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FHC e Lula: estratégia das tesouras
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Lula e FHC tiveram um almoço articulado por Nelson Jobim. Muitos ficaram surpresos. Não entendi o motivo. Qual a grande surpresa? FHC já tinha até declarado que votaria em Lula num eventual segundo turno contra Bolsonaro, e não só isso: faz tempo em que ele elogia Lula e detona o atual presidente, por pura coerência ideológica. Ou alguém acreditou mesmo na farsa do PSDB neoliberal e de direita?

Os tucanos são petistas com perfume francês. A socialdemocracia é e sempre foi de esquerda. Fernando Henrique é um intelectual que bebeu do marxismo e esteve alinhado ao socialismo Fabiano, mais “light”. Os meios divergem, mas os fins são essencialmente os mesmos. A postura dos tucanos pode ser mais moderada, mas a visão do papel do estado em nossas vidas é similar. Um é esquerda carnívora e o outro herbívora, mas mais pela forma do que pelo conteúdo.

FHC entregou a faixa presidencial a Lula com evidente emoção. Endossando a visão estética de mundo, era o intelectual passando o poder ao metalúrgico, ambos unidos na luta por “justiça social”, o eufemismo esquerdista para justificar todo abuso de poder estatal. O fato de o PT sempre ter atacado o PSDB como até “fascista” só mostra como os rótulos usados pela esquerda não dizem nada: Stalin acusava Trotsky de ser fascista!

Foi o governo tucano que fortaleceu o MST com sua política agrária, que criou as cotas raciais, que avançou com seu “progressismo” nefasto aos valores tradicionais do Ocidente. Nos Estados Unidos, a esquerda se divide dentro do Partido Democrata, e há uma ala tipo PSOL e PT, e outra mais parecida com o PSDB. Mas todos entendem se tratar de esquerda, com mais convergências do que divergências. São primos ou mesmo irmãos, quiçá até gêmeos, ainda que heterozigotos.

E nada mais natural, portanto, do que se unirem contra a direita, contra o estranho no ninho, a areia na engrenagem do sistema. PT e PSDB querem a volta da hegemonia de quando brigavam entre si, mas sem qualquer liberal ou conservador no caminho. Querem expurgar aquele que tanto incomoda por rejeitar toda essa agenda que só espalhou miséria, corrupção e opressão. Eles alegam que é para salvar a democracia, mas a farsa não resiste a um segundo de reflexão: Lula e seu PT defendem ainda hoje o modelo ditatorial venezuelano de Maduro, sem falar da tirania cubana.

A simples presença de Bolsonaro foi suficiente para derrubar muitas máscaras. A principal foi a desse teatro das tesouras, desse simulacro entre petistas e tucanos. O destino de todo tucano é descer do muro sempre ao lado esquerdo, e cair no colo de um petista. Portanto, repito a pergunta: qual a surpresa então? Estranho seria FHC não se colar a Lula contra a única direita existente!

Publicado originalmente no ND+

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