim era a nossa brincadeira, com um tom de verdade. Usava então o Orkut como instrumento para debater, mostrar o outro lado, combater o esquerdismo. Éramos poucos mesmo, que tinham a coragem de se dizer liberais, de defender coisas como a privatização e o estado mínimo.

Pois bem: o grupo cresceu, e hoje lotamos o Maracanã e ainda falta espaço. Se os institutos definhavam há dez anos, hoje pululam, pipocam, saem pelo ralo, como diz um dos grandes entusiastas do movimento, o empresário Salim Mattar, da Localiza. E neste fim de semana ocorreu justamente uma reunião que marca o lançamento da Rede Liberdade.

Trata-se de um encontro voluntário entre diversos institutos com viés liberal ou libertário, para debater ideias, discutir melhor estratégias de divulgação delas, pensar em como efetivamente mudar o Brasil, levá-lo para a direção dos países de primeiro mundo, mais prósperos e livres.

Não é como o Foro de São Paulo do outro lado. Não há coordenação centralizada, e nosso projeto não é de poder, e sim de esvaziar o excesso de poder hoje concentrado nos governos. Nesse sentido, podemos ser vistos como a antítese do Foro de SP.

Liberais são por definição mais independentes, autônomos e até desorganizados. Rejeitamos a ideia de uma espécie de comitê central (soviet) dando as cartas, ditando as regras, impondo uma agenda de cima para baixo. Mas isso não quer dizer que não possamos nos unir mais, focar nas convergências, debater formas mais eficientes e pragmáticas de alcançar maior número de pessoas para colocarmos em prática o liberalismo.

Como o próprio Salim disse em sua fala inicial, usando uma bela metáfora com o jogo “pega-varetas” que jogava com seus dez irmãos na juventude, isolados somos mais frágeis, podemos ser “quebrados” com maior facilidade, mas juntos temos mais força, fica mais complicado envergar cada um ao ponto de ruptura. A união faz a força.

Não é hora de brigas internas, de egos inflados, de desunião e disputas de território, por pura picuinha infantil muitas vezes. Em que pesem as diferenças importantes, creio que libertários maduros, liberais clássicos e conservadores de boa estirpe deveriam estar alinhados em prol de uma pauta comum, ainda que delimitando as fronteiras entre cada linha doutrinária. Não somos iguais, certamente, mas temos mais interseções hoje do que divergências essenciais, até porque o Brasil está muito longe de um modelo minimamente liberal.

Foi com muita satisfação e esperança, portanto, que participei dessa iniciativa, que vi o nascimento desta Rede Liberdade, reunindo literalmente dezenas de institutos com viés libertário e liberal. Aceito com muita honra o título de “tarado” pelo liberalismo, concedido a mim e ao amigo Helio Beltrão, figura crucial na divulgação dos valores liberais e organização deste evento, um marco já para a história do liberalismo em nosso país.

Segue a breve fala introdutória que fiz no painel que discutiu o papel dos liberais na imprensa nacional, que teve também a participação de Felippe Hermes, do Spotniks, que tem feito um ótimo trabalho na divulgação do liberalismo pelas redes sociais:

A luta continua! E não vou descansar enquanto o Brasil não for um país que dê orgulho a seus cidadãos, ao contrário do que ocorre hoje, onde somos tratados como súditos de Brasília. Saibamos levar essa mensagem de liberdade aos milhões e milhões de brasileiros que são liberais, mas ainda não sabem. Em frente que o Brasil tem pressa!

Rodrigo Constantino

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