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Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

Voto de protesto

O eleitor médio: quando o voto deixa de ser coisa séria

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O que vai na cabeça de cada pessoa quando escolhe seus candidatos? Cientistas A proliferação de candidatos folclóricos e o voto de protesto levantam dúvidas sobre a qualidade das escolhas do eleitor brasileiro (Foto: LR Moreira/Secom/TSE)

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A frase “o melhor argumento contra a democracia é uma conversa de cinco minutos com o eleitor médio” é falsamente atribuída a Winston Churchill. O grande estadista do século passado foi, de fato, um excelente frasista, e por isso mesmo muitas falas são colocadas em seu nome sem o devido cuidado e verificação. Essa é uma delas.

Churchill tinha uma visão menos cínica do eleitor comum, mas não deixava de apontar as falhas do método democrático, e sua frase verdadeira é aquela famosa: “A democracia é o pior regime que existe exceto todas as outras formas que foram testadas de tempos em tempos”. 

Em seu livro “O mito do eleitor racional”, Bryan Caplan argumenta que as democracias frequentemente adotam políticas econômicas ruins não principalmente por causa de grupos de interesse ou corrupção, mas porque os eleitores são sistematicamente irracionais em questões políticas e econômicas. O voto individual tem baixo valor, então os eleitores não se importam tanto e não investem tempo para conhecer melhor cada candidato.

Lembremos da verdadeira frase de Churchill: a democracia é o pior regime, exceto todos os outros já testados.

A democracia falha porque responde aos desejos dos eleitores, não apesar disso. Se Churchill acompanhasse de perto as eleições brasileiras, provavelmente concordaria com Caplan e poderia muito bem ter sido o autor de fato daquela outra frase. O eleitor médio vota em Tiririca!

Quando o palhaço foi eleito a primeira vez, com o slogan “pior que está não fica”, pode até ter tido alguma graça, mas não muita. Mas quando ele se lança novamente candidato, dezesseis anos depois da primeira eleição, dessa vez imitando Michael Jackson nos vídeos, já não há qualquer resquício de graça. Nesse caso, o palhaço é mesmo quem vota nele.

Fosse um caso totalmente isolado, tudo bem. Mas não é. Temos o “Caneta Azul” como candidato esse ano, fora muitos outros. Nas eleições de 2026 no Brasil, a Justiça Eleitoral registrou milhares de candidaturas, e, como de costume, surgiram vários nomes e perfis considerados bizarros, curiosos ou folclóricos — seja pelos apelidos de urna, pelas propostas extravagantes ou pelo uso de memes. 

Temos o Bolsonaro da Shopee, que de forma decepcionante é candidato pelo Partido Novo, que se propõe mais sério. Há também o Plínio Trump, do Novo. Temos o Mick Jagger, “sósia” do cantor e candidato pelo PT. Só em Minas Gerais temos essa lista: Drácula, Vovó Tsuname, Teta do Salão, Perinho da Tigresa, Faustão. Outros casos país afora são: Trezoitão, Zé Ninguém, Gordinho do Momento, Deusa do Cras, Keila Acaba Não Mundão. Há também dezenas de candidatos que colocaram “Bolsonaro” ou “Lula” no nome de urna sem parentesco algum com os dois.

Gostaria de dizer que tudo isso não passa de um chiste e que nenhum deles será eleito, mas a história diz o contrário. E se o eleitor médio acha graça de gastar seu voto com esse tipo de coisa, o que dizer da democracia? Como confiar que as pautas relevantes para o país estarão no cerne das prioridades e que os eleitores farão seu dever de casa na hora de escolher os nossos governantes?

Quem vota no Tiririca tem o mesmo peso de quem vota em gente séria e preparada, e ambos, uma vez eleitos, possuem o mesmo peso no Congresso. Talvez não haja muito como fugir disso. Lembremos da verdadeira frase de Churchill: a democracia é o pior regime, exceto todos os outros já testados. Mas refletir sobre essas questões ao menos nos deixa mais céticos e cautelosos, sem falsas ilusões, sem crer em salvadores da Pátria, e com a clara percepção de que quanto menor o poder do estado, melhor para o cidadão. Ou você quer o Tiririca decidindo coisas importantes em sua vida?

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