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Rodrigo Constantino

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Paulo Guedes elogia apoio “extraordinário” de Rodrigo Maia à reforma

Paulo Guedes, em seminário no Correio Braziliense, acaba de dizer que “Rodrigo Maia tem sido extraordinário” no apoio à reforma da Previdência. “Estou absolutamente confiante na aprovação. É um grupo maduro de políticos”. Guedes acrescentou que Maia “assumiu o protagonismo” na necessidade de aprovação das reformas.

Fogo no parquinho bolsonarista! E agora, José? Se você está ao lado do poderoso ministro Paulo Guedes, da ala liberal do governo, você está contra ou a favor do governo em si ou do presidente Bolsonaro? Será que Guedes é, ele próprio, um traidor do governo? Ou será que ele é realista, pragmático e tem noção de qual a prioridade certa do governo?

Durante muitos anos meu esforço foi para derrubar a tática pérfida da esquerda de tentar monopolizar as virtudes, os fins nobres. Funciona assim: só se você concorda com os meios estatizantes dos socialistas você se preocupa com seus fins pregados, ou seja, com a condição de vida dos mais pobres. Falácia pura!

Infelizmente, boa parte da dita direita tem adotado a mesma estratégia. Só se você fecha com eles no pacote “revolucionário” você quer o melhor para o Brasil. Se você apresenta seus argumentos contrários aos seus métodos, então você é traidor, vendido, defensor de bandidos do “centrão”. O velho monopólio da virtude.

Mas a realidade é bem diferente das mitadas em redes sociais. O mundo é mais complexo do que a divisão binária e maniqueísta dos bolsonaristas. Mesmo o tal centrão é composto por vários deputados e senadores muito distintos. A “luta de classes” marxista revisitada pode servir para mobilizar militância, mas não para governar.

Para aprovar reformas, especialmente emendas constitucionais, é necessário ter amplo apoio do Congresso. Bolsonaristas radicais partem de suas premissas, ambas equivocadas: 1) articulação política é sinônimo sempre de malas de dinheiro, ou seja, corrupção; 2) pressão constante nas ruas resolve o problema.

Partindo das duas premissas erradas, essa ala tem tratado com desprezo quem quer o melhor para o Brasil por caminhos diferentes. Mas o time dos “traidores” só faz aumentar, inclusive com muita gente boa, que há anos luta contra o petismo. E o maior aliado desse time é o próprio ministro Paulo Guedes, que nunca foi jacobino revolucionário, que entende a importância das vias democráticas para conseguir resultados.

Demonizar o presidente da Câmara quando se precisa aprovar reformas no Congresso e quando ele mesmo se mostra um defensor do básico dessas reformas é um tiro no pé, uma estratégia maluca e suicida, que pode manter uma sensação de superioridade moral nos “puristas”, mas que em nada ajuda de fato na aprovação das reformas. Seria como detonar diariamente Eduardo Cunha no momento em que se precisava dele para o impeachment de Dilma.

Ainda bem que tem gente que está focada nos resultados, não nas curtidas da plateia nas redes sociais. Mais Guedes, menos Olavo!

PS: Antecipando a reposta de alguns bolsonaristas, vão alegar que Guedes não poderia dizer nada diferente e que está sendo apenas “diplomático”. Mas ora, o presidente, aquele que enviou a reforma ao Congresso, pode dizer o que tem dito do Congresso, e não precisa ser diplomático? A estratégia de “faca no pescoço” funciona ou não, afinal?

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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