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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Ricardo Noblat, isso que você defende não é… o comunismo?

Uma vez marxista, sempre marxista? Talvez. Conheço casos de quem conseguiu se livrar da doença, abandonar o vício, rejeitar de verdade a velha seita ideológica. Mas não conheço um só caso de alguém que tenha feito isso suavemente, de forma lente e gradual, sem traumas.

Flávio Gordon, em A corrupção da inteligência, fala disso, mostrando como aqueles que romperam com o comunismo tiveram um “momento Kronstadt”, algum clique motivado por um episódio qualquer que produziu uma epifania, um despertar. Foi assim com Koestler e tantos outros.

Mas no Brasil, nossos “intelectuais” comunistas nunca passaram por tal processo doloroso. Eles simplesmente “deixaram de ser comunistas”, assim, do nada, sem trauma, sem luta, sem angústia. O que nos leva a crer, claro, que eles nunca abandonaram o comunismo para valer.

E é o que fica claro quando vemos a postura de tantos desses “formadores de opinião” que ainda flertam com a extrema-esquerda, que fizeram vista grossa para os crimes petistas desde o começo, que idolatram o PSOL, que bancam os “isentões” para, no fundo, dar um jeito de enaltecer os socialistas, os comunistas.

Ah, mas o comunismo morreu, Rodrigo! Sério? E você caiu nessa? Então é vítima da lavagem cerebral que os próprios comunistas fizeram, com a hegemonia da academia e da mídia nas últimas décadas. E aí você vai, repete essa falácia, e logo depois se depara com essas declarações de Ricardo Noblat, jornalista “moderado” do Globo:

Temos aí o pacote marxista completo: o conceito de “mais valia”; a ideia de que o pobre tomar a propriedade do rico não é roubo, mas justiça; a premissa de que economia é um jogo de soma zero em que o rico, para ficar rico, precisa tomar do pobre; a relativização do direito de propriedade privada; o coletivismo, que transforma o indivíduo em marionete dos “interesses coletivos” definidos sabe-se lá por quem (pelo Noblat, presume-se); a ideia de que pobres são “escravos oprimidos” e que a solução é uma revolução.

Pergunto ao Noblat: isso não é… comunismo? Só um pouquinho, um tiquinho de nada, de… comunismo? Isso não é PSTU, PCO, PSOL na veia? Isso não é Bernie Sanders? Isso não é… Maduro e Venezuela? Noblat, repito, é tido como um jornalista sério do Globo, como já foi um dia Franklin Martins, outro comunista radical, que foi ministro do PT. Era o homem da política na CBN.

Isso comprova como os principais veículos de imprensa estão dominados por radicais de esquerda. E o pior nem é isso, que já seria grave o bastante. O pior é que se você falar que são extremistas de esquerda, marxistas, comunistas, todos ficarão em choque, horrorizados, acusando você de radical, de “macarthista”, de anticomunista paranoico. Eles destilam comunismo de forma moderada, o que ajuda a mascarar o conteúdo radical.

Mas pregar a expropriação dos bens dos mais ricos em nome da justiça contra a “escravidão” dos mais pobres é, sempre foi e sempre será comunismo, uma ideologia da inveja, que sempre deixou um rastro de miséria, escravidão e terror, além de muitas mortes.

PS: Noblat mora por acaso em alguma favela?

PS2: Noblat alegou, depois, que está extraindo esses trechos de encíclicas papais. Uma “pegadinha”, portanto, para defender o marxismo com o aval da Igreja Católica. Não nego que haja passagens ambíguas na própria Bíblia, e que algumas encíclicas são mesmo bem esquerdistas, como a Populorum Progressio, por exemplo. Mas tirar de contexto as mensagens cristãs para misturar Cristo com Marx é o que faz a Teologia da Libertação, daqueles marxistas disfarçados de religiosos. A Igreja condena claramente o marxismo, assim como a idolatria ao dinheiro, ao “bezerro de ouro”. Daí a pregar o confisco de propriedade dos ricos vai uma longa distância. Mais honestidade, por favor!

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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