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Rodrigo Constantino

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Presidente posta vídeo tosco e divide reações: atirar no mensageiro ou na mensagem?

Foto: Sérgio Lima/Poder360

O presidente Jair Bolsonaro, especialmente por meio de suas redes sociais “controladas” pelo filho Carlos, parece não ter muita noção da “liturgia do cargo”. Inspira-se demais talvez em Trump, que também sofre de certa incontinência verbal. “Entre o estímulo e a resposta, o homem tem a liberdade de escolha”, disse Viktor Frankl. Mas entre o estímulo e o tweet, Trump e Bolsonaro colocam pouquíssimo freio. Deveriam.

Bolsonaro postou um vídeo tosco com uma cena lamentável em que uma figura abjeta faz obscenidades em local público durante um bloco de carnaval, e termina com outro fazendo xixi em sua cabeça. O vídeo, claro, gerou muita polêmica, levou várias hashtags de apoio e crítica ao topo dos trendings, e dividiu reações. O que pensar disso?

Para começo de conversa, o homem é presidente da República, tem quase 3,5 milhões de seguidores no Twitter, e sabe-se lá quantos são menores de idade. Não combina com o cargo, com a imagem institucional que ele representa, e ponto final. É simplesmente errado um presidente fazer isso, o que justifica tantas críticas que ele recebeu, inclusive de gente à direita. Foi, para dizer o mínimo, algo de muito mau gosto.

Mas… igualmente estranho são certas figuras, mais à esquerda, atacarem tanto o mensageiro e ignorarem totalmente a mensagem. Bolsonaro não criou a cena; ela a reproduziu. O que ele mostrou aconteceu, e acontece. Cada vez mais. Até em universidades! Leiam A corrupção da inteligência, de Flávio Gordon. A degradação moral em nosso país tem sido absurda, promovida por “intelectuais”, por artistas, por relativistas morais que se acham moderninhos, mas não passam de bestas lutando para levar a humanidade de volta ao animalesco.

A revolta com o ato do presidente é legítima. Mas a ausência de revolta com o que ele expôs, e que de fato representa um problema crescente, é algo um tanto suspeito. Os “progressistas” não acham que “vale tudo”? Não incentivam de certa forma esse comportamento bizarro como se fosse sinal de liberdade de expressão? Não valorizam o excesso de subjetivismo, a quebra de todos os tabus, o desafio rebelde (e infantil) a todas as normas da sociedade? Não acham lindo quando feministas fazem cocô em uma foto de Bolsonaro como forma de “protesto”? Então qual a grande surpresa? O que não pode é mostrar isso?

Permita-me discordar da imensa maioria nas redes sociais nessa polêmica. Ou por outra: concordar com a imensa maioria, mas juntando os dois lados! Sem partidarismo, sem hipocrisia, lutando para manter a coerência. Tenho “mixed feelings” com esse episódio.

Se, por um lado, junto-me aos que não aceitam um presidente postar algo tão asqueroso em seu Twitter, o que não é condizente com sua função, por outro lado me solidarizo com quem celebra a exposição de tanta baixaria como estímulo para reflexão de quão longe a destruição dos nossos valores foi.

Acho que Mario Sabino resumiu muito bem: “Acho que o presidente da República deveria pensar se os conteúdos dos seus tweets podem ser vistos por menores de idade. É uma regra simples. Quanto aos vagabundos do vídeo, cadê a polícia?” É possível condenar ambas as coisas: a decisão de Bolsonaro de publicar o vídeo, e o comportamento inaceitável daqueles que estão no vídeo, filhotes da destruição moral promovida pela esquerda.

No mais, talvez fosse prudente retirar Carlos do comando do Twitter. O presidente pode dar um Lego para ele ou algum outro brinquedo mais inofensivo…

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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