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Rodrigo Constantino

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Professora diz que “rigor acadêmico” leva ao “privilégio do homem branco heterossexual”

two head and gears

Entendo que leigos, que tocam suas vidas produtivas sem muito tempo ou interesse para estudar esse tema mais a fundo, não façam ideia do grau de estrago que a “marcha das minorias oprimidas” na era do politicamente correto fez nas universidades mundo afora. Mas como alguém que tem estudado bastante esse assunto, posso garantir: é assustador!

Até mesmo vários “liberais progressistas” já se deram conta disso, e têm escrito textos e livros para denunciar nada menos do que a morte da educação, mostrando-se extremamente preocupados com o rumo da academia na América e na Europa. Nós, brasileiros, sabemos que em nosso país está ainda pior.

Esse caso que vou relatar agora está longe de ser isolado. Diria que é cada vez mais a regra, não a exceção. Uma professora da Purdue University, chefe do departamento de Engenharia, afirmou que o rigor acadêmico produz resultados “sujos” e que, entre eles, está o “privilégio dos homens brancos heterossexuais”.

“Compreendendo como o rigor reproduz a desigualdade, não podemos reiventá-lo, mas devemos abandoná-lo”, disse Donna Riley. Parece piada, mas não há a menor graça. Sua declaração consta do abstrato de um texto seu acadêmico, escrito para o jornal de Engenharia.

Ela alega que o rigor “tem um histórico associado à dureza, resistência, ereção; suas conotações sexuais – e seus elos com a masculinidade em particular – são inegáveis”. Cobrar “rigor acadêmico”, portanto, seria uma forma de discriminar mulheres, gays e negros (?), revelando uma estrutura de poder dos “privilegiados”, naturalmente os homens brancos heterossexuais.

Defender o rigor, então, seria uma forma de reforçar os estereótipos de gênero, raça e classe, “mantendo na invisibilidade os homossexuais, os incapazes, os pobres, e outros alunos marginalizados” (e o fato de misturar incapazes com gays e pobres não seria puro preconceito?). Riley fala ainda em um ambiente de “microagressões” e uma cultura de “branco e masculinidade” nos estudos de engenharia. O “conhecimento científico” seria “colonizador”, aponta.

Em “papers” anteriores, Riley afirmava que queria fazer parte de uma “mudança de paradigma”, e levar a “diversidade” na ciência e na engenharia da simples contagem de indivíduos para um engajamento genuíno de todos por mais “justiça”. Ela também queria revisar o currículo de sua área, integrando conceitos de política pública, ética profissional e “responsabilidade social”, coisas fundamentais, como sabemos, na hora de construir um prédio ou uma ponte que devem continuar de pé.

Toda essa baboseira, que tem sido crescente nas universidades, remete ao irracionalismo da Escola de Frankfurt e às políticas de identidade da esquerda coletivista. Não há mais “verdade objetiva”, a menos, claro, que seja a “verdade” das “minorias” e seus defensores (muitos da elite branca). O denominador comum é sempre esse: demonizar o “homem branco heterossexual”, ocidental, judeu ou cristão. Ele é o culpado por todas as mazelas e injustiças do mundo!

O vitimismo dos “oprimidos” chegou a um patamar patético demais, e isso tem claros efeitos no ensino da juventude. “Locais seguros”, “microagressão” e cadeiras acadêmicas reservadas para os representantes dessas “vítimas”, tudo isso asfixiando a liberdade de expressão, alterando o currículo clássico, destruindo o cânone estabelecido, transformando Shakespeare em ícone do colonialismo branco europeu, e por aí vai. Não é possível subestimar o impacto nefasto disso tudo na mentalidade das próximas gerações.

Se antes essa palhaçada perigosa era restrita à área de humanas, hoje isso não é mais assim, e a doença tem se espalhado para a matemática, para a engenharia, para tudo! E, como já disse, até mesmo muitos acadêmicos à esquerda já se deram conta do perigo e têm denunciado a ameaça. É o caso, entre tantos, desses dois professores que afirmam que a intolerância esquerdista está matando a educação superior. Eles já abrem o texto “tocando a real”:

Em faculdades e universidades em todo o país, os estudantes estão protestando em formas cada vez mais virulentas e às vezes violentas. Eles exigem ‘espaços seguros’ e ‘trigger warmings’, gritando com aqueles com quem não concordam. Tornou-se um argumento para os ‘outsiders’ alegar que os loucos estão administrando o asilo; que isso é análogo à Guarda Vermelha de Mao, aos camisas marrons da Alemanha, aos jacobinos da Revolução Francesa; e, quando aqueles que estão sendo atacados são politicamente de “esquerda”, que a esquerda está comendo os seus próprios. Essas histórias parecem validar todas as fantasias que a direita tinha sobre a esquerda.

Os professores, então, passam a relatar suas histórias bizarras, incompatíveis com qualquer noção que se tenha acerca de um ambiente saudável de educação, ainda mais superior. Detalhe: os próprios professores, como já disse, são de esquerda. Mas para tudo há um limite, e o politicamente correto ultrapassou esse limite faz tempo. Os autores lamentam o que se está perdendo com esse novo ambiente:

A esquerda e a direita discordam historicamente sobre a extensão das desigualdades atuais no sistema e a sabedoria da solução. Aqueles à esquerda tendem a se concentrar nas desigualdades no sistema; os que estão à direita tendem a defender a responsabilidade pessoal. A esquerda tende a ver injustiça estrutural, e está inclinada a intervir. A direita tende a ver uma paisagem de oportunidade e teme as consequências não planejadas de novas iniciativas. Ambas as posições têm mérito e, apesar do tom frequente de conversas entre as facções, elas não são mutuamente exclusivas. É provável que a sabedoria surja da tensão entre essas visões de mundo, unindo pessoas boas em torno do valor de um sistema justo que promova a auto-suficiência, pois distribui a oportunidade o mais amplamente possível.

Tal troca, ainda que tensa, quase não tem sido mais possível. A esquerda intolerante, que banca a vítima o tempo todo, que só enxerga grupos de identidade, jamais indivíduos, e que considera tudo aquilo que é diferente dela como sendo “fascista”, tem partido para a agressão, a violência, a intimidação, de uma forma que tornou inviável qualquer diálogo construtivo. São posturas anti-intelectuais, dentro do próprio mundo acadêmico.

A educação universitária está afundando ano após ano, por conta dessa esquerda intolerante. Quando chegamos ao nível de uma chefe de departamento de Engenharia atacar pública e academicamente o próprio conceito de “rigor acadêmico”, é porque sabemos que a “brincadeira” foi longe demais.

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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