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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Sem reforma da Previdência, Brasil não sai do lamaçal criado pelo PT

Rodrigo Janot deve estar feliz, pois conseguiu: após aquele “flagrante armado” com a fita de Joesley Batista, o presidente Temer virou um “pato manco”. Sim, só é pego em flagrante, mesmo que armado, quem deve. Ninguém vai defender Temer como bastião da honestidade. Mas o despertar ético e patriótico de Janot e de toda a esquerda foi realmente algo muito estranho, e justo quando as reformas eram debatidas.

Minha primeira reação foi defender a saída de Temer, por constatar que sua situação seria insustentável e que todas as suas energias seriam voltadas para a sobrevivência no cargo, deixando as reformas de lado. Mas, à medida que ficou clara a tentativa de golpe da esquerda que se diz vítima de “golpistas”, passei a encarar o “Fora Temer” como um grito estridente, oportunista e cafajeste, e ao lado de PT e PSOL não grito nem “Viva Brasil”, como já disse.

Porém, a previsão estava correta: Temer fez de tudo para permanecer no cargo, e jogou as reformas para escanteio, para a felicidade da mesma esquerda que aplaude Janot. Sabemos que essa esquerda não deseja as reformas necessárias para salvar nossa economia, pois representa justamente os parasitas que vivem das tetas estatais e querem não menos, mas mais gastos públicos ainda!

O resultado está aí, para a alegria da esquerda e a tristeza da nação: as reformas estruturais subiram no telhado. O Ibovespa, índice das principais ações de empresas brasileiras, caiu mais de 2,5% só ontem, pois os investidores sabem que sem reforma a economia não anda, ficará atolada no lamaçal criado pelo PT. O editorial do Globo de hoje conclui:

Seria lícito supor que, na última etapa do mandato no Palácio do Planalto, Temer se dedicasse integralmente ao acabamento de seu legado reformista, emoldurado na aprovação de limites aos gastos públicos, a reforma do ensino médio, as mudanças na legislação trabalhista e a renegociação da dívida dos municípios. Sem avançar na agenda de reformas estruturais na economia, principalmente na Previdência e no sistema tributário, sabem o presidente e todos os parlamentares governistas, este governo legará ao próximo algo similar a uma moldura bonita, porém vazia, na parede.

Isso porque, sem reformas, restará a realidade impositiva do aumento de tributos durante o próximo calendário eleitoral, com consequências diretas, objetivas, sobre a taxa de juros referencial (Selic).

O efeito previsível disso tende a ser um novo adiamento na retomada das atividades econômicas, depois de um ciclo de recessão sem precedentes, no qual o Produto Interno Bruto recuou 8,6% durante 11 trimestres até 2016. É dever do presidente agir, rápido e com máxima firmeza, para liderar o Congresso na aprovação dessas medidas vitais ao país. É sua responsabilidade com a História.

Após a reação dos mercados, Temer resolveu chamar sua equipe para tentar uma mudança “possível” na reforma da Previdência, mas as esperanças dos investidores são reduzidas. Estamos a um ano das eleições, e os políticos consideram a reforma “impopular”, apesar de impopular mesmo ser defender privilégios estatais e ver a economia definhando. Mas, em Brasília, percepção é realidade, então dificilmente algo sairá do papel antes das eleições.

O que torna o resultado do pleito de 2018 fundamental, diria binário mesmo. Se vencer algum desses representantes de esquerda, que não pretendem mexer no vespeiro para valer e cortar na carne o tamanho do governo, então o Brasil vai para o saco de vez, é “game over”. Um Ciro Gomes, um petista qualquer, uma Marina Silva: todas essas opções significam desastre.

Já se vencer alguém de centro com uma pauta mais reformista, ou mais à direita com um discurso de confronto ao establishment, há salvação para o Brasil, ainda que lenta e gradual, além de dolorosa. É preciso alguém com coragem para declarar guerra aos sindicalistas, aos pelegos, aos mamadores de tetas estatais. Mas claro: uma andorinha só não faz verão. Sem um Congresso igualmente eleito para mudar as coisas, teremos pouca chance de sobrevivência.

É por isso que aqueles com mais conhecimento sobre os problemas estão apreensivos, dormindo mal. Pois sabem o que está em risco: o próprio futuro do país. Enquanto isso, a esquerda jurássica ainda tem vários representantes na corrida, e o “outsider” que surgiu, direto do Projaquistão, não anima ninguém, pois demonstra falta de coragem e convicção na necessidade das reformas, além de afinidade com o establishment e a mesma esquerda ultrapassada. Nosso “Macron” não seria capaz de mexer no que precisa ser mexido, como o original francês também não tem sido, por vir da esquerda.

“É bola ou búlica, é fogo esse jogo, não dá pra enganar, nega”. Achar que estamos em condições de empurrar os problemas com a barriga é uma doce ilusão. A Grécia acena do futuro, se nada for feito já. Valeu, Janot! Valeu, Josley safadão! Vocês ajudaram de alguma forma, ou por negligência ou por participação ativa, o PT a ferrar com o Brasil, e depois, quando era hora de arrumar um pouco a casa, conseguiram ferrar tudo novamente!

Em um ano saberemos se os brasileiros querem avançar, ou afundar.

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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