Fonte: GLOBO| Foto:

Em um resultado inesperado, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, ganhou o Nobel da Paz por seus esforços para acabar com o conflito armado de mais de 50 anos no país com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O anúncio foi feito pelo comitê que entrega o prêmio na manhã desta sexta-feira. O pacto com a guerrilha, contudo, foi rejeitado em referendo no domingo, o que levou a Colômbia a sair da lista de favoritos ao Nobel.

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O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse que o prêmio Nobel irá ajudar a impulsionar o processo de paz no país sul-americano. “Não recebo esse prêmio em meu nome, mas em nome de todos os colombianos, em especial em nome das milhões de vítimas desse conflito”, afirmou o presidente. “A paz está perto, a paz é possível, é a hora da paz”, completou.

Será que foi tão inesperado assim mesmo? Afinal, o Prêmio Nobel da Paz virou, faz tempo, uma recompensa muito mais pela retórica do que pelos resultados concretos obtidos. É o mundo das elites, do establishment político, encantado com sua própria voz. O mundo dos “pacifistas” que ignoram como a paz é realmente alcançada, quase sempre com muito suor, lágrimas e mortes.

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Churchill fez mais pela paz no mundo ao enfrentar Hitler com determinação do que todos os “pacifistas” juntos reunidos numa praça com camisas brancas. Quando o presidente Obama recebeu o mesmo prêmio antes mesmo de começar a governar, escrevi um texto que resgato agora, pois continua bem atual:

O Nobel da Paz

A retórica venceu a realidade. O mundo moderno costuma premiar mais o discurso da boa intenção do que ações práticas e seus resultados concretos. Pessoas que abraçam cruzadas “politicamente corretas” conseguem mais aplausos do que aquelas que realmente fazem algo para melhorar o mundo. Eis o que explica, em parte, a recente premiação de Obama com o Nobel da Paz.

Em primeiro lugar, seria útil entender a origem do Prêmio Nobel da Paz. Em 1889, os irmãos Nobel, do ramo de petróleo, completaram um duto de 42 milhas através de uma montanha na Rússia. O que possibilitou esta conquista foi o uso de 400 toneladas da dinamite criada por Alfred Nobel. Quando Ludwig Nobel morreu, alguns jornais europeus o confundiram com seu irmão Alfred, que foi reportado como morto. Lendo seu obituário prematuro, Alfred ficou abalado ao descobrir que era condenado como um criador de munições, o “rei da dinamite”, que tinha feito fortuna através da morte de vários inocentes. Ele resolveu então reescrever seu testamento, deixando seu dinheiro para a criação de prêmios que iriam perpetuar seu nome da forma mais honrosa possível. Tinha início então uma seqüência de prêmios que objetivava, na verdade, criar uma boa imagem perante o público. A dinamite era substituída pelo Nobel da Paz.

A lista de vencedores do prêmio conta com gente séria e merecedora, sem dúvida. Martin Luther King Jr. é um exemplo que vem à mente, entre outros. Por outro lado, alguns nomes da lista simplesmente não fazem sentido algum. O que o ex-presidente americano Jimmy Carter está fazendo nessa lista, por exemplo? Um presidente que, na melhor das hipóteses pode ser chamado de medíocre, enquanto na pior delas pode ser visto como alguém negligente diante da ameaça comunista, não merece prêmio algum pela paz. A justificativa fala em seu esforço pelos “direitos humanos” e para promover o desenvolvimento social no mundo. Ora, durante seu governo, tudo que ele conseguiu foi atrasar o desenvolvimento americano. Será que ele merece um prêmio por pregar utopias mundo afora?

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Outro agraciado com o prêmio foi Kofi Annan, ex-secretário geral da ONU. Annan comandou a ONU durante o programa “Petróleo por Comida”, para lidar com a ameaça do Iraque. Hoje se sabe que este programa foi um verdadeiro antro de corrupção, favorecendo os barões do petróleo, os ditadores do Oriente Médio e seus amigos. O filho do próprio Kofi Annan foi citado como um dos favorecidos pelo esquema multibilionário. O que Kofi Annan realmente fez pela paz no mundo?

Mais um estranho vencedor do prêmio foi Gorbachev. Líder da União Soviética durante sua acelerada decadência, Gorbachev recebeu o prêmio pelo fim da Guerra Fria. Não foi Reagan quem mereceu o prêmio, mandando Gorbachev derrubar aquele nefasto muro e investindo no setor militar de forma a debilitar os devaneios soviéticos. Nada disso! O prêmio foi para aquele que, internamente, discursava sobre medidas para salvar o comunismo na Rússia. Um comunista, herdeiro do regime mais genocida que existiu no planeta, foi Nobel da Paz. Se Picasso ganhou o Prêmio Lênin da Paz, depois de fazer uma litografia com a famosa pomba para o Congresso Mundial da Paz em Paris, como presente para o carniceiro Stalin, nada mais pode chocar. Alguns “pacifistas” poderiam estar tranquilamente em Guantánamo!

Mas isso não é tudo. O mais estarrecedor foi quando o Prêmio Nobel da Paz foi parar nas mãos de ninguém menos que Yasser Arafat, o então líder da OLP, um grupo terrorista. Os atos terroristas da OLP ocorriam com o financiamento que Arafat conseguia no exterior, enquanto sua mulher e filha vivam confortavelmente em Paris. Arafat, apesar da propaganda enganosa, fez de tudo para evitar um acordo de paz com Israel. Quando Israel cedia em praticamente todas as exigências palestinas, Arafat demandava mais, ou seu grupo terrorista iniciava nova onda de ataque à inocentes. A paz não interessava muito aos terroristas, por motivos óbvios. Um sujeito como Arafat receber o Nobel da Paz era o golpe fatal que restava para desmoralizar de vez este prêmio.

Em 2007, Al Gore foi o vencedor do Nobel da Paz. Uma vez mais, era a vitória da retórica sobre a realidade. Os “ambientalistas” que odeiam o progresso capitalista comemoram bastante. Ponto para a causa dos que demandam mais e mais controle do governo em nome do combate ao aquecimento global. O prêmio foi por seu trabalho de divulgação mundial das mudanças climáticas do planeta, cuja obra mais famosa foi seu documentário Uma Verdade Inconveniente, onde supostamente apresentou evidências para sustentar a acusação de que o homem é o grande culpado pelo aquecimento global. Entender o que Al Gore fez na prática pela paz mundial é tarefa hercúlea, cuja capacidade me falta.

E eis que chegamos ao presente, com Obama recebendo o Prêmio Nobel da Paz. Até mesmo o presidente americano ficou surpreso com reconhecimento tão precoce. Como ele mesmo entendeu, trata-se de um “chamado à ação”, no fundo mais perto da inação. O comitê alegou que o prêmio era por sua “visão” de um mundo sem armas nucleares. Ora, esta linda visão é compartilhada por todos, exceto os psicopatas. Resta combinar isso com o presidente do Irã, Ahmadinejad, ou então com o ditador coreano Kim Jong-Il. Sermões políticos não vão impedir o avanço nuclear destes regimes opressores. Como lidar com a realidade então? Será que o mundo seria um lugar melhor se os americanos tivessem oferecido rosas a Hitler?

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Deve-se tomar cuidado para não monopolizar os fins, ou seja, achar que somente os “pacifistas” desejam a paz. A paz é uma meta amplamente desejável. As divergências surgem quanto aos meios adequados para chegar lá. A pomba pode não ter força para derrotar armas nucleares nas mãos de regimes insanos. Ao premiar Obama com o Nobel da Paz, os membros do comitê parecem ignorar isso. As boas intenções bastam no maravilhoso mundo dos “pacifistas”. Mas, como todos sabem, o inferno está cheio de boas intenções…  

Voltando ao atual premiado: seus “esforços” foram a justificativa para o recebimento do prêmio. Mas eis o que a população colombiana disse ao seu projeto “pacifista”: NÃO! Aquilo que o povo rejeitou, os “ungidos” que vivem na bolha do establishment premiaram. Isso apenas demonstra uma vez mais como a elite governante e de formadores de opinião perdeu o contato com a realidade, rompeu o elo com as percepções do povo.

Quem fez mais pela paz colombiana foi Alvaro Uribe, não com belas palavras, mas com uma ação enérgica e dura contra os comunistas, contra os guerrilheiros. Mas esses não levam prêmios internacionais do mundo de Davos. Não ligam tanto para com quem ficam os créditos, pois focam nos resultados. E as pessoas de bem reconhecem todo o seu trabalho árduo pela paz, não a dos discursos, mas aquela concreta, possível.

Rodrigo Constantino