Geração do fracasso
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Qualquer pessoa atenta está preocupada com o clima nas redes sociais e também nas universidades. Os jovens se sentem ofendidos por tudo, exigem o “cancelamento” dos outros, e se organizam para banir palestrantes de viés político diferente. A coisa chegou a um patamar tão absurdo que um grupo de intelectuais “progressistas” publicou uma carta em defesa da liberdade de expressão.

Uma leitura recomendável sobre o assunto é “The Coddling of the American Mind”, de Greg Lukianoff e Jonathan Haidt. Eles mostram como “as boas intenções e as más ideias estão preparando uma geração para o fracasso”. A máxima que resume a mensagem do livro é um provérbio antigo: Prepare a criança para a estrada, não a estrada para a criança. Muitos pais têm feito justamente o contrário.

O livro expõe as três grandes inverdades que dominam essa geração: que os jovens são frágeis; que é sensato confiar sempre em suas emoções; e que a vida é uma batalha entre pessoas boas e pessoas más, ou seja, que quem discorda de mim deve ser necessariamente malvado, o que leva ao tribalismo.

As universidades ficaram mais uniformes ideologicamente, e as redes sociais reforçam as bolhas de autoconfirmação. Partindo da premissa da fragilidade dos jovens, cria-se um ambiente tóxico para o aprendizado e o debate, confundindo ensino com conforto. Os “locais seguros” contra “microagressões” produzem uma profecia autorrealizável, em que os jovens, ao se sentirem impotentes, tornam-se de fato mais covardes e, por isso, agressivos.

Assim como nossos músculos necessitam de estresse para não atrofiar, nossas mentes precisam de desafios, de embates saudáveis. Ao tratar esses jovens como velas que se apagariam ao menor contato com o vento, esses pais contribuem para a incapacidade de seus filhos de lidar com o mundo real lá fora, quando deixarem o guarda-chuva protetor da casa.

A segurança é boa, claro, e manter os outros protegidos do perigo é algo virtuoso, mas as virtudes podem se tornar vícios quando levadas a extremos. A maioria dos alunos não é frágil, os jovens não são “flocos de neve”. Mas os pais precisam compreender isso e estimular maior liberdade, com seus inevitáveis riscos.

Artigo originalmente publicado pelo ZeroHora

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