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O Brasil está carente de oposição. Sejamos claros logo na abertura. O PSDB tem adotado uma postura um tanto pusilânime em relação ao avanço chavista do PT, e isso não é de hoje. Aécio Neves, como candidato, ensaiou uma postura diferente, mais firme, e isso rendeu bons resultados: 51 milhões de votos e a quase vitória nas urnas eletrônicas. Mas os tucanos nunca aprendem. Está em seu DNA esquerdista. Morrem de medo de a acusação canalha dos petistas colar, de que são “golpistas”.

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Há, hoje, um enorme vácuo, um espaço político a ser ocupado por quem assumir o papel de oposição legítima, responsável e firme, que fale em nome da maioria dos brasileiros. Entre a pusilanimidade tucana e a truculência meio histriônica e caricatural de um Bolsonaro, existe um universo a ser preenchido, uma bola quicando pronta para ser chutada a gol. É nesse contexto que entra a atuação do senador Ronaldo Caiado: uma direita que não teme seu rótulo, mas que se afasta de bandeiras realmente golpistas, como a intervenção militar.

É preciso derrotar o PT pelos meios legais, constitucionais, democráticos. Sim, eu sei que a própria intervenção militar está prevista na Constituição, mas em casos muito extremos quando as alternativas se esgotaram. Não é o caso. Ainda temos instituições de estado funcionando com alguma independência, investigando, punindo os corruptos no poder. Temos, também, o mecanismo do impeachment como um caminho possível e nada golpista, segundo gente da própria esquerda como Cristovam Buarque.

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Por isso a fala de tucanos da alta cúpula foi infeliz. O senador Aloysio Nunes disse que não quer o impeachment, quer ver Dilma sangrar. FHC também descartou o impeachment. Ambos estão errados. Seu papel de oposição agora seria o de cobrar a continuação das investigações e, caso fique comprovado o crime de responsabilidade da presidente, defender a aplicação da lei. Não cabe aqui a preferência política, o “querer”, mas sim o que a lei determina. A bandeira correta é defender a aplicação da lei, inclusive para a presidente.

O senador Ronaldo Caiado escreveu em sua página do Facebook uma carta ao senador Aloysio Nunes, em que expõe sua divergência de opinião. Acredito que Caiado esteja certo e Nunes errado. Não quero ver Dilma “sangrar”, até porque sabemos como isso terminou em 2006 com o Lula e o mensalão. Quero ver duas coisas: o Brasil livre do PT; e isso feito pelas vias legais e constitucionais, preservando-se a nossa democracia. A carta de Caiado atende a tais requisitos. O senador do DEM está, cada vez mais, ocupando esse espaço vazio de oposição firme e responsável:

Nobre senador Aloysio,

Com todo respeito, não gostaria de polemizar com vossa excelência. Democratas e PSDB foram aliados nas últimas campanhas nacionais, mas cada um prescrevendo seu estilo, maneira de agir, mas sempre tendo respeito de comunicar aos pares (partidos de oposição) as nossas decisões de abrangência nacional.

Fui surpreendido pelas matérias com declarações de vossas excelências do PSDB dizendo que “não adianta tirar a presidente. Não quero que ela saia, quero sangrar a Dilma, não quero que o Brasil seja presidido pelo Michel Temer.” O que é isso senador Aloysio, senão um balde de água fria no processo de investigação das denúncias feitas pelos delatores sobre a presidente Dilma e o ex-presidente Lula?

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Sangria como tratamento nos primórdios da medicina usando ventosas e sanguessugas não faz mais parte do nosso arsenal terapêutico. Essa prescrição já deu errado. Repito: em 2005, quando o PSDB propôs a sangria de Lula no mensalão, o resultado foi a sangria da população. Fortaleceu o projeto lulo-petista ou bolivariano, como preferir. Isso nos levou a essa situação deplorável nos campos social, político e econômico do País. Jogou o País nessa grave crise institucional de proporções gigantescas.

O PSDB chutou a bola fora em 2005 e toda a oposição foi responsabilizada como omissa, vendida, negligente, subalterna, de rabo preso, entre outros adjetivos pejorativos. E agora, senador, a solução do PSDB é a sangria novamente?

Não acredito que o tão competente corpo clínico do PSDB vai apresentar como “conduta terapêutica” para o paciente chamado Brasil, que se encontra em estado grave, anêmico, espoliado, depauperado, a sangria. Não acredito!

Tive o privilégio de receber suas lições, como exímio professor de direito constitucional que é, e aprendi que o artigo 86 parágrafo 4º protege e exclui a presidente de ser responsabilizada por atos estranhos ao exercício de suas funções. Mas não impede a presidente de ser investigada. Essa que deve ser a nossa luta. Por que Dilma foi excluída das investigações? Lula a indicou presidente do Conselho da Petrobras, ela autorizou a compra de Pasadena. Ela nomeou Graça Foster, diretores, foi citada pelos delatores. Mesmo assim não pode ser investigada?

Caro colega, não vou lhe acompanhar na sangria, vou lutar para saber se Dilma e Lula tiveram responsabilidades sobre os crimes praticados contra a Petrobras. É isso que o povo brasileiro espera de nós. 
Ao finalizar, cito um pensamento que você me ensinou.

“Um dos pilares de nossa Constituição republicana é aquele segundo o qual a investigação é sim sempre permitida.”

Um abraço do aluno Ronaldo Caiado.