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Rodrigo Constantino

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A resistência britânica na Segunda Guerra serve de inspiração para o combate a qualquer forma de dominação

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Por Erick Silva, publicado pelo Instituto Liberal

O ano era 1940. A Europa começava a vivenciar as tensões e os horrores da Segunda Guerra Mundial. A Alemanha Nazista dominava territórios, começando com a tomada da Polônia, evento que desencadeou a Segunda Guerra, e culminando com a invasão à França, iniciada no dia 10 de Maio e concretizada no dia 25 de Junho, mostrando a força da SS de Hitler perante o resto da Europa. Na sequência, os nazistas decidiram conquistar a Inglaterra.

Nessa época, EUA e URSS não haviam entrado na guerra. Ambos só iriam ingressar no ano seguinte, devido ao ataque japonês na base naval de Pearl Harbor (EUA) e ao descumprimento do Pacto Molotov-Ribbentrop (URSS). Sendo assim, os ingleses teriam que enfrentar sozinhos o exército nazista, que estava no auge da sua força, comandado por Adolf Hitler. Winston Churchill, recém-empossado no cargo, tinha duas opções: seguir o caminho dos franceses e se render aos alemães ou resistir à tentativa de ocupação alemã com unhas e dentes. O “buldogue britânico” escolheu a segunda opção.

No dia 04 de Junho de 1940, Churchill se dirigiu à Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico e proferiu o histórico discurso que dá o título a este artigo. Eis um trecho da peroração do discurso (em parênteses a tradução):
“We shall go on to the end. (Devemos seguir até o fim)
We shall fight in France (Devemos lutar na França)
We shall fight over the seas and oceans. (Devemos lutar sobre os mares e oceanos)
we shall fight with growing confidence and growing strength in the air. (Devemos lutar com crescente determinação e crescente força no ar)
We shall defend our island whatever the cost may be (Devemos defender nossa ilha, a qualquer custo)
we shall fight on beaches, we shall fight on the landing grounds, (Devemos lutar nas praias, nos campos de pouso)
we shall fight in the fields and in the streets, (Devemos lutar nos campos e nas ruas)
we shall fight on the hills. (Devemos lutar nas colinas)
We shall never surrender. (Não devemos nunca nos render)”

Com esse espírito lutador, os ingleses resistiram bravamente à ambição nazista. Em julho, Hitler ordenou a preparação da “Operação Leão Marinho”, um plano de invasão ao Reino Unido que buscava o rendimento e a subserviência inglesa perante os alemães; mas, para que o plano pudesse ser posto em prática, era crucial que a Luftwaffe (Força Aérea Alemã) dominasse os céus britânicos. Isso acabou dando origem à Batalha da Grã-Bretanha, a primeira grande batalha travada exclusivamente por forças aéreas: de um lado, a Luftwaffe; do outro, a Royal Air Force (Força Aérea Britânica).

Em determinado momento da batalha, a RAF atingiu um estado crítico. Não havia mais um grande contingente de pilotos, recrutas com pouca experiência eram levados para o front de batalha e abatidos facilmente pelos alemães, na época a maior força aérea do mundo. Duas pessoas foram cruciais para manter o apoio à resistência britânica: Winston Churchill e seus motivadores discursos, e a “Rainha-Mãe” Elizabeth, esposa do rei Jorge VI e mãe da futura rainha Elizabeth II, que preferia “morrer com o povo” a aceitar o asilo político dos EUA.

O que mais me fascina na batalha da Grã-Bretanha foi a força que os britânicos tiveram em resistir à destruição de suas cidades pelos alemães. Mesmo com o bombardeio aéreo da Luftwaffe destruindo as cidades de Londres e Liverpool, os ingleses fincaram o pé e continuaram lutando pela sua liberdade e por seu país. No ar, pilotos da RAF faziam de tudo para pôr um fim às ambições nazistas. A batalha aérea entre a RAF e a Luftwaffe foi eternizada no clássico “Aces Of High”, do Iron Maiden, música que retrata perfeitamente a tensão do conflito e a bravura dos ingleses, especialmente no trecho:

“Run, live to fly, fly to live, do or die
Run, live to fly, fly to live.
Aces high”

Relembro a Batalha da Grã-Bretanha pois ela é o perfeito exemplo de resistência. Os britânicos, mesmo acuados, mesmo intimidados e mesmo ameaçados, não se curvaram a Hitler e lutaram bravamente contra as tropas alemãs. Ao final do confronto, em Maio de 1941, a Alemanha bateu em retirada e desistiu de tomar a Inglaterra, naquela que é considerada a primeira grande derrota do III Reich na Segunda Guerra Mundial.

A resistência britânica serve para nos lembrarmos de que devemos sempre resistir a quem tenta nos calar, combater aqueles que buscam nos dominar das mais diversas formas e, principalmente, nunca nos render ao agressor. Pode ser que os louros não apareçam no presente, mas certamente brotarão no futuro. Lute, mesmo que você seja minoria. Lembremos, pois, dos bravos soldados da RAF para sempre defendermos a nossa liberdade.

“Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos” (Winston Churchill)

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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