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O caso Santander ainda não foi digerido completamente. É bizarro demais, bolivariano demais. Expõe um perigo crescente no país, que cerceia a liberdade de expressão e coloca todos como reféns do governo. Que o presidente do PT, Fui Falcão, saia em campo com seu tradicional autoritarismo virulento, vá lá; mas a presidente Dilma afirmar que é inadmissível o “mercado” interferir nas eleições e que pretende cobrar explicações na sabatina ontem na Folha? Isso, sim, é inadmissível.

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Dora Kramer, em sua coluna de hoje no Estadão, tocou no assunto, mostrando espanto justamente em relação ao pedido de desculpas do banco espanhol. Diz ela:

Os analistas do banco traçaram um cenário – trabalho para o qual se imagina que devam ter sido contratados – e serão demitidos por isso. Por quê? Porque o governo não gostou.

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E se a situação fosse oposta: se o informe dissesse aos clientes que o risco de deterioração na economia estivesse justamente na possibilidade de vitória de algum dos candidatos da oposição?

Dificilmente essa ou qualquer outra instituição ver-se-ia obrigada a pedir desculpas aos oposicionistas que, porventura, se sentissem prejudicados. O gesto de retratação decorre da força de intimidação do governo.

Isso, sim, é uma vantagem e não o contrário, como quis fazer crer o presidente do PT, Rui Falcão. Para ele o que houve é proibido. “Não se pode fazer manifestação em uma empresa que por qualquer razão interfira na decisão do voto”, disse. Por essa lógica as consultorias não poderiam se manifestar, as pesquisas de opinião não deveriam ser publicadas, muito menos interpretadas pelos especialistas, veículos de comunicação estariam proibidos de explicitar suas posições e o governo estaria impedido de usar suas prerrogativas para se dedicar em tempo integral a procurar interferir na decisão do voto.

Gravei um vídeo ontem sobre o assunto, tamanha a importância que dou a ele. Estamos diante de algo deveras estarrecedor, que pode muito bem ser um passo a mais, dos grandes, rumo ao bolivarianismo brasileiro. Vejam:

httpv://youtu.be/ZUqbup8NIZA?list=UUsQZuqvj2yp6DK39TooDd6Q

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Acorda, Brasil!

Rodrigo Constantino