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Rodrigo Constantino

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Soros, em “ato falho”, compara União Europeia com União Soviética

Não sou daqueles reacionários nacionalistas chegados numa teoria da conspiração que culpam o especulador George Soros por todos os males “progressistas” do mundo. Mas que o húngaro é mesmo uma espécie de Capeta em forma de gente, isso é. Tornou-se simplesmente um dos maiores financiadores dos movimentos radicais de esquerda no planeta, e seus tentáculos vão longe, sempre pregando um modelo centralizador de cima para baixo, enquanto fala em “sociedade aberta” (pobre Popper!).

Pois bem: em artigo que cometeu no ultraesquerdista The Guardian, Soros escorregou naquilo que Freud chamaria de “ato falho”. Ele quis fazer um duro alerta para os riscos de a União Europeia se desintegrar, e buscou como analogia a União Soviética de 1991, na véspera de ruir. A comparação é feliz: a União Europeia foi mesmo criada de cima para baixo, por socialistas em grande parte, como um modelo centralizador de poder no estado e na “burocracia sem rosto”. Soros abre assim seu artigo:

Europe is sleepwalking into oblivion and its people need to wake up before it is too late. If they don’t, the European Union will go the way of the Soviet Union in 1991. Neither our leaders nor ordinary citizens seem to understand that we are experiencing a revolutionary moment, that the range of possibilities is very broad, and that the eventual outcome is thus highly uncertain.

Eis, aliás, o principal problema que liberais apontam faz tempo. As decisões passaram a ser tomadas em Bruxelas, falta accontability, sobra regulação, e tudo em nome da “globalização”. Não! Isso é globalismo, corretamente denunciado pelos nacionalistas (o que não quer dizer que suas soluções sejam boas). No livro do braço-direito de Soros, “lord” Malloch-Brown, aquele que era do board da Smartmatic, a palavra mais repetida é “manage”, ou seja, os globalistas querem uma “globalização” administrada (por eles mesmos). É como confundir liberalismo com capitalismo de estado. Comentei o troço aqui.

A União Europeia não tem qualquer ligação com os Estados Unidos, que formaram uma república federativa de baixo para cima, de forma mais espontânea e orgânica. A UE foi criada na canetada de políticos de esquerda, e depois foi acumulando poder decisório no establishment. O Brexit é um grito de desespero contra isso. Os governos de direita e até “extrema-direita” (nacional-populistas) são uma reação a esse fenômeno. E Soros está preocupado, vendo o “sonho” virar pesadelo, como conclui em seu alerta:

The first step to defending Europe from its enemies, both internal and external, is to recognise the magnitude of the threat they present. The second is to awaken the sleeping pro-European majority and mobilise it to defend the values on which the EU was founded. Otherwise, the dream of a united Europe could become a 21st-century nightmare.

Mas não é assim que toda utopia coletivista, autoritária e centralizadora termina? Todo experimento socialista não foi um “sonho” transformado em pesadelo? Qual a surpresa então? Será que a queda de um modelo desses deveria mesmo ser lamentada? Leandro Ruschel provocou:

George Soros, em ato falho, afirmou que a União Europeia será dissolvida da mesma forma que a antiga URSS, se os europeus não “acordarem”. Não deixa de ser uma confissão. A UE representa exatamente a repaginação do totalitário projeto soviético. No mesmo artigo onde George Soros alerta sobre a possibilidade de colapso da União Europeia, da mesma forma que ocorreu na URSS, como se fosse algo a lamentar, ele também reclamou “do arcaico sistema de partidos” na Europa. Estaria com inveja da China?

Soros está preocupado. E isso é um bom sinal para quem defende a liberdade…

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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