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Doria e a vacina xing-ling
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João Doria está com Covid uma vez mais. Mesmo totalmente vacinado. Mesmo com tantos cuidados, isolamento e máscara até no banheiro. Que estranho! Se Doria cumpre todos os protocolos que recomenda, por que pegou duas vezes a Covid? Eu, aqui na Flórida, não uso máscara faz algum tempo, aglomero em shows, e ainda não tive a peste chinesa – não que eu saiba. Pode ser pura sorte minha, claro. E um baita azar do governador paulista! Mas fica para a reflexão sobre as posturas diante da vida...

O governador tucano gravou um vídeo afirmando que seu segundo caso de Covid é prova da eficácia da vacina. Ele alega que graças a ela não tem sintomas. Mas se Doria não apresentou sintomas da primeira vez em que contraiu a doença, ainda sem vacina, por que agora ele garante que é graças à vacina chinesa que está bem, caso contrário poderia estar internado ou morto?

Trata-se de uma afirmação leviana, sem qualquer apreço pela ciência. Parece coisa de lobista da empresa chinesa! Doria virou, além de inspetor de insumos, vendedor de vacinas. Passa o tempo todo enaltecendo a importância de se vacinar e a suposta qualidade da “sua” vacina, comprada por meio do Butantan num contrato sem transparência com uma empresa chinesa acusada de pagar propinas no passado. Já que a CPI anda tão em cima de contratos de compra de vacinas, bem que podia exigir mais detalhes desse acordo, não?

Pensem pelo lado positivo: Doria não teve miocardite, nem síndrome Guillain-Barre, nem trombose. Ele teve Covid mesmo. De novo. Faço essa brincadeira para revelar uma coincidência irônica: um dia antes de o governador revelar que está novamente com Covid, eu fui suspenso por uma semana do Twitter por publicar uma piada com um fundo de verdade. Mostrava os riscos de cada vacina, ainda que baixos, e quando chegava na chinesa dizia que o risco era mesmo pegar a Covid. A brincadeira se mostrou profética!

Cada vez mais gente questiona a real eficácia da vacina chinesa, até porque observa o que aconteceu em outros países, como Chile e Uruguai. A alta taxa de vacinação não poupou as nações de surtos na segunda onda da pandemia. E notícias dizem que a China mesmo deve aprovar a vacina da Pfizer para uso como reforço para suas próprias fórmulas de coronavírus. No mesmo dia em que Doria deu a notícia do resultado de seu exame, saía também na Bloomberg a notícia de que novo estudo mostra que a vacina da BioNTech produz dez vezes mais anticorpos que a Sinovac.

Cientistas e jornalistas deveriam ter em comum a busca incansável pela verdade, ou seja, o hábito de fazer as perguntas incômodas. Infelizmente, tanto a ciência como o jornalismo estão muito politizados. Vejo “médicas” pedindo minha censura nas redes sociais por fazer tais perguntas, pois eu seria uma “ameaça à saúde pública”, e vejo “jornalistas” ridicularizando quem banca o “somelier de vacinas”, como se escolher qual quer tomar fosse um absurdo. Pelo visto, não é.

Artigo originalmente publicado pelo ND+

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